YUAN – MOEDA RESERVA – II

Dollar vs. Yuan - Torn hundred dollar bill with Mao from yuan

A China não parece satisfeita com a proposta do FMI de dar uma participação de apenas 10% na SDR e ainda exigir a vinculação do Yuan ao dólar. Como boa estrategista, a China está procurando tirar benefício da crise geopolítica internacional que está afetando o comercio de commodities, penalizando seus preços.

Recordando, os EUA eram o maior consumidor de petróleo da OPEP, especialmente da Arábia Saudita. Desde que o presidente Nixon aboliu, em agosto de 1971, o padrão ouro como respaldo da moeda americana, substituindo-o pelos petrodólares, todo o comércio de commodities passou a ser cotado em dólares, a moeda dominante no mercado internacional.

Há cerca de cinco anos, os EUA desenvolveram uma nova e revolucionária tecnologia para exploração de petróleo nas rochas de xisto. Essa nova técnica, o ‘fracking’ vem sendo aperfeiçoada mais e mais, o que conferiu ao país uma capacidade de exploração mais barata e com volume já superior ao da Arábia Saudita, seu maior exportador.

De importador, os EUA alcançaram a autonomia como produtores e potencialmente se tornarão, muito em breve, em grandes exportadores do excedente de petróleo e seus derivados, competindo com seus antigos fornecedores. Essa situação provocou a “ A Nova Guerra do Petróleo” que tive ocasião de analisar, em detalhes, no relatório de mesmo nome. (Disponível aqui)

A China entrou em campo aproveitando-se dessa peculiar situação para alcançar os seus objetivos como ensinam as técnicas da boa estratégia. Estabeleceu acordos com os países da OPEP, estremecidos com os EUA, com a Rússia, afetado pelas sanções americanas às suas pretensões na Ucrânia e com o Irã, que livre finalmente das sanções americanas relacionadas ao enriquecimento de urânio, passou a produzir petróleo em larga escala ajudando na derrubada dos preços.

Todos esses países estão recebendo empréstimos do Asia Infrastructure Investment Bank – AIIB, para suas necessidades de infraestrutura e, ademais, ganhando um mercado seguro para a exportação do petróleo, desde que naturalmente sejam pagas em Yuan. Veja que jogada de mestre!

Com as commodities sendo negociadas em Yuan e não mais em dólares, cujos acordos a China estendeu para Russia, Turquia, Índia, África, América Latina e países asiáticos, a condição de moeda dominante do dólar está começando a mudar e muito em breve, tal como aconteceu com o Reino Unido, os EUA perderão o status de moeda reserva dominante.

Por essa razão, os EUA têm feito uma cerrada política contra o ingresso do Yuan na SDR, pois eles sabem sobre o perigo que correm. Por outro lado, a China não vai ficar esperando sentada sobre as próprias mãos e está dando partida a um secreto plano que vinha sendo engendrado nas sombras, mas que agora se tornou evidente.

AS PREOCUPAÇÕES DA CHINA

Não apenas da China, mas também de seus parceiros comerciais, há uma preocupação sobre o que ocorrerá com o valor de suas reservas em dólares, quando essa moeda despencar, como ocorrerá infalivelmente após a China passar a competir com sua própria moeda no mercado financeiro internacional.

O aumento da demanda por Yuan, como moeda de reserva mundial, significará redução da demanda por dólares com graves consequências para a economia americana que não terá como financiar seus débitos, sempre crescentes, e sua dívida impagável a não ser pela emissão sem respaldo, ou no jargão apropriado, por dinheiro de vento.

A China colocou em curso o seu Plano B, qual seja, o de criar um sistema financeiro internacional paralelo e mais confiável, com a moeda respaldada em ouro e em criação de riqueza efetiva.

De acordo com o site da Swift, há agora cerca de 2.000 instituições financeiras processando pagamentos em Yuan, as chamadas operações de clearing, 600 das quais nem têm um escritório de representação na China. Também, a China contratou, além da Suíça, cerca de 30 países com contratos de swap para efetuarem a troca de moedas conforme a conveniência de seus parceiros comerciais.

UM NOVO SISTEMA FINANCEIRO EM GESTAÇÃO

As proeminentes organizações que suportam o projeto de integração da Eurásia, objeto de um relatório especifico “Eurásia & TPP” que pode ser encontrado aqui no meu site, estão possivelmente sendo utilizados para respaldar esse novo SISTEMA.

Asia Infrastructure Investment Bank (AIIB) – foi criado em 2014 para o financiamento do megaprojeto ‘New Silk Road Economic Belt’, com capital inicial de US$ 100 bilhões.  Esta instituição poderá ser a alternativa ao FMI (International Monetary Fund) e ao Banco Mundial.  China, Índia e Rússia são os principais acionistas com poderes de decisão junto ao AIIB. Sessenta países, a maioria na Eurásia, assinaram sua adesão ao Banco. Japão e EUA declinaram. O governo americano se desprestigiou ao pressionar os aliados, Reino Unido, França e Alemanha a não aderirem ao Banco e fracassou. Outra função desse Banco é emprestar Yuan para os países que assinaram sua adesão, a taxas bem convenientes, e destinado a projetos de infraestrutura. A condição é que os pagamentos do principal e encargos sejam feitos em Yuan.

Outra instituição semelhante, o NEW DEVELOPMENT BANK (NDB) foi especialmente criada, em julho de 2015, para os países integrantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa), os quais estão todos a bordo da integração da Eurásia, mas especialmente, do Novo Sistema Financeiro.

O NDB e AIIB são complementares, não competidores, destinados a financiar a integração da Eurásia e também de projetos de infraestrutura nos países integrantes do BRICS.

O NDB utilizará as moedas nacionais de seus membros deixando de lado o US dólar. Essa instituição não dependerá do controle das instituições americanas para nada, o que reduz a exposição delas às pressões dos EUA.

ALTERNATIVA AO SWIFT

Os países do BRICS estão explorando a construção de uma alternativa ao SWIFT, uma rede de pagamentos internacionais.

No relatório “Minhas Previsões Estão Se Confirmando”, aqui no meu site, tive a oportunidade de explicar, com detalhes, o que o Swift é e como pode ser utilizado como instrumento de pressão e sanções pelos EUA, com graves consequências para o país insurgente.

Neutralizar essa espécie de poder é precisamente o que os países integrantes do BRICS, a China em particular, pretende com a formação de seu próprio sistema de pagamentos internacionais.

CONCLUSÃO

A China estabeleceu linhas de swap com a Suíça para que este país possa trocar Swiss Franc por Yuan e vice-versa. Se a Arábia Saudita recebe Yuan por seu petróleo, poderá trocá-los por francos suíços, uma das mais confiáveis moedas do mundo, ou por qualquer outra moeda de seu interesse. Quando fizer importação da China pagará em Yuan convertendo seus dólares de reserva, por exemplo, nessa moeda chinesa. Mais tarde, quando adquirir confiança no Yuan, manterá a moeda chinesa em sua reserva e pagará suas importações nessa moeda, como ocorre com as transações internacionais em dólares.

Por outro lado, a China pagará suas importações de petróleo e derivados, em dólares de sua reserva nos EUA e suas exportações, amortizações e juros de seus empréstimos receberá sempre em Yuan. O país pagador terá de utilizar suas reservas em dólares, trocá-los por Yuan na operação de swap.

Você percebeu o que estará acontecendo?

1 – A China está gastando suas reservas em dólares, mas não para proteger sua moeda, apenas para pagar seus compromissos.

2 – Quando recebe pagamentos em Yuan, obriga ao pagante que gaste suas reservas em dólares na operação de swap.

3 – De todas as formas, as reservas americanas vão se reduzindo e com a perda da participação do dólar para o Yuan nas transações internacionais a atual liquidez do dólar vai se extinguindo e, para cobrir seus déficits, a impressora não poderá parar, criando inflação.

4 – Agora sim, faz sentido a preocupação do FED em aumentar a taxa de juros, o que ocorrerá em dezembro, como antecipação ao que virá.  Segundo algumas instituições que monitoram a situação econômica dos EUA, o debacle do dólar está muito próximo, talvez até meados de 2016.

Agora você já sabe o que será publicado na mídia nos próximos meses.

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