USA vs CHINA – A GUERRA COMERCIAL?

Já escrevi sobre A Guerra do Petróleo e A Guerra das Moedas e um valioso leitor de minhas publicações me pergunta, por que fiquei mudo com a tão propalada guerra comercial dos EUA com a China, com repercussões pela Europa, Canadá, México e até pelo Brasil, neste caso nos favorecendo.

Simplesmente, porque não é uma guerra! Trata-se de um bem disfarçado aumento de impostos para os americanos.

Em minhas publicações sobre a Economia Americana expliquei que a China exerceu por anos o papel da maior financiadora da impagável dívida dos EUA. As reservas mantidas pelo país asiático eram superiores a 5 trilhões de dólares, aplicados em títulos do Tesouro americano, ouro e outros ativos. Agora não mais. A atual reserva é de US$ 3,095 trilhões, reduzida em mais de dois trilhões que foram transferidos para diversos países onde a China adquiriu mineradoras de ouro, terras agrícolas, empresas diversas e investiu em infraestrutura em vários países cuja razões expliquei em vários artigos sobre a China, desde 2015, os quais estou agora catalogando e editando para um livro sobre o novo império emergente. E os saques continuam.

Deixe-me explicar a questão do imposto

Com a redução espetacular das reservas e sem novos países em condições de financiar a dívida americana, fica clara a razão por que Trump adotou a política isolacionista que vem implementando, abrindo mão de ser a policia do mundo e de ajudar nos conflitos dos países aliados. Falta dinheiro. O FED, o banco central americano tem uma relação dívida/capital em torno de 83 vezes, ou seja, para 83 dólares de dívida, possui apenas 1 dólar de capital. Você crê que os títulos do Tesouro são de risco zero?

Em 38 anos, apenas, a dívida pública quadruplicou! E continua subindo sem financiadores, agora.

Então, a solução estava clara, claríssima: aumentar impostos. Os assessores do presidente avisaram de que a solução, embora necessária, era impossível de ser implantada devido as reações negativas do Congresso.

Trump é um homem inteligente, pensou com seus botões, chamou a equipe, após alguns dias, e anunciou seu plano:

_ Vamos baixar os impostos dos ricos. Assim eles investirão mais e trarão suas empresas do exterior para dentro de nosso país. A equipe recebeu a mensagem em silêncio.
_ Como isso vai ajudar o problema da dívida? – arriscou seu pescoço o chefe da equipe.
_ Faremos uma guerra comercial com a China que exporta muito para nós e importa pouco. Vamos aumentar as tarifas do aço e outros produtos em 25% e vamos deixar uma ameaça de aumentar em 25% mais de 200 bilhões em produtos importados (o que aconteceu na semana passada). A estratégia é a seguinte: aumentaremos disfarçadamente impostos para os americanos em 25% sobre toda a importação da China, faremos o mesmo com o México e com outros países da Europa. Ao baixar os impostos para os ricos, desviaremos a atenção dos impostos como necessários e faremos a propaganda que esta política é para defender o emprego e as empresas americanas dentro do mote: AMERICA FIRST.
_ Genial! – aplaudiram todos.

Agora vejam, a Apple, uma das gigantes americanas, tem todos seus iPhones produzidos na China. Suponha que um iPhone custe para exportação, $1,000 dólares. Com a tarifa de 25%, a China vai cobrar $1,334 dólares. O americano paga pelo produto esse preço, a China entrega a tarifa de $333,4 e recebe os mesmos $1.000 dólares originais. Quem está sendo prejudicado? O americano que está pagando mais pelo mesmo produto. Quem mais? A Apple que venderá menos iPhones devido ao encarecimento do produto.

Isso está ocorrendo com todos os produtos taxados. E mais, enquanto as exportações dos EUA para a China caíram 7%, de $130 bilhões em 2017 para $120 bilhões em 2018, nesse mesmo intervalo, as importações da China cresceram 11%, de $506 bilhões para $563 bilhões.

Em outras palavras, como uma política dessa, tão óbvia e pueril, para não dizer imbecil, pode ser tão popular?

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