ago 232015
 

Consequências da globalização e digitalização

O Grupo dos 7 é formado pelas economias mais avançadas do planeta. São elas: USA, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Itália e Japão. g7Com a incorporação da Rússia virou o G-8 e, recentemente, após a invasão da Ucrânia, a Rússia foi objeto de sanções pelos EUA e aliados e o grupo voltou a ser G-7.

Uma nova ordem mundial está prestes a emergir e será para logo. A forma como ela será percebida estará determinada por dois fenômenos: globalização e digitalização.

A globalização está incorporando economias que não estão inteiramente industrializadas e que vão se integrando ao mercado global, uma tendência que tem redefinido a global divisão do trabalho e a hierarquia de valores, promovendo o deslocamento de industrias, serviços e especialmente de pessoas em busca de menores custos, salários e benefícios fiscais.

A revolução na tecnologia da comunicação digital tem sido as fundações dessas mudanças em crescente desenvolvimento. Ela tem derrubado muitas barreiras culturais, permitindo que cidadãos das mais remotas regiões tenham acesso à informação e a novas ideias em desenvolvimento em todo o mundo.

Está claro que se a globalização torna possível o desenvolvimento econômico e aumento continuo da renda, a integração cultural, fruto da TI – Tecnologia da Informação, contribui para uma mais ampla participação política, especialmente entre a ampla e demandante classe média. Observa-se que essa tendência vem complicando os esforços dos governos em manter o monitoramento e controles internos, o que me parece um aspecto muito positivo, já que não é função do governo determinar o que as pessoas devem fazer.

Como o impacto da globalização e digitalização podem afetar o balanço de poder no mundo globalizado?

Permanece difícil de se prever, mas podemos avaliar alguns fatos.

Antes da Revolução Industrial, China e Índia eram as maiores economias do mundo, o status que ambas querem recuperar neste século. Quando conseguirem, poderão juntar-se aos tradicionais poderes que hoje formam o G-7.

Por ora, a União Europeia enfrenta enormes desafios e repetidas crises que tornam incerto o seu futuro. O futuro da Rússia é ainda mais incerto. Índia tem o potencial de exercer um papel importante internacionalmente, mas tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar suficientemente estável e próspera para lográ-lo.

Então sobram apenas os EUA e China.

Pode-se compreender porque muitos analistas têm previsto o ressurgimento de uma nova ordem bipolar ou mesmo de uma nova Guerra Fria, com China substituindo a Rússia como rival da América. Isso também me parece improvável porque em nosso mundo interconectado, EUA e China não podem se envolver em conflitos e competição para obscurecer seus interesses comuns.

Neste momento, a China está financiando o déficit público dos EUA e sustentando sua autoridade global. Por outro lado, a China não pode sustentar seu rápido crescimento econômico e modernização sem o acesso aos mercados americanos.

Colocado de modo simples, China e USA dependem um do outro.

Isso parece provável que a nova ordem mundial, a qual me referi no princípio deste artigo, será a remontagem da ordem bipolar, mas será caracterizada pelo engajamento, acomodação e colaboração em nome de interesses comuns.

O G-7 está agonizante, a nova ordem será o G-2.

  2 Responses to “G-7 ou G-2 ?”

  1. Concordo com você.

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