set 282013
 
  1. A Bolsa não sobe
  2. O PIB não cresce
  3. A dívida dispara
  4. A atividade econômica fica estagnada.
  5. O desemprego declina (só Freud explica!)
  6. Comércio exterior declina e ingressa em déficits.
  7. A inflação retorna.

Vamos explicar em palavras simples o que está acontecendo para que meus leitores possam planejar melhor suas vidas e evitar perder muito dinheiro.

O Brasil, por vários motivos, especialmente o ranço ideológico do atraso que opõe a classe trabalhadora em relação à empresarial continua, mesmo no século XXI, do ponto de vista econômico, um país colonialista. Nossas exportações são em sua maioria commodities, especialmente minérios, petróleo, grãos e produtos pecuários com baixo valor agregado. Nossa indústria, algumas avançadas em termos tecnológicos, não tem condição de competir no mercado internacional devido ao custo Brasil, impostos demasiados, burocracia gigantesca, falta de segurança jurídica, justiça lenta e ineficaz, segurança policial quase nenhuma, saúde precária, falta de infraestrutura como portos, silos, estradas, transporte ferroviário, aeroportos e a lista segue…

EFICIÊNCIA DO ESTADO

A poupança nacional é muito baixa. Seria necessária uma poupança pública de no mínimo 25% do PIB para sustentar um crescimento, mas está abaixo de 18%. Além da corrupção sistêmica, do legislativo que produz leis que favorecem a impunidade, haja vista a novela sem fim do mensalão, este é o único setor onde se pode fazer previsões seguras e tudo termina em piada de salão,  como citou o Sr. Delúbio, figura das mais expressivas da atual república.  A educação é vergonhosa e dificulta a qualificação dos trabalhadores.  Há milhares de vagas de empregos que não são preenchidas por falta de pessoal qualificado. Então é necessário importar produtos que poderíamos fabricar aqui.  Em função do extraordinário boom nos preços das commodities durante a gestão Lula, foi possível lograr a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo, especialmente porque este presidente teve o bom senso de escolher um banqueiro competente para a direção do Banco Central, garantiu a independência deste e preservou todas as conquistas do governo FHC na área econômica, como o tripé formado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Câmbio Flutuante e Metas de Inflação, responsável pela estabilidade da moeda, esta sim, jamais lograda na história deste país. Outras reformas seriam necessárias como a reforma tributária, trabalhista, judiciaria, política entre outras, mas além de alguns remendos nada mais foi feito. Está claro que o governo não aproveitando o ciclo favorável da economia mundial para implantar uma infraestrutura que preparasse o país para o crescimento sustentável, dá agora com os burros n’água.  Iniciar o processo dessa implantação  numa situação nitidamente adversa,  será muito difícil.  O estado carece de gestão eficiente e tem excesso de burocracia, fatores que fazem o Brasil perder competitividade  nos rankings internacionais.

Nos dois últimos anos o Brasil caiu da 48º para a 56º posição no relatório Global de Competitividade do Fórum Econômico Mundial. Segundo o IPEA a carga tributária do Chile e México é de 25% do PIB e no Brasil alcança 40%

PAC EMPERRADO

Em função da falta de competência na gestão pública, com um governo inchado, pesado e vagaroso, cujos ministérios são criados para contemplar a ocupação de políticos da base de sustentação do governo, nada comprometidos com o desenvolvimento do país, não se pode esperar competitividade na economia.  Essa falta de gestão com foco, controles e indicadores se reflete na gestão do PAC, o programa de aceleração de crescimento. Já temos 11 anos de governo petista e, até agora, o programa de concessões, um eufemismo para não expressar privatizações sempre combatidas pelo partido governista, não sai do papel.

Explicarei por que os recentes leilões para concessões de estradas e do pré-sal não tiveram interessados.  Há entre os empresários internacionais uma incerteza em relação aos aspectos jurídicos. Recentemente, foram alteradas as regras para as empresas geradoras e distribuidoras  de eletricidade para se obter uma redução no custo da energia. Isso poderia ser obtido se o governo reduzisse os impostos que pesam na conta do consumidor, mas preferiu reduzir o lucro da atividade econômica em consonância com a ideologia contrária ao lucro e ao capital. Determinou ao Banco Central a redução dos juros e promoveu o aumento exagerado do crédito ao consumidor para acelerar a economia via consumo, uma medida errada que foi alertada pela maioria dos economistas, empresas e bancos privados.  A cada momento, o governo altera as regras vigentes como se Brasília fosse um grande laboratório de experiências e isso afasta os investidores, palavra feia que é entendida como especuladores.

Outra razão é que a economia do Brasil está capengando, não cresce, o governo gasta muito, nossa dívida cresce mais que a inflação e já está acima de R$ 1 trilhão. Em seis meses deste ano, em percentual do PIB, o déficit em conta corrente cresceu de 2,8 em fevereiro para 3,6 em agosto. Não há nenhuma indicação de reversão desse movimento negativo.  Outro fator é a volatilidade do cambio. No ano passado o real estava muito valorizado porque  os EUA despejavam dólares no mercado americano, o chamado Quantitative Easing Q3.  Por intermédio do Q3 o governo americano emite dólares e compra títulos da dívida injetando ao redor de 80 bilhões no mercado por mês. Com excesso de dinheiro em circulação, as pessoas procuram comprar títulos da dívida para terem algum rendimento, mas como há excesso de demanda em relação à oferta, já que o governo está retirando os títulos do mercado, o valor destes sobe e consequentemente a taxa de juros ou rendimento baixa.  Isso porque a taxa de juros é fixa, chamada juros de face, fixados na emissão dos títulos e estes são negociados no mercado como são as ações. Se o preço do título sobe o rendimento para o investidor cai.   Com rendimentos quase nulos e abaixo da inflação a alternativa era consumir, o que ativaria a economia ou aplicar no exterior onde as taxas de juros fossem atraentes e, como o Brasil tinha as melhores taxas do mercado mundial, houve um fluxo de dólares ingressados no país, valorizando o real.  O governo chamou a esse fenômeno previsível de tsunami e interviu no mercado comprando dólares  e pagando nossa dívida externa que tinha custo muito baixo. Para isso captava recursos em reais emitindo  letras do tesouro forçando a alta das taxas de juros interna, o contrario do que deveria fazer além de aumentar a dívida interna.  Quando acordaram o governo  lascou um imposto, o IOF, sobre a conversão de dólares em reais o que fez reduzir a entrada de recursos estrangeiros.

Agora acontece o contrario, o dólar sobe (o real desvaloriza), o governo eliminou o IOF para atrair os dólares de que necessita para cobrir o rombo da dívida interna que não para de crescer.

O real desvalorizado alavanca nossas exportações e encarece as importações. A falta de competitividade e de infraestrutura encarece as exportações e o cambio as importações fazendo deslanchar a inflação

A economia é uma ciência complicada e definitivamente não é para amadores.

POR QUE O DÓLAR ESTÁ SE VALORIZANDO?

O presidente do FED, o Banco Central dos EUA, anunciou numa reunião do FOMC que iria iniciar a redução dos incentivos do chamado  Q3, ao qual me referi acima.  Como já se sabe isso implicaria em reduzir gradativamente a recompra de bonds com a consequente redução da injeção de novos dólares na economia.  O que acontece, é que a redução de dólares no mercado e a não redução dos títulos faria o preço destes baixarem e consequentemente  provocaria o aumento do rendimento dos títulos. Havendo melhora nas taxas de juros do mercado os investidores vão preferir investir nos EUA, lugar seguro, retirando o dinheiro que têm aplicado no exterior. Daí a revoada de dinheiro dos países emergentes para os EUA.   Para transferir o dinheiro daqui para lá, os investidores vendem os reais que possuem comprando dólares.  Estes se valorizam e os reais caem. Não será surpresa que o governo venha a instituir o IOF na compra de dólares.

A DEMANDA INTERNA E EXTERNA

A demanda interna foi acelerada pela Bolsa Família e pelas facilidades de crédito oferecidas pelos bancos estatais e privados, por imposição do governo. Em consequência, as famílias se endividaram com prestações nos cartões de créditos e nos financiamentos baratos e já se nota que a demanda reduziu em função do endividamento excessivo e da retração da oferta de créditos devido ao aumento exagerado da inadimplência.  Portanto, o crescimento do consumo estará comprometido no longo prazo.  A demanda externa que ativa nossas exportações  está comprometida pela crise dos países ricos e dos emergentes.  A China que mantinha elevadas as exportações do Brasil está passando por alterações internas de sua política de desenvolvimento.  Esse país passou décadas importando uma impressionante quantidade de minério da Vale, mas agora está priorizando mais o consumo interno num plano quinquenal.  Com o crescimento da renda interna os chineses estão demandando mais alimentos e menos minerais; é a hora das exportadoras de proteínas e o Brasil está qualificado para atender a essa demanda. O consumo externo está comprometido, mas haverá perspectivas pontuais e isso depende de medidas fiscais para baratear o custo Brasil, caso contrário será mais uma oportunidade perdida e a culpa recairá sobre quem? As elites.

Nossa balança comercial que há muitos anos era superavitária, vêm apresentando seguidos déficits

Baixa atividade econômica, inflação em alta e salários subindo acima da inflação, sem o correspondente aumento de produtividade só pode piorar a situação fiscal, reduzir a arrecadação pela redução dos lucros das empresas e a renda das pessoas. A derrocada do Grupo X vai exigir provisões expressivas nos Bancos e o mercado de crédito ficará mais seletivo, também em função do aumento considerável da inadimplência provocada pela nova classe média. Há no ar uma forte deterioração das expectativas e um desarranjo fiscal  do país ( o Tripé que estabilizava o real já está quase todo desfeito) e vamos passar por momentos difíceis se os EUA implementarem já a redução do Q3, pelos motivos acima explicados, e ainda não tiverem autorizado pelo legislativo o aumento do teto da dívida.  (comentei esse assunto em vários artigos sobre o Abismo Fiscal, postado no Blog OPINIÃO).

BOLSA DE VALORES

Esta é muito influenciada pelos investimentos estrangeiros. Se esse capital reflui para os países de origem há venda maciça de ações que arrastam o mercado para baixo. E se as companhias cotadas em bolsa estão em dificuldades, como é o caso da Vale com ações judiciais para cobrança de impostos sobre lucro das sucursais que atuam no exterior e imposição de royalties, a Petrobrás presa na armadilha dos preços de combustíveis que já é por demais conhecida e a indústria em geral afogada nos impostos, nos custos da infraestrutura precária e na queda da demanda interna e de exportação devido a competição externa,  especialmente da China. Então não se pode esperar uma evolução da Bolsa consistente e sustentável a menos, como disse acima, de algumas empresas que podem estar se beneficiando desse processo.  Se algum de meus leitores frequenta a baixada santista, especialmente o Guarujá, deve ter notado a fila imensa de caminhões que ficam estacionados na rodovia a espera de descarregar a carga a ser exportada. No oceano, uma fila interminável de navios aguarda por dias a entrada no porto. Nossa agricultura investiu pesado em tecnologia e tornou-se uma das maiores do mundo em produtividade, apesar dos frequentes ataques dos ‘Sem Terra’,  bajulados e sustentados pelo governo. Produtividade da porteira para dentro, porque ao sair da porteira enfrenta dificuldades de transporte, inexistência de silos, que são os próprios caminhões parados nas estradas e o custo dessa precária logística  consome 40% do custo final do produto, ou seja, a produtividade está literalmente atirada ao lixo.

Assim é o nosso país, dormindo em berço esplêndido e sonhando com o paraíso.

 Dagoberto Aranha Pacheco

 

  6 Responses to “O BRASIL DA GOVERNANÇA PETISTA”

  1. […] a inteirar-se de dois artigos que estão em meu blog “Opinião”,  neste site:  ‘O Brasil da Governança Petista’ e ‘Brasil, País Emergente?’ Ambos são esclarecedores do momento que estamos vivendo e do […]

  2. Você sabia que o governo federal possui 39 ministérios ao custo anual de R$ 58 bilhões, sim é isso mesmo, o equivalente a 5 vezes o custo dos aviões de caça recentemente contratados. Não se assuste, o Brasil é país rico, sem diferenças sociais e há muitos trochas que querem continuar pagando impostos exorbitantes.

  3. […] a inteirar-se de dois artigos que estão em meu blog “Opinião”,  neste site:  ‘O Brasil da Governança Petista’ e ‘Brasil, País Emergente?’ Ambos são esclarecedores do momento que estamos vivendo e do […]

  4. Muito elucidativo,… acredito tambem que este governo esta completamente perdido e sem saber o que fazer, a corrupção continua e as leis nao ajudam mesmo. O gasto aumentou demais e nao sabem de onde tirar mais dinheiro para pagar so aumentando imposto mesmo isso eles sabem fazer muito bem, no fim essa a situação do Brasilsil sil

  5. A lucidez de seus comentários me levou a meditar longas horas sobre o PT…seus dirigentes…nossa presidentE….e há alguns minutos atrás recebi uma nota publica da OAB, pois a Sra. PresidentE disse em Nov York no dia 25…”No Brasil Advogado é CUSTO e Engenheiro é PRODUÇÃO…”que mentalidade é essa????

  6. Um retrato fidedigno do Brasil atual num artigo bem escrito, claro e abrangente.

Deixe um comentário seu:

%d blogueiros gostam disto: