ago 182017
 

Muitas pessoas, americanos inclusive, não tomaram consciência ainda dos riscos iminentes de uma hecatombe mundial que poderá ser provocada pela Coreia do Norte. O líder norte coreano está empenhado em transformar seu país em mais um possuidor de armas atômicas, afim de preservar o seu regime ditatorial e de ser tratado de forma diferenciada, como os demais países que conseguiram alcançar essa qualidade. Já teve ocasião de mencionar que Kadafi , da Líbia e Saddam do Iraque, que acederam transformar seus programas nucleares defensivos em energéticos, acabaram mal. Por isso, Kim-Jong-um, não tenham nenhuma dúvida, está determinado a produzir foguetes, miniaturizar bombas nucleares e se projetar como potência atômica.

O governo Obama foi muito condescendente com a Coreia do Norte achando que o país não tinha condições técnicas, financeiras e logística para se tornar no que efetivamente já se tornou. Agora, será difícil reverter o problema, mas terá de ser revertido ainda que a um custo muito maior.

Os EUA terão de analisar suas decisões e opções. Tentaram a diplomacia, as sanções econômicas, os blefes, os sustos, com o recente ataque à Síria com a tal bomba Mãe de todas. Nada disso demoveu ou abalou o líder coreano. As pessoas dizem que ele não seria louco de atacar Washington ou Los Angeles porque a reação americana varreria a Coreia do Norte do mapa.

Vamos colocar as coisas em perspectiva: a Coreia do Norte possui uma população de 25 milhões, metade da população da Coreia do Sul e o dobro do contingente das forças armadas desta. Trata-se de um país extremamente atrasado cuja maior fonte de emprego são as forças armadas. Seu comércio exterior é mais de 90% dependente da China. Um ataque à Washington ou Los Angeles seria uma enorme perda para o mundo em relação à alternativa da retaliação. Por isso é pouco provável que os EUA, sob o comando de Trump, vão esperar por um ataque para depois revidar.

Se permitirem que a Coreia do Norte continue com seu programa, considerando que poderão conviver com isso, as consequências lógicas seriam o Japão e Coreia do Sul desejarem também desenvolver programas semelhantes com a consequente nuclearização da Ásia Oriental que já é desestabilizada e aumentaria em vários graus o risco de guerra.

Dizem que a China está colaborando com os EUA, tanto assim que aprovou as sanções econômicas contra a Coreia do Norte. Ora, tendo a China fronteira com os norte coreanos na divisa formada pelo rio Yalu e também a Rússia que possui uma pequena passagem fronteiriça por onde passam ferrovias e rodovias que comunicam os dois países, então é muito difícil garantir que essas sanções sejam cumpridas. O máximo de intervenção direta que a China fez foi seu recente recado ao Líder Kim para que parasse com as provocações aos EUA e que se ele iniciasse algum ataque àquele país, ou aos seus aliados, estaria sozinho para enfrentar as consequências, mas se a Coreia fosse atacada primeiro, a China interviria. Em nenhum momento a China impôs que fosse descontinuado o programa atômico, muito possivelmente financiado por ela. É muito provável que a Coreia esteja também obtendo armas na Rússia e na Ucrânia que produz motores de misseis para a Rússia.

 

Uma possível alternativa a esse imbróglio é uma arriscada ação aérea em conjunto com Japão para bombardear o palácio do governo, os reservatórios de combustíveis e laboratórios matando o líder Kim e mudando o regime da Coreia do Norte. Não se sabe qual seria a reação da China, mas poderia ser negociada com a política comercial mais favorável a ela. De toda maneira essa iniciativa poderá desencadear uma guerra sangrenta de consequências imprevisíveis.

Há alguns fatores que amenizam a situação. A China está na iminência de se tornar a líder mundial como a maior economia do planeta. Já detém o maior comercio mundial e está se projetando entre os líderes mundiais como um peso pesado que deve ser ouvido e respeitado. Então, não teria interesse de se envolver em uma guerra custosa e que não lhe traria nenhum benefício. Da mesma forma, a Rússia permanece quieta esperando oportunidades para agir. O presidente Putin é um homem perigoso, muito inteligente, estrategista, destacado praticante de artes marciais, muito disciplinado e não dá ponto sem nó. Está bastante ligado com a China no projeto de criar um novo sistema financeiro mundial, para isolar o dólar como moeda hegemônica do comércio, o qual já começou a operar e cujas consequências serão reduzir o poder dos EUA de impor sanções financeiras contra outros países e de se auto financiar, retirando-lhes a capacidade de seguir sendo a polícia do mundo. Por isso, Rússia e China vêm acumulando ouro em grandes proporções para bancar o novo sistema financeiro.

Como já souberam através de minhas análises da Economia Americana, os EUA têm um débito de pouco menos de 20 trilhões, superior ao PIB, avaliado em 18,7 trilhões. Portanto, os americanos trabalham exclusivamente para pagar dívidas e qualquer gasto adicional a isso terá de ser financiado. Uma nova guerra acrescentaria alguns trilhões mais a essa exagerada dívida produzindo a desvalorização do dólar, que já vem caindo com a agravante que a perda do dólar como moeda principal do comercio exterior, o que já vem ocorrendo e pode ser observada pela perda crescente das reservas estrangeiras nessa moeda, o país não teria as condições favoráveis dos últimos cinquenta anos para se autofinanciar.

Poderiam as provocações reiteradas da Coreia do Norte ser um chamariz para que os EUA sejam o grande perdedor?

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