Crash do Yuan?

A midia especializada só fala disso.  Alguns jornalistas repetem o que ouvem e não se dão ao trabalho de pesquisa e, desse modo, informam mal e frequentemente da maneira errada.  Não houve crash nenhum e mostrarei em seguida os fatos em sua real perspectiva.

Iniciemos observando o gráfico abaixo que mostra o tamanho da desvalorização de moedas de economias desenvolvidas, como a Europa e China e de paises emergentes como Australia e Brasil, em relação ao dolar.   O real caiu 40% em um ano, isto sim é crash, o euro e o dolar australiano desvalorizaram pouco mais de 20 %, o que é uma queda importante, mas o Yuan desvalorizou apenas 3% e, assim mesmo, porque o governo quis. Embora não faça parte do governo chinês, acredito que deverá ocorrer mais alguma queda, digamos até 10 %.  Por quê?

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Antes de responder a pergunda que eu mesmo fiz, deixe-me esclarecer alguns conceitos importantes que facilitarão a compreensão dos ainda não iniciados.  Os que têm acompanhado meus artigos, especialmente ‘A Guerra das Moedas’, sabem que em outubro próximo o Yuan deverá integrar a SDR, a moeda mundial de reserva do FMI.  A cotação da SDR é calculada pela média ponderada das cotações das moedas integrantes  e repectivas participações.

Trata-se de uma moeda referência de uso global a qual estão atreladas as moedas componentes. Naturalmente não é uma moeda que você poderá ter no bolso e  com ela pagar uma viagem à Washington, mas é exclusiva para uso de paises para cotarem suas reservas e pagarem ou receberem o resultado de suas transações internacionais. Por ora, o FMI utiliza o King Dollar como reserva dominante o qual exerce o papel que seria reservado à SDR. Vários analistas bem informados acreditam que essa situação vai mudar nos próximos anos, quando o Yuan tornar-se uma reserva muito significativa competindo em participação com o dolar na cotação da SDR.

Então todas as transações comerciais serão cotadas em SDR e os balanços das corporações internacionais serão publicados em SDR, igualmente.

Para ingresso do Yuan na SDR, como moeda reserva, o FMI vai exigir duas coisas básicas, entre outras:

A – que a cotação do Yuan não sofra intervenções unilaterais do governo.

B – que o Yuan fique fixado ao dolar de forma que a cotação de ambos oscilem igualmente durante um determinado tempo, para não criar alterações drásticas no mercado financeiro.

Daí você já deve ter concluido que interessa ao governo chinês provocar agora uma desvalorização da moeda, porque depois de integrar a SDR não poderá mais fazê-lo. Esta foi uma resposta parcial à questão proposta. O outro motivo é que a desvalorização se tornou necessária porque, como mostra o gráfico, o yuan ficou muito valorizado em relação aos seus principais parceiros comerciais, prejudicando suas exportações e reduzindo sua competitividade.

Tenham em conta que está nas manchetes dos jornais que em setembro próximo o FED, o Banco Central Americano, aumentará a taxa de juros e isso terá graves consequências para os mercados em desenvolvimento, como o nosso.

Não se apavore, como expliquei no meu ensaio ‘Guerra das Moedas’, a Janet Yellen vai usar de seu bom senso e prorrogará esse aumento para 2016. Em consequência, Dow Jones subirá de forma cautelosa, assim como o nosso Bovespa, a espera dos acontecimentos de outubro negro.

Bons investimentos, se conseguir.

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