ago 302015
 

Na série de artigos da “A GUERRA DAS MOEDAS” tive a oportunidade de mencionar que a China pleiteia o ingresso na cesta de moedas do FMI, denominada SDR, e atualmente está preparada para atender a todas as exigências daquela instituição. Tal iniciativa não convém aos EUA que têm o voto de minerva e já o utilizaram há cinco anos atrás obstaculizando as pretensões da China. Em outubro próximo o FMI se reunirá em Lima, no Peru, para tomar

Dollar vs. Yuan - Torn hundred dollar bill with Mao from yuan

essa decisão, mas os EUA já informaram que o seu voto será negativo.  O FMI, que não tem como negar objetivamente essa justa pretensão da China, optou por prorrogar a data da decisão para setembro de 2016. A notícia caiu como uma bomba na China e o Ministro das Finanças minimizou a questão afirmando que o país não precisa se preocupar com o não ingresso do Yuan na cesta de moedas. A seguir explicarei o que há por trás disso.

A China está trabalhando para ser a maior economia do mundo, o que conseguirá em mais cinco anos, até 2020. Já é o país que detém o maior comercio internacional. Consciente de que iria enfrentar a férrea oposição dos EUA as suas justas pretensões, criou o Asian Infrastructure Investiment Bank – AIIB, o New Development Bank com a participação dos países integrantes do BRICS e o megaprojeto ONE BELT, ONE ROAD, iniciativa da construção da Silk Road Economic Belt que se estenderá através da Ásia Central e a marítima Silk Road ligando a China com o sudeste da Ásia, o Oceano Índico, o Oriente Médio e finalmente a Europa, lançando as fundações para incrementar o comércio entre a China, sul da Ásia e a emergente Ásia Central, além dos países acima citados.

Mais de 50 países, incluindo economias avançadas e com valores democráticos já aderiram ao AIIB, cujo propósito é emprestar Yuans para financiar projetos de infraestruturas, como pontes, silos, portos, aeroportos e estradas e cujos pagamentos também sejam feitos na mesma moeda. China promete que o novo banco será aberto e transparente. De fato, China tem designado bancos para clearing (compensação de transações financeiras) e negociado linhas de swap com vários países, não só da Ásia como na Europa e no hemisfério ocidental, totalizando já 30 swaps no total. (Swap é um contrato entre dois países que permite a troca de moedas em transações comerciais, como, p.ex., trocar dólar por Yuan).

Dessa forma, a China está dando passos independentes para dar ao Yuan o status de verdadeira moeda global o que poderá num futuro próximo rivalizar com o King Dólar.

A China, como já tive ocasião de mencionar em outros artigos correlatos, fechou contratos com os países da OPEP, Irã, Rússia, Brasil e outros da América Latina para negociarem com a China exclusivamente em Yuans e, em contrapartida, podem recorrer ao AIIB para se financiar em Yuans para suas obras de infraestruturas. Assim, a Arábia Saudita venderá seu petróleo à China não mais em dólares, mas em Yuans e, por outro lado, importará produtos chineses pagando nessa moeda. A Vale exportará minérios em Yuans, tomará empréstimos nessa moeda e o Brasil importará quase tudo em Yuans, também.

Nessa brincadeira, o King Dólar irá sendo destronado de sua posição proeminente como moeda dominante no comercio internacional, a liquidez de que hoje desfruta irá aos poucos se evaporando e a inflação começará a corroer a economia, já em depressão, causando a desvalorização do dólar. Será a hora de o FMI intervir e lançar definitivamente a nova moeda mundial, a SDR, e para que isso aconteça, o Yuan necessita estar lá.

  3 Responses to “CHINA LUTA POR MAIS ESPAÇO”

  1. […] vários acordos comerciais e financeiros com diferentes países, tal como expliquei no ensaio “China luta por mais espaço”. Assim está conseguindo transferir parte de suas reservas em dólares para criar outra reserva […]

  2. Hoje vejo pouca ou quase nenhuma preocupação dos mercados financeiros com o tema acima. Por que será? Falta de conhecimento sobre o assunto ou excesso de confiança de que o Yuan não fará parte da cesta de moedas, pelo menos no curto prazo? Parabéns pelo artigo. Muito instrutivo e com muitas revelações sobre estratégia. Item que vejo cada vez menos nos artigos dos jornais brasileiros e mundiais. Um abraço,

    • Você tem razão, Carlos. Por isso me propus a escrever sobre esse tema de grande relevância, mas para bem pouco leitores interessados. Aqui no Brasil, só depois de instalada a crise as pessoas despertam e continuam a esperar do papai governo a solução para seus problemas. Felizmente há alguns poucos como você. Obrigado pelo incentivo.
      Dagoberto

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