jul 282015
 

Inflação, Recessão, Depressão.
Como se proteger.

Vários leitores se manifestaram preocupados com a situação que tenho apresentado em minhas mensagens. Quero antecipar que minha intenção é compartilhar o resultado de minhas pesquisas com meus amigos e público em geral, que tenham interesse na matéria, sem custo algum e nenhuma intenção oculta de vender serviços relacionados com a área de investimento. Meu desejo é prestar um serviço de inteligência, pois sei que essas informações são negadas a maioria das pessoas. Não quero tirar o sono de ninguém e aqueles que se sentem incomodados e preferem adotar a atitude da avestruz, enterrando a cabeça na areia, quando a tempestade se aproxima, poderão fazê-lo também. Basta deixar de ler os meus comentários.
Alguns me pedem para indicar quais investimentos deverão fazer e se investir em ouro seria uma boa opção, neste momento.
Então, vamos começar pelo começo.
Primeiramente, ouro não é investimento, é reserva de dinheiro, um seguro.
Quando você faz um seguro de seu auto, você paga o prêmio da apólice e torce para não usar o seguro até o seu vencimento. Assim é o ouro, você guarda uma barra de 100 g no cofre, paga por ela o preço de R$ 14.000,00 e espera não precisar usá-la e tê-la apenas para situações extremas.
Eu acho aconselhável que todo o investidor tenha até 4% do valor de seu portfolio em ouro, como garantia, mas não espere rendimentos.
O ouro não produz nada, não distribui bonificações nem dividendos, não apresenta um lucro por ação a cada trimestre e, portanto, o seu valor não deve variar. Qual é o valor do ouro? É o resultado dos custos de prospecção, mineração, purificação, fundição, comercialização até que a barrinha de 100 gramas, com 99,9% de pureza, chegue as suas mãos. Esse é o valor intrínseco do ouro, que é relativamente estável porque é um minério muito raro e de custo de obtenção elevado. Claro está que o que varia é o valor do dinheiro que o compra. Quando chegarmos ao final do ano, sua barrinha valerá bem mais que o preço atual porque o real estará valendo menos. Milagres também acontecem. Se tivermos um novo governo que seja honesto e saiba conduzir bem a economia, o real poderá ganhar valor devido ao aumento da produção, do PIB, da ativação econômica geral. Então, sua barrinha custará menos, não porque ela tenha perdido valor, mas porque o real ganhou mais valor. Portanto, entenda que aplicar em ouro não é investimento.
Na situação que enfrentamos atualmente, o dinheiro está perdendo valor em todo o mundo, nos EUA, como já expliquei na Guerra das Moedas, na Europa, no Japão e nos países em desenvolvimento. Está perdendo valor por quê? Porque todos esses países estão imprimindo moeda em grande quantidade sem que haja o correspondente aumento de riquezas.
Então, como o dólar está subindo, inclusive em relação ao ouro? Porque, apesar da impressora estar a mil, o mundo todo absorve os dólares e a base monetária interna não sofre grandes oscilações e como as outras moedas estão se desvalorizando pela mesma razão da falta de responsabilidade fiscal, o dólar está campeão na parada, mas essa situação está muito próxima de mudar. (Vide Guerra das Moedas)
Para proteger seu patrimônio é recomendável o investimento em ativos sólidos, como commodities que possuem valor intrínseco e são sempre necessários ao funcionamento do mundo global. Ações de empresas de alimentação, farmacêuticas, biotecnologias, tecnologia da informação, geradoras e distribuidoras de energia, fundos mútuos designados a proteger contra inflação e empresas do setor financeiro que aprenderam a ter lucros em quaisquer situações, são algumas alternativas prudentes.
Manter investimentos em ações de boas empresas privadas oferece melhor proteção que a aplicação em títulos da dívida do governo. Enquanto no mundo todo as taxas de juros desses títulos estão próximas de zero, no Brasil os juros são altíssimos. Quem oferece juros muito altos nem sempre tem a intenção de pagá-los.
Também não recomendo ações de empresas estatais, pois nosso governo interfere muito no funcionamento delas. Haja visto exemplos da Petrobrás e das Cias de Eletricidade estatais.
A Vale do Rio Doce, atualmente, é uma das ações mais odiadas e por isso tenho compaixão por ela. É empresa privada, bem administrada, com custos controlados, sem excesso de dívidas e com produto de qualidade superior. A China, seu maior cliente, está com o crescimento comprometido, no momento, devido a recessão mundial, mas estou convencido que nos próximos anos recuperará o ciclo de crescimento interno e já tem planos de investir massivamente em infraestrutura urbana e na integração com o sudeste da Ásia, Índia, Oriente Médio e finalmente Europa na formidável construção da Silk Road Economic Belt, o que demandará maior consumo de minério. O risco que vejo é a intervenção indireta do governo, já que se trata da maior exportadora do Brasil, aumentando impostos, criando royalties, alterando a legislação e, consequentemente, reduzindo a competitividade atual da companhia.
Quando criança, você deve ter lido ou ouvido seu pai contar a conhecida história da “Galinha dos Ovos de Ouro”. Pois bem, a metáfora contida nesse conto infantil poderia salvar o Brasil se os governantes atuais a conhecessem. Sei que não a conhecem, pois o líder maior deles se jacta de ter alcançado o maior posto da nação sem nunca ter lido um livro sequer.
Finalmente, para terminar, quero esclarecer dois conceitos que irão ouvir muito daqui para a frente, mas que o público em geral se confunde com eles, frequentemente misturando as bolas. Trata-se de RECESSÃO e DEPRESSÃO.
Um país é considerado em recessão quando em dois ou mais consecutivos trimestres se observa declínio do PIB, Produto Interno Bruto, e simultâneo aumento do desemprego. É o caso presente do Brasil.
Quanto a depressão tenho visto vários conceitos, nem sempre muito corretos. A melhor definição e creio que a definitiva foi dada por John Maynard Keynes em seu clássico “The General Theory of Employment, Interest and Money”, publicado em 1936, quando eu completava 1 ano de idade.
“Depressão é uma condição crônica de atividade abaixo do normal por um considerável período de tempo sem nenhuma acentuada tendência em direção à recuperação ou completo colapso”.
Keynes não se refere ao declínio do PIB, ele fala em atividade abaixo do normal. Isso significa que um país pode ter crescimento numa depressão, se esse crescimento for abaixo do normal. É o caso de um país que tem um fraco crescimento incapaz de gerar suficientes empregos ou estar à frente do crescimento da dívida. Se leu a ‘Guerra das Moedas’ saberá que é exatamente o que os EUA estão experimentando atualmente.
Período
Governo Média Anual
1983 – 1985 Reagan boom 5,5 %
1994 – 2000 Clinton boom 4,0 %
2007 – 2013 Obama puf, puf 1,0 %
Tendência de longo prazo: 3 % a.a.
O crescimento de 1 % ao ano nos últimos 7 anos, para um crescimento histórico de 3 %, é a depressão, exatamente como a definiu Keynes.
Alguns conceituados analistas acham que os EUA estão em recuperação porque a bolsa sobe continuamente há 6 anos e o desemprego vem caindo, embora vagarosamente.
Não concordo com essa posição pelo seguinte: no meu site (dagobertopacheco.com.br) poderão acompanhar minhas analises do Dow Jones e meus ensaios sobre a ‘Golden Age’ americana. Na verdade, o setor privado, que lá é muito forte e independente, está crescendo muito, com as corporações produzindo lucros crescentes e isso tem refletido na Bolsa. Outro aspecto é que não há uma correlação entre Bolsa e situação econômica. O que me parece mais plausível é que se o país está empregando mais e o crescimento continua abaixo da tendência média e muito aquém do gigantesco crescimento da dívida é sinal de que o caminhão de areia anda mais devagar e com mais gente empurrando, o que significa menor eficiência.
É preciso lembrar que recessão é cíclica e tem natureza monetária.
Contudo, depressão é persistente e tem natureza estrutural.
Agora que você está à frente da maioria das pessoas, sabendo mais que elas, faça um intervalo para um coffe brake, como farei eu.

  2 Responses to “Inflação, Recessão, Depressão. Como se proteger”

  1. Muito bom, excelente.

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