LIÇÕES SOBRE DINHEIRO

A maioria das pessoas não presta atenção no mercado de dinheiro. Não têm a menor ideia de como o dinheiro tem um papel preponderante em nossa vida econômica, emocional e afetiva. Não se importam, mas deveriam.

Antes de iniciar a leitura deste ensaio, reflita um pouco sobre o que sabe sobre dinheiro. Como ele afeta sua vida, sua renda, sua aposentadoria e seus preconceitos.

 Feito isso, será muito útil que leia, reflita e volte a reler o presente ensaio que escrevi para você.


3MOEDA COMO MEDIDA

Quando se deseja medir o peso de uma garrafa de vinho utilizamos uma balança e verificamos que ela pesa 950 gramas. Essa medida não se altera, se não utilizarmos o conteúdo, porque não há variação na gravidade terrestre.

Agora, se queremos saber o preço da garrafa de vinho, verificamos pela etiqueta colada em seu exterior ou na nota de compra, que a garrafa desse especial vinho vale R$ 98,00 (noventa e oito reais).  Essa medida não é estável porque a unidade de medida varia de diferentes maneiras: pela inflação, pelo câmbio, pelo equilíbrio entre oferta e demanda e até pelo local da compra. Num Shopping poderá custar R$ 120,00 e numa adega atacadista, apenas R$ 79,99.

Operando com dinheiro, necessitamos ter em mente que não é apenas o produto comprado—no caso a garrafa de vinho—que mudou de preço, mas se é a unidade de medida de valor que utilizamos—o real—que foi alterada.

Temos, portanto de ampliar nosso pensamento para os dois lados da moeda.

Se o dólar sobe de valor (dólar forte) a nossa moeda real cai (real fraco). Isso ocorre necessariamente porque estamos aferindo o dólar pela nossa moeda. O preço do Woodbridge, vinho da Califórnia, tem seu preço em dólares inalterado, mas se medirmos o preço em reais, que ficou mais barato em dólares, o vinho ficou mais caro em reais. Isso porque necessito de mais reais para comprar a mesma quantidade de dólares que é o novo preço do vinho.

Sua sonhada viagem para a Flórida e Nova York com a família, terá possivelmente de ser adiada porque o real ficou barato demais, ou seja, não vale quase nada. Contudo, os americanos estão rindo à toa porque virão para as Olimpíadas com apenas alguns dólares no bolso.

As empresas brasileiras que tem empréstimos nos EUA terão seus balanços inflados com mais despesas financeiras e suas ações cairão na bolsa. Contudo, as que exportam bastante, terão sua receita em moeda forte e se não tiverem dívidas terão seus lucros inflados quando converterem os dólares por muito mais reais e suas ações subirão bastante.

Então você percebe que a moeda Real não é uma medida fixa, como a fornecida pelo metro ou a balança; ela é uma medida correlacionada com outras moedas que também são medidas pelo Real e por isso variam a todo o instante.

Se ocorrer uma queda do dólar, como eu prevejo que está próximo de ocorrer, a situação se inverte, o real se valoriza porque o dólar está sendo medido em reais e se o real se desvaloriza junto com o dólar, não haverá alteração relativa de valores, apenas em relação à outras moedas.

Por isso, para sua proteção e a de seu negócio e para que possa tomar decisões acertadas e coerentes, é necessário acompanhar as tendências mundiais e o que influi no valor de suas moedas.

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O gráfico acima é o mais importante em finanças, neste momento.

Temos dois cenários prováveis:

  1. Se o dólar conseguir vencer a resistência (linha azul), prosseguirá numa tendência de alta cujas consequências serão as seguintes:

1.1-Os preços das commodities, como ouro, prata, minério de ferro, petróleo e grãos, continuarão caindo e também as ações das companhias que as exploram.

1.2- O lucro das multinacionais, que têm suas operações fora da órbita do dólar, ficará reduzido e provocará a queda de suas ações.

  1. Se o dólar cai, após encostar na linha azul, o que é mais provável  (provável não é certeza), as consequências serão:

2.1-Os preços das commodities sobem.

2.2-Aumentará o lucro das multinacionais com operações fora do dólar e suas ações se valorizarão.

Antes do advento do dinheiro, as sociedades primitivas faziam a prática do escambo, que consistia em trocar uma vaca leiteira por 10 galinhas ou o serviço de um dia por um prato de comida.

Se o dinheiro é uma medida importante e prática para estabelecer os valores das coisas que trocamos, a atual utilização do dinheiro e a sofisticação das ferramentas disponíveis para operações que exigem algoritmos e sofisticados computadores, tornou o processo de endividamento incontrolável e os sistemas financeiros instáveis e sujeitos a graves crises que resultam em prejuízos que só podem ser socializados, ou seja, todos ‘pagam o pato’.

Isso ocorre porque o povo não compreende nada a respeito do dinheiro e não fazem reação nenhuma aos desmandos provocados pelos políticos e banqueiros.

Um exemplo interessante é observar a reação de grupo de pessoas de todas as idades nas manifestações de rua do Movimento Passe Livre. Jovens, senhoras e idosos apanham da polícia, são agredidos com cassetetes e bombas de gás e de efeito moral ou atingidos por balas de borracha, por protestarem contra o aumento de vinte ou trinta centavos no preço do transporte público.

Contudo, nenhuma reação se observou com a prolongada roubalheira na Petrobras que a liquidou, de vez, com a gastança do governo em obras malfeitas e abandonadas em seguida, responsáveis pela queda do PIB, pela volta da inflação, aumento nas tarifas públicas, o preço mais alto do mundo praticado na gasolina, embora o petróleo esteja a preço vil como nunca se viu na história.

Por que isso ocorre? Talvez porque o povo não percebe a relação desses fatos com o dinheiro, porque consideram que não se trata do seu dinheiro.  A reação só virá quando a crise estoura e o desemprego se generaliza, os investimentos voam para outros países, as lojas fecham, as prateleiras dos mercados ficam vazias e se instaura racionamento para tudo, tal como ocorre atualmente na Venezuela bolivariana, considerada modelo político para o Brasil.

O FIM DAS OPERAÇÕES DE CAIXA

Ao redor do mundo está ocorrendo verdadeira guerra às operações de caixa. A provável intenção é reduzir as transações obscuras da corrupção, como dinheiro em valises, na cueca e coisa e tal. Dificultar igualmente as corruptas operações de traficantes, contrabandistas e a lavagem de dinheiro.

Com a facilidade dos aplicativos nos equipamentos moveis, como celulares, tabletes e Notebooks, para efetuar pagamentos e transferências de dinheiro, o dinheiro vivo tenderá a desaparecer. Até os taxistas deverão, dentro de um prazo já estabelecido, efetuar as cobranças das corridas pelo cartão de crédito ou débito.

Vários países já adotaram restrições ao uso do caixa:

Uruguai: proíbe saques acima de $ 5.000 pesos

França: saque maior que 3,000 euros é ilegal

Espanha: limite até 2,500 euros

México: limite até 200.000 pesos (Aprox. 10 mil dólares)

Rússia: limite até 10.000 rublos

Suíça: limite até 100.000 Francos

Itália: limite até 1,000 euros

Brasil: fica como lição de casa experimentar no caixa de seu banco. Vai se surpreender!

Os governos querem eliminar a troca de moedas em espécie e assim poder documentar, controlar e taxar tudo. Se você tentar retirar mais de $10,000.00 dólares no caixa de um banco americano, poderá ser arrolado como terrorista, traficante ou contrabandista. Os EUA já tiveram notas de $500.00 e $1,000.00, mas foram eliminadas restando $100.00 como a nota de maior valor. Agora se cogita eliminar também esta, a conhecida como Benjamim.

Tornando inconveniente o uso de caixa para grandes transações as pessoas são obrigadas a utilizar sistemas eletrônicos de pagamentos.

Essa é a realização do sonho de nossa Receita Federal: ter total conhecimento e controle sobre as finanças de cada simples cidadão.

Estamos nos tornando uma cashless society.

O QUE AFETA O VALOR DE UMA MOEDA

De 1969 até o presente, o dólar perdeu 80% de seu valor. Portanto, uma nota de $100.00 pode comprar o que uma nota de $20.00 comprava em 1969.

Duas coisas afetam diretamente o valor de uma moeda e as outras coisas que você possa pensar afetam diretamente estas duas:

1—Paridade do poder de compra

2—Taxa de juros.

A paridade do poder de compra pode ser facilmente aferida pela quantidade de moeda que compra a mesma quantidade de ouro.

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Você pode ter a ilusão de que o dólar forte é forte mesmo, mas só o é relativamente a outras moedas que estão cada vez mais fracas por causa do endividamento excessivo e pela emissão descontrolada de moeda, sem correlação com o crescimento econômico. Com o dólar forte se passa o mesmo, perde valor de compra se a medimos pela paridade ouro.

A taxa de juros é a remuneração que um país paga para atrair as economias de outro país e as economias de seu próprio povo afim de fazer frente à administração da dívida.

Contudo, no momento atual de recessão econômica mundial, há uma doença epidêmica que está se espalhando pelo mundo e não é da Zika que estou falando. Trata-se da taxa de juros negativa.

A Europa, Dinamarca, Suécia, Suíça, Japão, Canadá adotaram ou estão em vias de adotar a taxa negativa em seus Bancos Centrais. No Brasil, seria a Selic negativa, hoje em 14,25%. O Brasil é um país independente que está sempre na contramão do mundo. Qual é a razão dessa epidemia?

Todos sabemos que os países estão num nível insustentável de dívidas e se a produção mundial estiver crescendo aceleradamente, as dívidas podem ser sanadas pela via de empréstimos mais longos obtidos com taxas de juros atrativas.  Não é o caso do presente.

Como enfrentar o problema?

Há três maneiras de enfrentar o déficit fiscal:

1–Redução do gasto público, o que implica na redução do tamanho do estado.  Politicamente difícil e quase sempre inviável.

2–Obtenção de novos empréstimos a prazos mais longos, a chamada recomposição da dívida.  Possível quando a maioria de outros países está progredindo e com caixa sobrando para emprestar a taxas razoáveis.

3–Socializar o prejuízo. Pode ser feito pela inflação que reduz os salários sem os transtornos trabalhistas ou pelas taxas de juros negativas. Isso é sempre possível porque a maioria das pessoas não entende o que é o dinheiro e não protestam quando esses fenômenos ocorrem.

Esta última opção é sempre a praticada pela maioria dos países, como é fácil observar e se constitui, na prática, numa forma de confisco de suas economias, de seu salário e de seu estilo de vida.

Suponha que você tem 100.000,00 de suas economias depositadas num banco que lhe ‘paga’ uma taxa negativa de 5% a.a. Ao final de um ano, você terá 95.000,00.  Isso vai servir de desestímulo para que deixe depósitos no Banco, certo?  É exatamente o que o governo quer: que retire o dinheiro e o gaste, aumentando o consumo e ativando a economia, invista num negócio próprio ou compre ações de companhias rentáveis.  É assim que o mundo gira, boa noite!

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