out 142015
 

O que tem a ver o TPP, também chamado de Obama’s Trade, com Marco Polo e o megaprojeto da China para fazer frente ao poderio americano em alto mar e assumir o controle geopolítico, comercial e econômico da Eurásia.

Estou falando Grego? Não é culpa sua, pois a imprensa americana não deu nenhuma notícia sobre esse tema que revolucionará o equilíbrio de forças na geopolítica e economia do mundo e, claro, também a nossa imprensa tupiniquim que só se ocupa de crime e corrupção, diariamente, há 12 anos, sem solução à vista!

Aqui você ficará sabendo tudo em primeira mão, o que está acontecendo agora, o que acontecerá mais tarde e como sua pacata vida será atingida por esses eventos, os mais importantes deste sáculo, ainda antes da World War III.

T.P.P

TPP significa, na sigla em inglês, Trans-Pacific Partnership, considerado pelo governo americano o maior acordo comercial da história, abrangendo cerca de 40% da economia global, avaliada em US$ 30 trilhões, fechado com 12 países banhados pelas águas do Pacífico.

Como um acordo desse tamanho e importância foi realizado sem que você tomasse conhecimento?  Simplesmente porque foi um acordo engendrado por burocratas dos vários países envolvidos em absoluto segredo. Esse projeto tem de receber aprovação dos governos dos 12 países envolvidos e deverá ser aprovado ou rejeitado pelo Congresso americano em sua totalidade, não se admitindo emendas.

Voltarei a este assunto logo mais, mas antes quero explicar a possível causa que lhe deu origem e por que, pessoalmente, acho que há grandes possibilidades de que não seja aprovado.

EURASIA

Os EUA detêm, de longe, o maior poderio naval em todo o mundo. Os instrumentos centrais desse poderio são os porta-aviões e a U.S. Navy possui 11 deles, o que significa mais que todo o resto do mundo, em conjunto. Não é só quantidade, a sofisticação tecnológica que esses equipamentos possuem está muito além da capacidade de qualquer competidor. Para colocar em operação apenas um desses brinquedinhos o custo atinge US$ 25 bilhões, isso mesmo que acabou de ler, bi, não mi!  Em resumo, os EUA não têm competidores a altura para lhes fazerem frente e disputarem o controle dos mares.Clipboard013

Como já tive ocasião de comentar, já não se fazem guerras como antigamente, com soldados uniformizados portando bandeiras e símbolos em campos de batalha. Atualmente, o inimigo é oculto, misturado com a multidão de civis e presentes em todas as partes. Essa parafernália caríssima de instrumentos de guerra está totalmente obsoleta porque não pode ser utilizada.

Muito em breve, esse poderio invencível nos mares não vai importar mais. Isso porque China, Rússia e outros países estão trabalhando num ambicioso plano. Eles pretendem tornar a hegemonia de domínio dos EUA nos mares em algo de menor importância. A China pretende ligar a Eurásia a uma rede de facilidades de transporte por terra. Suporte financeiro, político e de segurança provenientes de várias organizações já estão funcionando. Se forem bem-sucedidos, darão um extraordinário avanço na estratégia geopolítica que produzirá a maior mudança no balanço global de poder, desde a segunda guerra mundial.

Esta é, fora de dúvidas, uma aposta de alto risco, alcançar a integração da Eurásia que constitui o mais importante projeto para se observar nos próximos 10 anos.

A Rota da Seda foi por mais de um século o mais importante caminho por terra utilizado para o comércio internacional e escoamento das commodities. Com 6.440 Km de extensão ela passa por vários impérios e civilizações conectando China e Rússia com Europa. Este foi o caminho utilizado por Marco Polo em sua venturosa viagem ao Oriente e quando de seu retorno, trouxe suas primeiras impressões sobre o império da China até então desconhecido pelos europeus.

Agora a China está planejando dar nova vida à Silk Road, com moderno corredor transitável que inclui linhas férreas de alta velocidade, modernas rodovias que abrigarão condutos de fibra ótica, dutos para gás e petróleo, aeroportos e portos marítimos. A margem do Atlântico europeu será ligada, por terra, à do Pacífico chinês. Um trem saindo de Beijing alcançará Londres em apenas dois dias. Nessa época, estarei com 90 anos e espero estar presente e participar da viagem inaugural.

A nova Rota da Seda (New Silk Road) é o maior projeto de infraestrutura de todos os tempos. A China pretende redesenhar o mapa da economia mundial e, se completado, terá o potencial de ser a maior alteração no jogo geopolítico dos últimos séculos.

Unindo-se à Europa com rotas por terra e livres da dependência do transporte marítimo, o domínio dos EUA no controle de alto mar ficará minimizado e isso altera os fundamentos do poder global que é exatamente o que a China e Rússia aspiram.

O Pres. Xi Jinping anunciou a New Silk Road em 2013 juntamente com as regras do governo Chinês.

Clipboard012

Executaram um planejamento de longo prazo e tomaram a decisão estratégica de levar adiante o projeto dessa magnitude.  O governo está totalmente comprometido, ele possui a habilidade política, os recursos financeiros, tecnológicos e disponibilidade de recursos físicos e humanos para levar o projeto adiante.

Tanto assim, que apesar do plano estar ainda em seus estágios iniciais, algumas etapas importantes já entraram em Clipboard01operação. Em novembro último, o primeiro trem transportando produtos em containers partiu de Yiwu, na costa oriental do Pacífico, e chegou em Madri, 21 dias após. Esse foi o primeiro e histórico despacho, através da Eurásia na rota Yiwu—Moscou—Madri. Esse é o maior caminho sobre trilhos em todo o mundo. Tudo na China é assim, o maior do mundo, com apenas um rival, Itu, no interior de São Paulo.

Aí está o trabalho de inteligência a que me propus. Estabelecer a ligação entre fatos esparsos e desconexos e dar-lhes um sentido estratégico e unificado de forma a descobrir as verdadeiras intenções por trás dos anúncios oficiais e intuir como nossa vida está sendo jogada como peças num tabuleiro de xadrez.

Agora podemos voltar ao TPP do início e tirar algumas conclusões.

Esse tratado negociado em segredo e às pressas, não me cheira bem.

É preciso avaliar bem as consequências, as variações nas taxas de câmbio e, especialmente, os fluxos de capitais para o exterior. Tenham em conta que o propósito pode não ser o livre comercio, em si, mas criar obstáculos à crescente influência da China na região do Pacífico. Estratégias com objetivos oblíquos, quase nunca dão certo.

Quase sempre, os tratados de livre comercio têm se tornado o oposto de livre — eles restringem a liberdade do país de tomar suas próprias decisões o qual, por consequência, acaba exportando sua soberania.

Deixe-me acrescentar um dado estarrecedor sobre o débito dos EUA.

Foram necessários 216 anos para alcançar o montante de USD$ 8,5 trilhões em débitos… e apenas 8 anos do mandato Obama para dobrar esse valor. Isso coloca os EUA numa situação de grande vulnerabilidade, com o FED, o banco central, tecnicamente falido com relação dívida/capital de 80. A crise de 2008 explodiu com a quebra do Lehman Brothers, porque a mesma relação havia atingido 30!

Se o TTP for aprovado pelo Congresso, é possível que vejamos várias placas: “Out of Business”; “Closed Forever”;  “Broken”.

Vamos torcer para que eu esteja errado. Às vezes, acontece.

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  One Response to “EURASIA & TPP”

  1. […] 5-Trump quer reverter a geopolítica expansionista da China no mar meridional, que disputa como seu território e onde vem construindo ilhas artificiais como descrevi no relatório “Eurásia & TPP”. […]

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