nov 132015
 

Na terceira parte do meu relatório “China e seu Secreto Plano Estratégico”, o terminei com a previsão que reproduzo abaixo e o convido a lê-lo com muita atenção:

“Agora, pare um pouco e pense na seguinte situação: suponha que em outubro próximo, quando o FMI se reunirá em Lima, no Peru, para decidir, como faz a cada cinco anos, quais moedas entrarão e sairão da cesta SDR e lá estarão presentes os representantes do Reino Unido, Europa, Japão, Suíça, Austrália, Canadá, USA e o Ministro de Finanças da China, Lou Jiwei e, quando os EUA derem o seu voto de Minerva obstaculizando o ingresso da China, o ministro lance sobre a mesa a carta que tem na manga provando que suas reservas em ouro superam não apenas à dos EUA, mas a soma de todas os demais integrantes da cesta? Isso criará uma dramática alteração no mundo das finanças e no estilo de vida dos americanos, pegos totalmente de surpresa e o dólar dará marcha-a-ré.”

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Outubro veio e passou e aparentemente nada aconteceu, o que pode ter frustrado os meus distinguidos leitores, ou talvez, tê-los aliviado.

O certo é que a previsão de que os EUA, mais uma vez obstaculizaria a justa pretensão da China, esta sim se confirmou e, na minha opinião, da forma a mais desfavorável para os americanos.

A notícia da rejeição caiu como uma bomba na China e logo interveio o Min. das Finanças, Low Jiwei, tranquilizando os chineses de que não tinham porque se preocupar com esse evento.

Como a China, há tantos anos lutando para conseguir ser aceita no restrito clube das moedas reserva—a SDR—agora faz pouco caso?  Haveria um Plano B?

A resposta é sim e minhas pesquisas, por caminhos tortuosos, o conduziram até ele, como revelarei logo mais em primeiríssima mão.

OS FATOS

O FMI, ao contrário do FED, tem interesse na admissão do Yuan na cesta SDR. A razão é que o dólar já não é considerado uma moeda confiável para continuar sendo a reserva dominante no globalizado mundo atual. Para substituir o dólar o FMI está redigindo as novas regras que orientarão a promoção de uma nova moeda em lugar do dólar. Essa moeda será a própria SDR.

Na realidade, a SDR já é uma moeda mundial, formada pela cesta de moedas de 4 países: EUA, Reino Unido, Europa e Japão. A característica dessa moeda é que ela é utilizada somente por países, não por indivíduos. Se um país entra em crise, o FMI pode emitir moeda para abrir linhas de crédito que amenizem a situação crítica desse país, obviamente se o país credor seguir a cartilha de recomendações do Fundo. O FMI publica em seu site, www.imf.org, a cotação cambial da SDR, diariamente.  Para transformar a SDR numa moeda de trocas internacionais, teria de incluir o Yuan, pois a China é o país de maior comercio no mundo, não podendo sua moeda ficar de fora.

Conforme reportagem da Blumberg, o FMI agendou duas novas datas: março e setembro de 2016. Em março, a China será informada oficialmente do ingresso do Yuan na cesta SDR. Em setembro, ocorrerá a oficialização do ingresso com a participação do Yuan em 10% da cesta, o que ocasionará a redução proporcional dos percentuais dos outros 4 participantes.

O QUE DIZEM ALGUNS ANALISTAS

Li notícias de que a China estava passando por dificuldades e que grande quantidade de capital estrangeiro estava saindo do país.

A Bolsa de Valores caiu forte e o PIB deslizou para as proximidades de 7% a.a.  Analistas interpretavam que o capital estrangeiro estava saindo da Bolsa e que o país estava em grave crise com excesso de dívidas e que a única maneira que a China poderia proteger a moeda seria vendendo dólares da sua reserva e comprando Yuan.

Analisando meticulosamente a situação encontrei várias falhas nessas analises que me conduziram para outra descoberta.

Veja só:

  1. Ainda não é possível o investimento direto na Bolsa de Valores da China. O investimento estrangeiro se faz através de ADRs na Bolsa de NY.
  2. Se a China está endividada, qual país está emprestando para ela? A China está bancando o déficit americano em torno de $1,3 trilhões e ainda possui 3,7 trilhões em reservas, totalizando $5 trilhões de seus investimentos em dólares.
  3. A queda da Bolsa foi realmente uma bolha produzida por vários equívocos do governo centralizador chinês. No meu relatório Crash no Mercado de Ações da China expliquei detalhadamente o que ocorreu.
  4. Verifiquei o que estava acontecendo com as reservas da China. Segundo o Financial Times, a China vem baixando suas reservas em grandes volumes. Até julho/15 reduziu suas reservas em US$ 343 bilhões, volume equivalente a totalidade das reservas brasileiras. Só em agosto último, as reservas caíram US$ 93,9 bilhões o que equivale à uma taxa de $3,9 bilhões por dia útil. Nesse ritmo as reservas se esgotariam em 3 anos.
  5. A explicação para venda de dólares da reserva para sustentação do Yuan não tem respaldo na realidade. Observe o gráfico abaixo e veja que se a China vende dólares da reserva para comprar Yuan, esta moeda deveria valorizar em relação ao dólar. Entretanto, está baixando, desde 2014, o que invalida a tese.
  6. Ademais, a queda do Yuan foi produzida pelo próprio governo, justamente em agosto deste ano, para calibrar o câmbio com as moedas de seus parceiros comerciais, cuja desvalorização acentuada estava prejudicando as exportações. Portanto, não faz nenhum sentido esse argumento de vender reserva para sustentação do Yuan.

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Estas pesquisas me conduziram ao inesperado Plano B.

Se me der licença o detalharei no mais intrigante relatório dos que já publiquei. Fiquem ligados na próxima sexta-feira.

Até lá!

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