Letter 02 – OS EUA SÃO MESMO DIFERENTES?

Dagoberto Aranha Pacheco

Dollar vs. Yuan - Torn hundred dollar bill with Mao from yuanOs EUA estão numa sinuca de bico. Há algum tempo, estive escrevendo que esse país está vivendo uma verdadeira “Golden Age”. É verdade, sob a ótica do setor privado. As grandes corporações estão apresentando lucros crescentes, distribuindo dividendos crescentes, a atividade econômica está se recuperando gradualmente, as bolsas subindo sem interrupção por 6 anos seguidos, pesquisas & desenvolvimento têm apresentado resultados impressionantes nas áreas farmacêuticas, biotecnologia, nanotecnologia, informática, ‘internet of things’, comunicações, exploração econômica das reservas energéticas com novas técnicas, a agora possível produção de gasolina a partir do gás natural, o avanço extraordinário da robótica e dos armamentos bélicos que vão tornar realidade a fantasiosa ‘Guerra nas Estrelas’.

Porém, mas sempre há um porém, o setor governamental é outra coisa bem diferente e é disto que pretendo tratar.

Na Letter 01 expliquei, com clareza, o que são dívida e déficit e como esses dois fatores afetam as atividades produtivas da iniciativa privada. Analisemos alguns números bem interessantes:

Os EUA têm uma dívida de mais de US$ 18 trilhões. Superou o PIB de US$ 17,3 trilhões, em 2014. Muita gente ao ver esses números de apenas dois dígitos passa direto sem refletir, pois não faz a mínima ideia do que seja. Eu peguei um papel, levantei alguns dados pelo Google sabichão, fiz alguns cálculos e cheguei a um resultado espantoso que quero compartilhar com vocês.

Se fizermos um monte de pilhas de notas de cem dólares, na altura de 30,6 metros, cada uma, bem embaladas para não desmoronar nem as notas serem levadas pelo vento, teremos em cada pilha um montante que você gostaria de ter, mas na proporção que utilizamos aqui é uma titica. Não dá para pagar os juros de um dia. Agora, vamos encostando uma pilha à outra e sucessivamente até preenchermos totalmente a área de um campo de futebol oficial, com 6.400 m².  Esse mar de papel empilhado da altura de um edifício de 11 andares, composto exclusivamente de notas de US$ 100.00 (R$ 300,00), cobrindo toda a extensão de um campo de futebol é o que, exatamente, significa US$ 18 trilhões. Nem o tio Patinhas jamais concebeu jogar uma partida em cima de tanta grana.

Agora, que já tem uma vaga ideia de que não se pode roubar 18 trilhões nem em um carro forte, tenho algumas perguntas a fazer:

  • Essa dívida que aumenta desde 1950 ao ritmo médio de US$ 270 bilhões/ano, mais acelerada nos últimos quatro anos, vai ser paga?
  • E como não vai ser quem perde? (Aí é que seu bolso vai doer).
  • Por que uma dívida que nem pode mais ser financiada, porque o custo dos juros supera metade da arrecadação de impostos, não tem produzido inflação?
  • Por que os americanos vivem no ‘bem-bom’ endividando-se sem poupar nada, como se tudo estivesse às mil maravilhas?
  • Se a economia está se recuperando até agora, de forma sustentável, as empresas estão produzindo bem e lucrativas, a inflação está comportada, as taxas de juros próximas de zero, por que o FED (banco central) está toda hora ameaçando de aumentar as taxas de juros? Não lhe parece insensato, especialmente levando em conta que o aumento das taxas agravará ainda mais o problema da dívida impagável?

Há muita coisa rolando nas sombras da ‘House of Cards’ que nem o governo nem a mídia querem que vocês saibam.

Voltarei, me aguardem.

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