A GEOPOLÍTICA MUNDIAL DA CHINA (2)

2º de 4 artigos

BRASIL – CHINA

A China é o maior parceiro comercial do Brasil que, por sua vez, é o maior parceiro comercial da América Latina. Estremecer essa relação não é bom para nenhum dos lados.

Esperamos que o novo governo do Brasil, que se anuncia como liberal, intensifique as relações comerciais com a China, abra o país para os investimentos estrangeiros, já que necessitamos de recursos urgentes para a nossa precária infraestrutura, modernização dos meios de transporte rodoviário, ferroviário, fluvial e marítimo, reestruturação industrial, privatizações, melhoria da grade energética e minorar nossa persistente crise financeira.

A nossa parceira China está derramando recursos pelo mundo afora. O Brasil precisa intensificar as relações diplomáticas e comerciais com China, EUA, Europa, Japão, países asiáticos, África, Oriente Médio e demais países da América Latina sempre e quando as trocas ofereçam vantagens para as partes e não apenas doações à fundo perdido como vinha sendo a prioridade do governo anterior.

A China tem intensificado a compra de ativos em todo o mundo, através de aquisição de terras, de minas de ouro, adquirindo empresas e tecnologias através de fusões e aquisições e utilizando recursos de suas imensas reservas nos EUA as quais vêm diminuindo ano a ano, aproveitando que os ativos estão desvalorizados em virtude das crises financeiras e sendo oferecidas à venda em função do alto endividamento dos países, como é o caso brasileiro.

Vou citar alguns números para o meu qualificado leitor compreender a importância dessa relação com a China. O Brasil exportou de janeiro a novembro deste ano US$ 220,0 bilhões. A China absorveu US$ 58,8 bilhões, ou 26,7% do total. A balança comercial produziu um superávit (export-import) de US$ 51,7 bilhões. A China foi responsável por US$ 26,2 bilhões ou 50,7% desse superávit.

Traduzindo: a China absorve 26,7% do total de nossas exportações e produz 50,7% do superávit, ou seja, o que exportamos para a China tem o maior retorno. Isso é multilateralismo posto em prática a nosso favor.

Esses números bastariam para demonstrar a crescente importância e influência da China na economia brasileira. Entretanto há outros ainda mais eloquentes.

Segundoo CEBC – Conselho Empresarial Brasil-China, o total de investimentos chineses em 2017 anunciados e confirmados, alcançou US$ 17,4 bilhões. Nos últimos dez anos o Conselho estima a aplicação de US$ 98 bilhões em 272 projetos. As áreas mais favorecidas foram as de energia (petróleo, gás, eletricidade), commodities (mineração, agricultura), ferrovias e indústria automobilística.

Se o Brasil tiver uma visão de futuro estará integrado com a visão da China, pois a China é o futuro, já a maior potência comercial e, muito próxima de ser, a maior economia do planeta além de detentora de um sistema financeiro mundial estável e confiável, porque bancado por reservas em ouro, o qual já está operativo e crescendo de forma acelerada.

Todos os valores que indicamos aqui foram expressos em dólares porque o dólar americano é a moeda reserva internacional. Essa situação está mudando de forma irreversível e tal como aconteceu com a libra esterlina da Inglaterra, que perdeu sua hegemonia para o dólar, agora é este que cederá a posição para o Yuan (¥).


Dagoberto Pacheco
Guarujá, 12/12/2018.

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