SITUAÇÃO MUNDIAL PREOCUPA E PODERÁ AFETAR GRAVEMENTE AS BOLSAS MUNDIAIS

A  América do Norte está vivendo uma crise sem solução aparente. A dívida do país atinge US$ 16,4 trilhões, uma exorbitância impagável. O sistema Medicare está insolvente, o desemprego em alta, estimado entre 8% e 16%, conforme a fonte, e os desempregados levam, em média, 6 meses para encontrar nova colocação. O  crescimento da economia é pífio, o FED, o banco central americano, está sem munição, não pode baixar a taxa de juros abaixo de zero, a expansão da base monetária está perigosa e há temor de inflação. Há também a temida Fiscal Cliff que poderá vir logo em janeiro, após as eleições.

Você se recorda da luta do Obama para obter a aprovação do Congresso para o aumento da dívida, na ocasião avaliada em US$ 15 trilhões? Os republicanos fizeram de tudo para barrar o aumento e o país corria o risco de default da dívida.  Não é da Argentina que estamos falando, são dos EE.UU, imaginem só a que situação chegaram! Pois bem, na última hora foi aprovado para 16,4 trilhões, o novo limite da dívida, não antes da S&P baixar a classificação de risco de crédito, situação que fez o Dow Jones cair 2.000 pontos em três semanas.

Fiscal Cliff são as medidas que serão obrigatoriamente tomadas se não houver nova aprovação do aumento da dívida. Já em janeiro de 2013, após a posse do novo presidente, será possível:

-aumento do Imposto de renda para todos os níveis

-aumento de impostos sobre salários

-aumento de impostos sobre propriedade de 35% para 55%

-aumento de impostos sobre dividendos de 15% para 39,6%

-aumento de impostos sobre ganhos de capital (se houver) em 33%

-revogação de muitas leis fiscais de incentivo ou isenções

Enfim, um aperto orçamentário tamanho gigante, proporcional ao tamanho da dívida e do déficit.

Como haverá menos de dois meses para o Congresso agir, as discussões poderão ser caóticas levando o mercado a incertezas de tal forma que as ações de dividendos, utilizadas pelos aposentados, sofrerão grandes quedas e arrastarão as demais com o objetivo de proteção dos lucros, antes da aplicação do aumento de 33% sobre os ganhos de capital.

O panorama é complicado porque se ganha o republicano, os democratas vão querer dar o troco do que receberam deles e se ganha o democrata os republicanos não vão aprovar maiores aumentos.

Após as eleições, complicadas mais uma vez com virtual empate dos candidatos, vamos saber quem vai governar. Obama e Romney têm posições muito diferentes sobre FED, juros, regulamentos sobre sistema financeiro e empresas de energia, impostos, déficits e dívida, questões que impactam no  comportamento do investidor. Cortes nos orçamentos vão influir nas empresas do setor de defesa que dependem dos investimentos do governo.

A situação é grave, urgente e sem solução à vista.

Façamos um passeio pela Europa, para aliviar a tensão. A Grécia já pode se considerar fora da área do euro. É uma economia muito pequena, de apenas US$ 300 bilhões e sem vocação para vida regrada. Todos falam que não querem a Grécia fora, mas será um alivio para todos porque ela nunca deveria ter sido admitida  na comunidade. Já a Espanha é outra coisa. É a 12º economia do planeta e poderá criar uma crise gigante que arrastará Itália, Portugal e até França. Vocês devem ter percebido que várias empresas espanholas que tinham projetos para investimento no Brasil desistiram, outras venderam a participação pela necessidade de fazer caixa para suas matrizes, como foi o caso da Telefónica, a mais visível. Lá o desemprego está em 24%,  nível da Grande Depressão e alcança 50% entre os jovens, perigo de agitação social. Bancos e seguradoras espanholas estão em risco de insolvência, enquanto os custos de novos empréstimos sobem vertiginosamente, agravando a situação. As autoridades da Comissão Europeia já deram sinais de não acreditar nos números da Espanha, achando que podem ser piores, tal como se confirmou com a Grécia. A quebra da Espanha colocará em risco o projeto EURO e consequentemente toda a economia mundial.

Alguns analistas internacionais falam que um ‘crash’ na bolsa é inevitável. Pelo acompanhamento que faço ainda não há sinais evidentes, mas irei monitorando para informar aos meus leitores se houver alterações de padrão que possam precipitar essa situação.

 

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