maio 222012
 

O presidente do JP Morgan declarou aos jornais: “Quase não há desculpa por isso (perdas de US$ 2 bilhões com negociações financeiras de alto risco). O banco foi descuidado e estúpido, estou com a cara no chão”.

Então Mr. Jamie Dimon, está utilizando a estratégia de outro presidente, também muito famoso, com a tática do “não sabia”, “nunca ouvi falar”, “fui traído”, “não existe”.

Sua assessora demissionária, a diretora de investimentos Ina Drew responsável pela área que causou os prejuízos, ganhou no ano passado a imoral quantia em salários e bônus de US$ 14 milhões. Também não sabia? Se não autorizou é porque não é o presidente de fato.

Acontece que a organização estava lucrando bastante com as manobras especulativas da Sra. Ina, enquanto ela enchia as burras com muita grana de bônus. Portanto, a direção sabia de tudo, estava feliz e aprovava tudo, sem se importar para os riscos reais que estava impondo aos incautos clientes. Estes, além da perda de rentabilidade no dinheiro aplicado, perderam valor patrimonial pela queda das ações do banco.

Quando um executivo começa a ganhar fortunas incomensuráveis, incompatíveis com o trabalho dispendido ele se considera um deus das finanças. Depois de possuir dinheiro suficiente para nunca mais precisar trabalhar, por que irá passar madrugadas em claro pesquisando mercados no oriente e fazendo cálculos estatísticos para assegurar mais segurança às recomendações que faz? Liga pelo celular e manda seus subordinados comprarem ou venderem a descoberto, sem maiores cuidados. Daí se algo dá errado é prejuízo na certa.

Aqui no Brasil essa moda dos bônus pegou também, americanófilos que somos. Recentes desastres dessa natureza ocorreram no Banco Panamericano e na Sadia que de compradora da Perdigão virou comprada, para citar os exemplos mais conhecidos. Muitos bancos brasileiros vêm pagando cifras enormes a executivos jovens porque eles não têm medo de correr riscos enormes.  Um funcionário de banco que ganha seis milhões em um semestre pode dizer: “Se eu fosse o FHC nem me moveria para ir até Washington para ganhar aquela merreca de US$ 1 milhão do prêmio Kluge, espécie de Nobel das áreas sociais”.

Os valores de nosso tempo desapareceram e o fim do mundo se aproxima aceleradamente.

Feliz Fim de Mundo

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