CHINA E SEU SECRETO PLANO ESTRATÉGICO

Eu aprendi táticas e estratégias com os chineses. Eles são especialistas nesse campo, embora nunca dizem que o são. Essa é a tática que usam. Táticas e estratégias foram muito úteis em minha carreira profissional. Talvez por isso, sou um pouco fascinado pela China e seu povo. Contudo, não tenho escrito sobre a China por razões de deleite, pelo contrário, estou preocupado e muito com meu próprio patrimônio e a segurança de minha família. Estou tornando pública minhas pesquisas para que você, meu fiel leitor, faça o mesmo, enquanto houver tempo. E o tempo está se estreitando.

Clipboard01Quero apresentar-lhe alguns indicadores para que tome ciência que os chineses não estão brincando e o que está prestes a acontecer terá o efeito de um verdadeiro tsunami no mundo das finanças e na organização financeira mundial. Ninguém fala do que aqui vou revelar em primeira mão. Tenho visto notícias esparsas pelos jornais falado e escrito, mas são notícias de 20 segundos que não permitem nenhuma reflexão e não tem relação entre elas.  Por isso, não são notícias, são manchetes sem sentido para a maioria e só os iniciados conseguem compreender o que está ou vai ocorrer. Este é o trabalho que me propus a fazer, juntar as peças do quebra-cabeças, um trabalho de inteligência.  Vamos aos indicadores:

  1. A China tem contribuído com mais de um terço do crescimento econômico global desde 2008, então, mesmo uma moderada escorregadela em seu crescimento tem o potencial de espalhar ondas de choque ao redor do mundo.
  2. A China detém o segundo lugar de pobreza no mundo, atrás da Índia que detém a liderança. O Banco Mundial afirmou que a redução da pobreza continua sendo um desafio fundamental para a China.
  3. A acelerada industrialização deu à China uma enorme e crescente influência no mercado de commodities. Ela contabiliza a metade da demanda global por minério de ferro, níquel, alumínio, cobre e, preste atenção, por ouro, prata e platina. Então, se o crescimento da China escorrega, os preços das commodities refletem isso e despencam, as ações das empresas de mineração caem expressivamente e grandes países exportadores como o Brasil e Austrália, a qual vende um terço de suas exportações para a China, sofrem as consequências e assim também seus habitantes. É uma situação peculiar em que a China importa riquezas e exporta pobreza.
  4. Com uma população ao redor de 1,3 bilhões de pessoas, China é o maior consumidor mundial de energia e, recentemente, superou os EE.UU como o maior importador de petróleo. A maioria de sua geração elétrica provém do carvão, daí a altíssima poluição nas grandes cidades, mas já se tornou a maior produtora de energia eólica e está crescendo enormemente na energia solar. Sua energia hidroelétrica provém da maior hidrelétrica do planeta a Three Gorges Dam, com capacidade de geração em Megawatts superior em 1,6 vezes a binacional Itaipu.
  5. De acordo com dados divulgados pela World Steel Association, China é o maior produtor de aço do mundo. Em 2014, sua produção superou a metade da produção mundial e metade dessa produção é destinada a consumo próprio, o que a torna a maior consumidora do mundo.

Algo estranho está ocorrendo com as reservas Chinesas nos EUA. Elas estão diminuindo na média de uns trinta bilhões, por mês. Já mencionei em artigos anteriores que a China possui reservas avaliadas em US$ 3,7 trilhões e títulos da dívida americana de US$ 1,3 trilhões. Assim, quando se ouve o povo dizer que a China quer prejudicar o dólar, na realidade não faz nenhum sentido. A China quer um dólar forte porque grande parte de suas riquezas são expressas nessa moeda.

Como você relaciona esse fato com o ponto de vista da Janet Hellen, a presidente do FED, que vem há um ano anunciando que vai aumentar a taxa de juros e em seguida adiando.  Na realidade ela quer inflação e nos EUA a inflação está abaixo do centro da meta que é de 2%.  Isso não é segredo, ela falou claramente para quem quisesse ouvir. Ela não explicou porque quer subir a taxa de juros. Ouvi de alguns jornalistas apressados dizer que o aumento da taxa de juros provocará inflação, mas tenha em conta que o nosso Banco Central está subindo os juros a taxas altíssimas para conter a inflação. Quem está errado? Não a Hellen, naturalmente. Essa é uma questão que explicarei após esclarecer alguns pontos importantes que você necessita saber para compreender o que há por trás dessa confusão de ideias. A China, entretanto, deve estar com receio de que a inflação nos EUA prejudique o seu patrimônio e está tomando providências para defende-lo.

Qual é a do dólar? Observe os gráficos de todas as outras moedas: dólar canadense, dólar australiano, yen do Japão, euro da Europa, real do Brasil, todas em queda e o dólar americano, subindo. Se todas as moedas estão referidas ao dólar, quando este sobe, as outras necessariamente caem. Como vivemos num mundo reinado pelo King Dollar, se este se torna mais forte a cada dia, todos os produtos e bens que compramos em dólares estão mais baratos. Isso é o que significa deflação. Preços de mercadorias em queda, preços de combustíveis em queda e a deflação é um mau sinal, porque as pessoas deixam de consumir, adiam compras mais valiosas, como uma geladeira, ar condicionado ou adiam a troca do carro, na suposição de que os preços baixarão ainda mais. Nesse ambiente, a recessão vai se aprofundando. Então Hellen está certa ao querer provocar inflação, porque os preços em alta fazem as pessoas apressarem as compras para não pagarem mais e a economia se ativa.

E a taxa de juros?  Eu já havia previsto que o FED não aumentaria as taxas de juros neste ano, porque isso provocaria ainda maior recessão. Não é exatamente o que está ocorrendo no Brasil?

Essa política do dólar forte está muito prestes a acabar, porque o dólar forte está matando a economia do país e não é sustentável.

Somente após o dólar despencar, o que ocorrerá muito brevemente, as taxas de juros poderão ser aumentadas e ambos eventos suponho que ocorrerão em 2016.

Aí entra o protagonismo da China com um segredo guardado a sete chaves, mas que poderei adiantar para vocês os seus contornos e possibilidades, na próxima semana.

O FMI, em conjunto com outras instituições, vem trabalhando num plano para evitar o pior e já escrevendo as novas regras de uma nova ordem financeira internacional, nos moldes da Bretton Woods.  E o projeto inclui o lançamento de uma nova moeda internacional que vai desbancar o King Dollar de seu trono onde reina desde 1970. As consequências para quem não estiver preparado poderão ser devastadoras.

Você se lembra de quando a Inglaterra perdeu para os EUA a posição de moeda dominante de reserva, em Bretton Woods? Eu descrevi como a inflação se acelerou nos anos seguintes. É exatamente o que está para acontecer, novamente, mas nos EUA.

Me aguardem.

1 thought on “CHINA E SEU SECRETO PLANO ESTRATÉGICO

Deixe você também seu comentário: