dez 042016
 

ALTA INSTABILIDADE NA EUROPA

Il presidente del Consiglio Matteo Renzi (S) con il ministro della Salute Beatrice Lorenzin (D) durante la trasmissione di Rai1 "Porta a Porta" Speciale Referendum, condotta da Bruno Vespa, Roma, 23 novembre 2016. ANSA/ANGELO CARCONI

Il presidente del Consiglio Matteo Renzi con il ministro della Salute Beatrice Lorenzin

Os italianos vão às urnas hoje, por convocação do premiê Matteo Renzi para votar SIM à proposta de reforma da Constituição que prevê a alteração de 40 artigos. Você pode imaginar o que significa isso, como explicar para a população mal informada que nem conhece os termos da Constituição vigente uma reforma complexa que retira poderes do Senado, reduz o número de senadores de 315 para 100 e elimina a remuneração deles, além de variados outros temas.

Algumas agências de pesquisas dão como certo a vitória do SIM e outras avaliam um resultado muito apertado entre o SIM e o NÃO.

Eu previ, aqui em meu site, a vitória do BREXIT, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, contra todas as previsões de agências e analistas. Previ também a vitória folgada de TRUMP contra todas as previsões. A razão é que utilizo outro ferramental para efetuar minhas avaliações e posso vaticinar que, desta vez, prevalecerá o NÃO nas votações de hoje.

Conheça minhas razões:

Uma reforma complexa e de difícil explicação tornou-se, na realidade, uma forma de referendar ou não o governo de Renzi. Há muita insatisfação na Itália com o atual governo e se não fosse assim não haveria razão para o referendo.

A oposição, representada majoritariamente pelo cómico Beppe Grillo através do partido M5S (Movimento Cinco Estrelas), radical populista, está esperando a oportunidade para disputar o próximo pleito e tem grandes chances de levar. Nas últimas eleições municipais emplacou a prefeita de Roma que, entretanto, já colocou o próprio partido em dificuldades por causa de suas trapalhadas.

O governo tem uma dívida enorme que supera os 130% da relação Dívida/PIB. O sistema bancário está em graves dificuldades de liquidez com alguns bancos em situação de quebra, semelhantes ao Deutsche da Alemanha. É sempre o endividamento o responsável pela queda da eficiência na gestão do dinheiro público, da queda de produção e consequente queda da arrecadação, da elevação de impostos e redução do emprego, enfim aquela ladainha que avançou por todo o mundo civilizado. E não há economista ou financista que dê volta nessa situação sem passar a conta, democraticamente, para o povão.

O povão está revoltado, não entende os efeitos da globalização que aumentou a eficiência global, melhorou as comunicações, implementou as inovações e fechou as fábricas tradicionais que exigiam muita mão-de-obra.

Daí, se aparece um cómico que, com bom humor saiba como encantar as plateias falando as “verdades” que o povo está ansioso por ouvir (repetição do fenômeno TRUMP), o NÃO pode ser arrasador.

O que acontece com o cidadão consciente, bem informado e bem-intencionado?

Certamente poderia votar pelo SIM para dar continuidade e força ao atual primeiro-ministro, mas considerará, na hora do voto, que a mudança na Constituição de seu país vai retirar os freios e contrapesos típicos de uma democracia liberal e isso poderá ser perigoso no caso de uma futura vitória do M5S.

Bem, agora é esperar e ver no que vai dar.

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