MINHA VISÃO DO BRASIL PARA 2020

Não sou um otimista, nem tampouco um pessimista. Procuro ser realista e o faço através de pesquisas, examinando os números da realidade. Com base nos dados que disponho prevejo um ano 2020 difícil para o governo e muito mais para os cidadãos. O desemprego continuará em níveis elevados, a paciência do povo já está acabando, segundo as recentes pesquisas que mostram a perda de popularidade do presidente. Este não soube aproveitar o período de lua de mel para incrementar as reformas que o país tanto necessita e em tempo hábil, o que poderá produzir novos protestos que terão o efeito de impedir o avanço das reformas econômicas, com os políticos criando dificuldades em época de eleições.

Vamos aos fatos:

1 – Nossa dívida pública.

Produzida por um estado inchado por empreguismo e altamente ineficiente na aplicação de recursos transferidos do setor privado ao setor público, através de impostos excessivos, já atingiu R$ 5,31 trilhões! Tenho certeza de que o leitor não faz a mínima ideia do que isso realmente é. Vou lhe dar uma imagem bem realista, a seguir.

O PIB de 2019 será da ordem de R$ 7,00 trilhões. Portanto a relação Dívida/PIB já alcançou a cifra perigosa de 75,86%.

Muita gente ao ver esses números de apenas dois dígitos passa direto sem refletir, pois não faz a mínima ideia do que seja. Eu peguei um papel, levantei alguns dados pelo Google sabichão, fiz alguns cálculos e cheguei a um resultado espantoso que quero compartilhar com vocês.

Se fizermos um monte de pilhas de notas de cem reais, na altura de 36,11 metros, cada uma, bem embaladas para não desmoronar nem as notas serem levadas pelo vento, teremos em cada pilha um montante que você gostaria de ter, mas na proporção que utilizamos aqui é uma titica. Não dá para pagar os juros da dívida de um dia. Agora, vamos encostando uma pilha à outra e sucessivamente até preenchermos totalmente a área de um campo de futebol oficial, com 6.400 m². Esse mar de papel empilhado da altura de um edifício de 12 andares, composto exclusivamente de notas de R$ 100,00 cobrindo toda a extensão de um campo de futebol é o que, exatamente, significam R$ 5,31 trilhões. Deu para sentir o drama de um gasto que só cresce, sem parar, ou em outras palavras, um arranha-céu do tamanho de um campo crescendo em altura, até que haja um desmoronamento?

2 – Ah, mas com a redução da taxa Selic o custo do financiamento ficou mais barato e a dívida vai diminuir! Foi isso que pensou?

Errado! A dívida não vai diminuir, o que vai diminuir é a velocidade do crescimento da dívida. A construção de novos andares no nosso edifício vai ser mais vagarosa, mas nem tanto assim como parece.

Com a redução da taxa Selic para 4,5% o custo médio dos financiamentos que o governo assume para cobrir os deficits orçamentários caiu de 9,4% para 8,1% em 2019; em 2020 estima-se que cairá para 7%. Estamos falando da redução do custo do financiamento, mas a dívida somada a esses custos menores continua crescendo e crescendo…

Segundo o Secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues a dívida bruta começará a cair a partir de 2021 prevendo-se uma redução de 0,3%!

3 – Prevejo que a dívida continuará crescendo e alcançará algo como 83% ou mais, em relação ao PIB em 2022.

Se me acompanhar até mais adiante verá por que discordo do ilustre secretário. Há muita incerteza no ar. As privatizações se realizarão no ritmo e na escala necessária? A eventual entrada de novos recursos não será utilizada para fins eleitorais, para acalmar as turbas iradas das ruas, sem paciência pelo tão esperado crescimento que não acontece?

E não acontece por quê? Fique comigo um pouco mais e logo saberá.

4 – Para haver crescimento serão necessários investimentos substanciais, cerca de 3 a 4% do PIB e aumento da produtividade de 25 a 30%.

Nossa situação é a seguinte: baixa produção e alto desemprego agravados no desastroso governo Dilma. Esse fato gerou uma alta capacidade ociosa de nossa indústria a qual não necessita de investimentos imediatos. O motor do crescimento, por essa razão, virá do consumo, o que poderá durar dois anos, pelo menos.

Em 2018 a previsão para o ano de 2019 era de um PIB de 3,5%. Puro chute otimista! Vamos alcançar 1,2% ou pouco menos. Para 2020 o governo prevê 2,5%. Se alcançar 1,5% é para agradecer e assim mesmo se fizerem concessões fiscais.

5 – Investimentos estrangeiros não virão na quantidade esperada.

Como afirmei acima, a indústria não necessita de investimentos para produzir mais. Abrir novas fábricas, ampliar negócios, investir em ativos fixos exige regras claras, estabilidade política e segurança jurídica, tudo o que não temos. Há muita instabilidade na América Latina que pode contaminar o Brasil em qualquer momento em que haja um aumento progressivo do desalento popular. Se não houver crescimento expressivo em 2020 será difícil defender o modelo Bolsonaro.

Investimento estrangeiro na bolsa é uma coisa diferente. Se o investidor acha que se enganou, com alguns toques no teclado do computador manda o dinheiro para outro hemisfério. Para investimento fixo o investidor quer saber se a taxa Selic baixou para ficar ou vai subir no próximo ano e se o novo presidente vai ser o mesmo ou um esquerdista retrógrado.

Por último, haverá o aprofundamento de uma recessão mundial que já está apresentando sinais evidentes. Investidores serão mais cautelosos.

Mais uma vez vou torcer para que minhas previsões estejam totalmente erradas, contudo, infelizmente, não é o que costuma acontecer.

Quem viver verá.

****

Deixe você também seu comentário: