jul 042016
 

Sobre a saída do Reino Unido (UK) da União Europeia (EU) já se falou e se escreveu muito, mas sobre os desdobramentos futuros quase nada foi comentado.

Lá de Portugal, escrevi sobre os motivos que me levaram a crer que o voto pela saída (Leave) prevaleceria sobre o ficar (Remain). Previ que os mercados acionários sofreriam um mini crash e que a libra esterlina teria uma maxidesvalorização.

A maioria das pesquisas indicavam o contrário e inclusive o Pres. Obama, com a disponibilidade de todas as ‘escutas telefônicas’, errou feio.

Mais uma vez minhas previsões foram acertadas, a libra teve num só dia a maior desvalorização de sua história, os mercados despencaram mais que em 2008.

O primeiro ministro David Cameron do Reino Unido foi o mentor da consulta popular para decidir, pelo voto, se o Reino Unido ficaria com a União Europeia ou dela se desligaria. Sua intenção política, de alto risco no meu entender, era reforçar sua posição a favor da permanência e, com a vontade popular expressa no referendum de sua autoria, neutralizar a oposição de direita e os movimentos trabalhistas de extrema esquerda as quais são favoráveis ao desligamento.

Os resultados foram apertados: pela saída (Leave) votaram 51,9%, especialmente a Inglaterra, com exceção de Londres que apoiou o ficar (Remain) juntamente com Irlanda do Norte e Escócia, somando 48,1%.

Se o primeiro ministro estivesse atento ao que se passava em outras regiões do Reino, jamais teria arriscado o pescoço e seu futuro político. A consequência imediata foi a renúncia de Cameron e o prazo, até setembro, para a escolha do novo ministro.

Existe um descontentamento bastante difundido sobre a União Europeia entre os países membros. Basta observar os outdoors nas ruas e conversar com as pessoas. Queixam-se do intervencionismo de estado, dos custos exagerados em Bruxelas, endividamento crescente dos países membros, das fracas decisões sobre o cumprimento das regras estabelecidas e das elevadas contribuições dos países membros, com retornos bem mais reduzidos em benefícios. A causa principal, quase nunca expressa claramente por simples hipocrisia, é a invasão descontrolada dos imigrantes que estão invadindo a Europa, com outras línguas, costumes, cultura e educação. O movimento separatista pretende reconquistar o controle das fronteiras e ter de volta a decisão sobre seus países.

A tendência é tão forte e evidente que o BREXIT, que abriu as portas a essa possibilidade de separação, acendeu os ânimos dos separatistas e vários países já estão propondo novos referendos para se desligar da União Europeia, um tanto irresponsavelmente, sem medir as consequências. Países como Itália, Suécia, França, Eslováquia e Áustria já manifestaram essa posição pró-separatista.

Em consequência, Bruxelas está forçando o ministro Cameron a decidir com urgência a separação, ou divórcio como preferem denominar a situação, para evitar a proliferação da tendência separatista que colocaria em perigo a própria sobrevivência da União Europeia. Juntamente com a pressão exercida, vêm anunciando, de forma autoritária, que não haverá retorno e nem facilidades para o Reino Unido em relação ao comércio e as operações financeiras em futuras relações bilaterais com a União Europeia.

É mais do que evidente que essa atitude é um recado dirigido aos outros países membros, de que a saída poderá custar caro e ser definitiva.

Por outro lado, o primeiro ministro Cameron já anunciou que a formalização do ‘divórcio’ ficará por conta do novo ministro a ser indicado e que, em nome do povo britânico, fará a vontade deste prevalecer. Trocando em miúdos, significa que o processo poderá durar um ou dois anos, tal como está durando o processo do impeachment no Brasil, ainda com elevados riscos no horizonte.

Em outra esfera está a Chanceler da Alemanha em conjunto com o presidente francês François Hollande, ambos empenhados em iniciar as reformas necessárias na União Europeia para acalmar as atuais tensões. Provavelmente esta é a crise perfeita para se conseguir os acordos políticos necessários para viabilizar a introdução do que já deveria ter sido feito lá atrás, no início do processo, ou seja, a formação de um governo federativo com os poderes executivo, legislativo e judicial em Bruxelas passando os países membros a categoria de estados federativos. Se vai emplacar, minha bola de cristal não tem respostas, por ora.

Possivelmente, com o passar do tempo, a flexibilização tomará conta do processo e a União Europeia fará novas concessões ao Reino Unido.

Não consigo imaginar os europeus sem o whisky Johnnie Walker e sem as operações financeiras da Citi londrina. Ademais, a situação de isolar a Grã-Bretanha cai como uma luva para os chineses que necessitam de um parceiro experiente nas finanças internacionais para permitir o desenvolvimento de seu plano secreto, o já iniciado sistema financeiro internacional paralelo ao existente no ocidente e lastreado em ouro. Acredito que o presidente da China, Xi Jinping, esteja planejando uma visita oficial ao Reino Unido para negociar acordos comerciais e financeiros.

Gostaria a União Europeia, com sua soberba atual, querer que a Grã-Bretanha seja atraída para os braços da China? Para que isso não aconteça ela terá de tratar melhor a Grã-Bretanha deixando suas intransigências de lado. Ademais, os dirigentes da União Europeia deveriam refletir por que milhões de cidadãos se declaram céticos em relação à União e manifestam inconformismo com a atual situação.

É exatamente isso com que conta o primeiro ministro ao deixar correr o tempo antes de ultimar o processo de divórcio.

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