out 292015
 

O dólar apresentou uma tendência altista, com bom momento desde 2011 até o presente.

Note pelo gráfico abaixo que essa alta se acelerou anormalmente a partir de 2014, Clipboard01

numa curva parabólica, característica de alta eufórica, a qual é frequentemente sucedida por grande queda e de forma abrupta. É muito difícil prever quando ela ocorrerá, mas o certo é que quando vier a ocorrer será um tombo grande e muito rápido que não deixará tempo para nenhuma medida preventiva.

Então, o que nos resta fazer?

Se tivermos bom senso deveremos raciocinar assim:

1 – Quais possibilidades de que a alta continue: 10%; 20%; 50%?

2 – Quais possibilidades de uma queda: 80%; 60%; 50%?

Na realidade, o dólar sendo uma moeda reserva dominante é a referência dos preços. Assim o dólar não se valoriza em relação ao real; é o real que se desvaloriza em relação ao dólar. O petróleo, o minério de ferro e o ouro apresentaram grandes desvalorizações em relação ao dólar, assim como quase todas as moedas dos demais países de economias fortes ou emergentes. Então temos a ilusão de que o dólar se valorizou.

Agora veja essa questão na perspectiva do americano. Se ele compra petróleo ele considera que está mais barato, agora. Se ele fez um empréstimo na Alemanha em euros, esse empréstimo foi convertido para dólares e ele ficou devendo em dólares e pagará as amortizações e juros em dólares, pouco se importando se o euro sobe ou desce. Porque se o euro sobe ele pagará a mesma quantia em dólares e o alemão receberá menos euros. Se o euro cai, o americano nem se preocupa, embora o alemão fique mais contente de receber mais euros, embora já não ache muita vantagem em fazer compras em Miami.  É preciso ter esses conceitos bem claros para poder compreender os fenômenos que os gráficos mostram. Clipboard012

Vejamos outros indicadores:

A tendência de longo prazo do dólar, como poder de compra, é declinante. É uma tendência que mostra como a moeda dólar se comporta, em relação a ela mesma, ao longo do tempo. Em certos momentos, conforme as circunstâncias, recupera parte desse poder e depois volta a perdê-lo.  A causa principal dessa perda de poder é a inflação provocada pela impressora de notas que não para dia-e-noite e como a produção do país não produz arrecadação fiscal suficiente para fazer frente a administração da dívida impagável e às demais despesas do governo, a solução emergencial é manter as impressoras trabalhando.

Pense em outras situações como a Argentina e Venezuela, atualmente. Na Venezuela, o taxista quer receber em dólares, porque a sua moeda perde valor a cada instante. Na Argentina os anúncios de imóveis para comprar ou vender são cotados em dólares e comercializados nessa moeda. Se verificarmos em outros países da África o mesmo acontece. Economias fracas, mal administradas e endividadas trocam suas próprias moedas pelo King Dollar, cujo valor é aceito mundialmente. É isso que sustenta o dólar, apesar da grande emissão de moeda, porque há muita procura para absorver o excesso da base monetária.

Quando vivi na Argentina, a inflação corria solta, então inventei a moda de que andar de taxi era muito mais barato do que ônibus. As pessoas ficavam surpreendidas e eu dava a seguir minhas justificativas de caráter financeiro: o ônibus cobra a viagem adiantado, o taxi no final; o ônibus vai parando pelo caminho e demora mais; o taxi corre pelos corredores e chega muito antes. Então pode-se fazer as compras por preços inferiores aos que chegam de ônibus.

Nessa ocasião, as lojas remarcavam os preços com hora limite. Por exemplo: geladeira $120.000,00 pesos até o meio dia e $148.000,00 pesos até as 18 horas. Não é brincadeira não, funcionava assim mesmo!  Se ainda não acredita, veja a nota abaixo, dinheiro de Zimbabwe. E não ouse dá-la de gorjeta para um garçom de lá que ele poderá cuspir no seu prato. Clipboard013

Na figura abaixo vemos que o dólar de 1971 comprava mais ouro do que o dólar de 2010.  Na realidade, compra apenas 3% do que comprava em 1971. Isso mostra a perda de poder de compra de uma moeda, embora seu valor de troca (câmbio) possa estar se valorizando. Clipboard014

Contudo, os EUA são um país diferente, por enquanto, pois é o único país onde seus cidadãos pagam suas importações e suas dívidas do exterior sempre na própria moeda, o dólar. Por causa dessa situação peculiar não precisam comprar moeda estrangeira ou vender a própria. Por outro lado, se o francês importar um sapato, terá de vender euros e comprar dólares para pagá-lo. Essa situação de demasiado conforto para os americanos, produz uma demanda inesgotável para o dólar e mantém a inflação relativamente estável.   Já expliquei esse fenômeno em detalhes em meus artigos anteriores disponíveis no meu Blog Ensaios.

Também comentei que com a entrada do Yuan chinês na cesta de moedas SDR, essa quase exclusividade da moeda americana vai ser gradualmente reduzida e cada vez mais nos próximos anos.

Observe no gráfico abaixo o extraordinário avanço da moeda chinesa nos mercados globais. O dólar é representado pela linha horizontal 100. Observe as oscilações do euro e a marcha ascendente do Yuan. Nos períodos em que o Yuan ficou atrelado ao dólar a linha vermelha fica paralela a do dólar. Recentemente, o Yuan passou por uma desvalorização comandada pelo governo e produziu um terremoto nas manchetes dos jornais. Veja a proporção dessa desvalorização da ordem de menos de 10%, em relação ao pico.

Então saiba porque venho analisando a situação da China e sua influência nos mercados globais. A China é a detentora do maior comercio global e a 2º maior economia do mundo. Contudo, se a considerarmos pelo poder de compra de sua Clipboard015

moeda, já é a maior economia do planeta comparado com EUA ou Europa. Então, tenha presente que daqui para a frente, se a China tossir, nós já estaremos com pneumonia. O mundo todo tem de estar com os olhos voltados para o país asiático.

Como os mercados reagem às expectativas, antes dos fatos concretos, essa mudança a que aludi antes, já está para acontecer.

O que vai acontecer?

Os compradores do dólar irão se reduzindo gradativamente porque estarão comprando Yuan que passará a dominar o mercado de commodities e não mais o dólar. A consequência será a seguinte: por um lado, haverá redução da demanda de dólares e, por outro, um excesso de oferta. Por que?  Porque a impressora não vai poder parar de imprimir dólares para fazer frente à dívida impagável e porque os gastos do governo excedem a capacidade de arrecadação de impostos. Não havendo mais interessados em absorver esse excesso de oferta, a consequência será a queda acentuada do dólar o que ocorrerá infalivelmente a qualquer momento.

Mais um indicador: o preço do ouro retornou ao mínimo observado em 2001, quando houve o ataque às torres do WTC em New York. Como o ouro é um metal precioso e raro e tem valor intrínseco, essa desvalorização se explica pela excessiva desvalorização de outras moedas e commodities que tornaram o dólar excessivamente valorizado. Essa situação tornam os produtos de exportação americana fora do preço, sem competitividade e, inversamente, os produtos importados muito baratos para os americanos.

Nós já assistimos a esse filme aqui no Brasil. Com o real valorizado no governo Lula, multidões de turistas invadiam Miami comprando apartamentos e sacoleiros comprando todo tipo de mercadoria para vender aqui. Essa festa acabou, agora, no Brasil real da Dilma.

E o resultado? Desemprego, agitação social, inflação, dívida e déficits crescentes, lojas, fábricas e empresas de serviços fechando, valor dos imóveis despencando e, para fechar, as Agências de Rating classificando os títulos de dívida do governo como lixo.

Tudo isso poderia ser evitado se o governo contratasse pessoal inteligente e preparado para administrar o país.

Agora que você já sabe tudo sobre o dólar e está à frente de 95% da população, tome medidas preventivas em relação aos seus investimentos nessa moeda, enquanto há tempo.

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