CHINA E SEU PLANO ESTRATÉGICO – II

O Problema

O sistema financeiro Internacional está vivendo um problema sério: a manipulação do dinheiro. Os países estão todos endividados e para fazerem frente a essa crescente dívida recorrem a vários artifícios, como a impressão de moeda de vento, não respaldada por produção efetiva ou criação real de riqueza, mascaram os balanços fiscais, com pedaladas e contabilidade criativa, situação que não é exclusiva do nosso país, manipulam artificialmente a taxa de juros, interferem no mercado fixando preços e produzindo inflação para reduzir a dívida do modo mais injusto, que é o da socialização da dívida pela queda dos rendimentos e aumento de preços e impostos.
Os EUA não têm inflação, atualmente, embora sua impressora de dólares trabalhe dia e noite, sem interrupção. Já dediquei um capítulo da “Guerra das Moedas” explicando detalhadamente a razão desta aparente anomalia e porque esse país é diferente de todos os demais. Se ainda não teve acesso a esse importante ensaio aconselho-o que reserve um tempo para lê-lo para melhorar sua compreensão sobre o que vamos enfrentar daqui para a frente e como se defender. (Clique aqui)

Você já sabe que a presidente do FED quer fazer a inflação subir e as razões são justificáveis, porque o FED está literalmente quebrado (não sou eu que afirmo, são as próprias autoridades americanas) e a dívida do país é impagável. Para ter uma ideia, o FED tem uma relação dívida/patrimônio líquido de 80:1. Suponha que você tenha uma renda de R$ 40.000,00/ano e nenhuma reserva. Clipboard01Daí sua mulher se encanta por uma casa com lareira, piscina, salão de jogos e 5 suítes e você resolve comprá-la para pagar em um ano. Por causa da crise, ela está por um preço atraente de apenas R$ 3. 200.000,00. Eu diria que você entrará em default, não vai conseguir pagar. Essa é a exata situação do FED. Só que o FED, até agora, consegue honrar suas dívidas imprimindo moeda, o que você não pode fazer. Quando ele imprime moeda a dívida cresce mais e mais até o dia da socialização da dívida. Aí é que nós entramos e somos lembrados com carinho por eles, com novas promessas de róseo futuro! Pois bem, o que tenho a informar de fontes absolutamente seguras, é que esse dia está prestes, muito próximo de acontecer.

Consequências

A China, como expliquei na primeira parte, quer um dólar forte, porque ela tem muitos dólares em reserva e títulos de dívida americana. O maior temor da China é que o FED consiga realizar seu propósito inflacionário. Em consequência, a China está tratando de defender seu patrimônio estabelecendo vários acordos comerciais e financeiros com diferentes países, tal como expliquei no ensaio “China luta por mais espaço”. Assim está conseguindo transferir parte de suas reservas em dólares para criar outra reserva internacional em Yuans. Como fará isso? Pagando suas importações em dólares e recebendo suas exportações em Yuans. Para organizar isso teve a iniciativa de efetuar múltiplos acordos de swaps e clearings com vários países do ocidente. Em última instancia, a China está por conta própria organizando um novo sistema monetário em paralelo ao atual existente. Contudo, enfrentar os EUA não é uma tarefa fácil e a China por ser um país não democrático inspira muita desconfiança. Uma das lições de estratégias que aprendi com os chineses é a seguinte: “Conheça as fortalezas e fraquezas de seu inimigo e conheça as suas próprias. Mostre que é forte onde se reconhece fraco e fraco onde sabe que é forte. Então vencerá 100 batalhas”. Daí, para entender os chineses é preciso não prestar atenção ao que dizem e sim ao que fazem.
Então vejamos o que os chineses estão fazendo: em julho, passado, as reservas caíram US$ 42,5 bilhões. Todos os meses as reservas têm caído. Nos últimos 12 meses, as reservas foram reduzidas em US$ 343 bilhões, volume que corresponde a totalidade das reservas brasileiras. Isso confirma o que acabei de informar acima. Ainda assim, a China mantém a maior reserva em moeda estrangeira do mundo.

Outra atividade que os chineses vêm fazendo, sem alarde é estocar ouro em grandes quantidades. Aproveitam que o ouro está barato, ops!, o dólar é que está caro. Com o dólar subindo sempre, a China vai ficando mais rica em suas reservas e comprando ouro barato faz um hedge em relação ao dólar. Se o dólar perder valor com a inflação, o que a China crê que acontecerá nos próximos anos, o ouro subirá de preço porque tem valor intrínseco. Esta é uma jogada não para ganhar dinheiro, mas para proteger o patrimônio.

Muitos acham que o papel moeda não é escorado por nada, mas é. É escorado pela confiança que o povo tem nele como poder de compra. De onde vem essa confiança? Do país, se está crescendo, oferecendo empregos, cuidando da infraestrutura, educando bem os jovens, cuidando da saúde da população, oferecendo segurança jurídica aos contratos e segurança policial eficiente, abolindo a impunidade. Então o povo não se importa de pagar impostos razoáveis porque vê, claramente, como o governo os emprega bem e sem gastos excessivos.

Já num ambiente de inflação alta, desordem administrativa e fiscal, falta de seriedade do governo que mente para a população, crise política, ingovernabilidade, desemprego crescente, insegurança física e jurídica, saúde ao Deus dará e educação medíocre, o povo perde a confiança na sua moeda, porque não sente estabilidade, não vê resultados, porque perdeu a esperança e prefere gastar o dinheiro que tem ao invés de aplicá-lo, porque se as Agências de Risco consideram os títulos do governo como lixo, porque haveria o povo de comprar esses títulos através de Fundos de Investimentos ou Poupança? Este é apenas um exemplo teórico, caro leitor, mas acho que você nunca viu nada igual a semelhante descrição.

Sistema Monetário

Este sistema já sofreu colapso três vezes nos últimos 100 anos, em 1914, 1939 e 1971. Quando isso acontece, a maioria perde muito dinheiro, as vezes a totalidade de seus bens, enquanto alguns poucos, os bem informados, ampliam seu patrimônio várias vezes. A vida continua, bem ou mal, mas o certo é que novas regras do jogo são reescritas. Agora mesmo, os centros internacionais de comercio estão se reunindo regularmente e reescrevendo, quietamente, as novas regras do sistema.

Os mais bem informados e conectados global financial insiders recentemente advertiram que os mercados estão muito próximos de uma catástrofe. Muitas dessas elites globais estão já agora tomando providências para se preparar para o pior. Estão essas elites tratando de dizer algo a você? Certamente não estão, mas todas as reportagens e press releases são escritas em elevada linguagem técnica e são lidas por relativamente pequeno número de preparados analistas.

Algumas dessas publicações são pinçadas pela imprensa, mas de forma isolada e fora do contexto o que chama a atenção apenas dos especialistas. Eu mesmo tenho percebido que as minhas publicações, que são propositadamente limpas de economês e apresentadas de maneira leve e didática para fácil compreensão do leitor, muitas vezes são desprezadas como “assunto que não me interessa” ou “lá vem o chino novamente”, reproduzindo a postura da avestruz. Então a informação fica circunscrita a um reduzido grupo de qualificados leitores.

Devemos ter em conta que o livre comércio deve ser baseado em valor genuíno em vez de ilusão monetária. O capital antes fluía para onde havia oportunidades de investimento produtivo e não para a especulação financeira. Desde quando o presidente Nixon aboliu o padrão ouro, tal como havia sido implantado em Bretton Woods, e o substituiu pelos petrodólares, a manipulação monetária se estabeleceu e produziu o caos no qual vivemos hoje.

Desde que os bancos centrais ao redor do mundo inundam suas economias com crédito subsidiado, o dinheiro se tornou desconectado da economia real. Tais situações irracionais permitem aos burocratas de um governo de intervir diretamente nos mercados estrangeiros ao alterar o valor da moeda nacional em relação as outras moedas. Considere o fato de que o FED, o maior e mais poderoso banco central do mundo, a sua presidente ameaça estabelecer a futura direção das taxas de juros de seu país, consciente de que tal alteração vai causar perturbações em cadeia nas demais moedas e mercados financeiros internacionais com resultados devastadores nos planos de negócios e de manufaturas das companhias, causando desemprego, inflação, perdas de esperanças e enriquecendo especuladores. Quanto tempo mais teremos de conviver com essa desordem monetária, com crises seguidas que estão a minar a lógica dos mercados competitivos e a noção correta do livre comercio.

É inconcebível, quando trabalhadores competentes dão o melhor de si para produzir produtos de alta qualidade aos seus consumidores finais e constatarem que seus preços ficaram fora do mercado e sem competitividade, quando a taxa de cambio de seu país é abruptamente alterada pela intervenção do governo ou pelo último pronunciamento do banco central.

No próximo capítulo revelarei outro grande segredo que a China vem preparando há mais de dez anos e que pouquíssima gente sabe. Com base nas informações de que disponho e do conhecimento sobre os propósitos da China em relação a essa guerra das moedas que está travando, desenvolvi uma teoria sobre as reais intenções daquele país e consegui reunir vários dados que comprovam, sem sombra de dúvida, qual o segredo que a China não quer revelar. Apresentarei esses dados e minhas observações e você leitor terá a oportunidade de tirar suas próprias conclusões se estou certo ou não. Se estiver certo, toma sentido a grande catástrofe a que me referi acima. Então tenha paciência e me aguarde.

 

CHINA E SEU PLANO ESTRATÉGICO – primeira parte aqui

4 thoughts on “CHINA E SEU PLANO ESTRATÉGICO – II

  1. Caro Dagoberto, agradeço aqui seu compartilhamento de idéias e informações. Compartilhei via facebook pois acho que estas informações são fundamentais para o entendimento do Brasil e do mundo no que tange a economia e que realmente a “grande mídia” se omite ou ignora. Pela clareza do texto, parabéns!

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