CYBERWAR

Lembra-se de quando a Sony anunciou o lançamento da comédia ‘The Interview” nas vésperas do Natal passado?  Nessa película, dois personagens da TV americana seriam enviados à Coreia do Norte para assassinar o ditador Kim Jong Un. Enquanto os americanos se divertiam com a engraçada ideia, a Coreia do Norte considerou o comentário uma declaração de guerra e um verdadeiro patrocínio ao terrorismo.

Dias depois, hackers, não se sabe de onde, invadiram e derrubaram os sistemas da Sony e destruíram grande quantidade de dados de seus arquivos e os vírus introduzidos destruíram os discos rígidos dos computadores da empresa.

Nas legislações vigentes, como afrontar um cyber ataque? Quem são os autores? De onde procede? Quais provas? Tudo obsoleto!

Quando os EUA recebem um ataque convencional, lançam seus foguetes ou fazem um ataque aéreo cirúrgico. Como fazer frente ao terrorismo, onde uma criança é explodida remotamente num metrô, numa igreja ou num cinema?

No caso da Sony, o qual já deve ter sido esquecido pela maioria das pessoas, cada vez mais insensíveis a escândalos, crimes e atos terroristas, inúmeras cadeias de cinema recusaram a projetar o citado filme com receio de atos revanchistas dos adeptos do terror e a Sony teve de cancelar o lançamento do filme “The Interview”.

Não houve mortes nem feridos e ninguém foi preso. Caso encerrado!

A guerra convencional acabou. Entrou em cena a Cyberwar.

Tenho um interesse muito especial sobre o assunto relacionado às guerras, como meus leitores já devem ter notado. Talvez porque acho a guerra incompreensível e isso me atrai na esperança de encontrar uma razão plausível para se gastar tantos trilhões destinados à morte e destruição.

Sobre esse tema li, recentemente, um livro muito completo e instrutivo “Cybersecurity and Cyberwar”, de Peter Singer e Allan Friedman.

O livro trata com propriedade da vulnerabilidade da organização do mundo atual baseado em dois fenômenos recentes: a globalização e a digitalização.

Exemplificando, em recente ataque à grade energética da Califórnia, que ficou mais de 4 horas em total apagão, ‘The Wall Street Journal’ publicou a reportagem “US, Risks National Blackout From Small Scale Attack”.

A grade energética dos EUA é muito antiga, tem cerca de 100 anos e as mais recentes são da década de 60 e 70. A vulnerabilidade dessa grade foi demonstrada experimentalmente por hackers, como revela o artigo, e está sendo considerada a viabilidade de um ataque total, capaz de apagar o Tio Sam.  Já imaginou o sistema bancário paralisado, Bolsas de Valores fechadas, caixas eletrônicos inoperantes, hospitais sem aparelhos e pacientes mortos nas UTIs, metrôs, trens e aviões trafegando sem comunicação com a terra e com seus computadores sem ação e nós, aqui em baixo, sem telefone, sem internet e sem TV? É o caos, o retrato do inferno.

O quadro abaixo indica a frequência de interrupção da energia elétrica nos países adiantados:Screenshot_2015-07-31-22-40-55-1

É verdade que os EUA permanecem dominantes nas áreas de inovação, tecnologia de ponta, militar, política, econômica e científica, mas sua hegemonia global já parece estar fenecendo.

A supremacia geopolítica global que a América conservou desde a II Guerra Mundial e mais fortalecida desde o colapso da União Soviética, a conduziu a tornar-se a única detentora de um superpoder mundial, mas essa situação está visivelmente mudando de forma continua e aparentemente irreversível.

Depois de se desgastar em várias intervenções de invencíveis guerras contra oponentes consideravelmente mais fracos, os EUA foram forçados a se recolherem, deixando um vácuo de poder que tem produzido crises regionais como as do Oriente Médio, Ucrânia e nos mares do Sul e Este da China, o que tem contribuído para maior instabilidade e desordem nessas regiões.

Com o advento da Cyberwar, o jogo de forças se desequilibrou ao mesmo tempo em que a TI, a tecnologia da informação, se tornou viável e acessível à gregos e troianos.

O Pentágono está reciclando o foco de seus investimentos militares direcionando-os para equipamentos não tripuláveis—os drones—tanto nos espaços aéreo como submarino, na robótica, nos softwares para espionagem e defesa contra os ataques cibernéticos e terroristas, criando enormes perspectivas de lucrativos investimentos em novas e atuais empresas vinculadas a essas tecnologias.

A situação que descrevi acima não é resultado de uma elucubração mental nem de uma fantasia de escritor, mas resultado de pesquisas sobre o que está acontecendo e que ninguém toma conhecimento pela mídia.

A situação está tão crítica que vários e respeitáveis conselheiros financeiros de grandes organizações estão recomendando aos seus clientes nos EUA, sacarem recursos dos bancos e os manterem em casa de forma a cobrir os gastos necessários por um bom tempo. O mesmo recomendo aos meus leitores, pois o Brasil, que vive uma crise econômica e política sem precedentes, está na iminência de perder o grau de investimento e, se ocorrer, o dólar vai às nuvens e os bancos ficarão sem caixa para fazer frente aos resgastes.  Quem avisa, amigo é.

 

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