Dagoberto

abr 032018
 

O índice está percorrendo a onda primária V.

Já completou a onda w5 pertencente a onda intermediara (1) que foi completada na mesma cota 2.870,62. Essa cota empatou com minha previsão calculada em 2.870,05.

Como seria previsto, ocorreu o inicio da onda corretiva (2), de grau intermediário que desenhará um ou dois tríplices e terá como suportes as cotas:2.351; 2.029; 1.509.

Nenhuma dessas cotas foi alcançada, ainda, mas o índice está se desvalorizando e encontrará uma resistência provável entre as duas primeiras linhas. Não plotei a terceira linha de sustentação porque, até o momento, a probabilidade de ser alcançada é inferior a 5%, mas é uma probabilidade.

abr 032018
 

Vale completou a onda w5 e, também, a onda intermediaria (1) que, por sua vez pertence à onda primária V, em curso. A cota máxima atingida foi 47,60 e a previsão era o intervalo 47 – 48.

Está agora desenvolvendo a onda corretiva (2) que alcançará os suportes nas cotas 38,34 ou 32,61.

Nesse nível oferecerá oportunidade de investimento, pois os indicadores e osciladores indicam firmeza da ação.

abr 032018
 

Em relação a minha análise de 07 de fevereiro último, não há nada que possa ser acrescentado, apenas o gráfico, atualizado na data de 02 de abril, mostra que o previsto está em vias de se realizar. Observe que a primeira linha de sustentação está bem abaixo.

Em minha última análise previ que o Dow Jones alcançaria o topo em meados de novembro/2017, tendo como alvo as cotas: 23.666; 25.586, sendo a segunda de maior probabilidade, com mais de 50% e a última com apenas 12,5%.

Previ que o pico ocorreria em meados de novembro de 2017, o que de fato ocorreu com a cota 23.666 de maior probabilidade. Contudo, o índice seguiu adiante superando também a terceira cota numa ascensão espetacular digna de uma típica euforia de bolha. Excedeu minha previsão de prazo em dois meses em apenas 4% da cota máxima calculada.

Completou a onda w5 que se alongou no dobro do percurso da onda w3.

Com a onda w5 foram completadas as ondas intermediaria (5) e a onda primária V todas de uma só vez, indicando o final da fase Bull. (mercado em alta).

Recalculando os novos suportes, não muito diferentes dos estabelecidos anteriormente, o Índice ingressará num período Bear Market que será prolongado e levará as cotações para os níveis 21.480; 18.301; 13.164, este último com uma probabilidade de apenas 10%. O mais provável é que o índice encontre um suporte firme entre os dois primeiros níveis.

Não se iludam com as informações da mídia de que a economia americana está no melhor dos mundos, com pleno emprego e crescimento acelerado, porque os movimentos da bolsa têm suas regras próprias e muito pouca correlação com a economia.

Bons negócios.

nov 182017
 

Novo livro do escritor Dagoberto Aranha Pacheco, O Ser Humano e seu Gradativo Desenvolvimento – Formato PDF, 30 páginas, distribuição gratuita.

“Nos idos da década de 70 tive a oportunidade de participar de um workshop ministrado por Eric Berne, o criador da Análise Transacional, em San Francisco, na Califórnia. Foi uma experiência fascinante e de volta ao Brasil dei início a um Curso de Relações Inter e Intrapessoais que teve muito sucesso e foram ministrados na Pontifícia Universidade Católica – PUC, na Fundação D. Aguirre, em Sorocaba e em cursos avulsos de fins-de-semana no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Agora, estou retomando esse mesmo tema e integrando-o, de forma totalmente original, com a análise transacional, com os ensinamentos das tradições orientais e as interpretações de Jung.

Dagoberto Pacheco.”

<<Clique aqui para baixar o livro>> Livro-o ser humano e seu gradativo desenvolvimento-dagoberto pacheco

jun 162016
 

Os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 estão todos abaixo dos topos alcançados, há mais de um ano. Há três grandes obstáculos que são responsáveis por esta situação:

1 – A EPIDEMIA DAS TAXAS NEGATIVAS.

Os bonds de 10 anos dos governos do Reino Unido, Alemanha, Suíça e Japão, todos eles alcançaram seus picos históricos nesta semana, o que significa que também tiveram seus yields no fundo do poço. Os bonds alemães tiveram seu yield negativo pela primeira vez na história. Isso deve significar algo, né não?

A única razão para investidores possuírem bonds com taxas negativas é o medo. Preferem perder algum dinheiro e manter o principal a salvo garantido pelo governo. Nesta importante semana, o mundo viu mais de US$ 10 trilhões de bonds governamentais com rendimentos abaixo de zero. Alguns investidores institucionais acham que poderão ganhar algum se as taxas baixarem ainda mais, como esperam, o que resultará na elevação dos preços dos títulos. Parece loucura, mas esta é a realidade dos mercados globais, neste momento.

2 – BREXIT

Dia 23 deste mês, os britânicos votam se permanecem ou não na União Europeia. Nos últimos cinco dias, as ações europeias caíram 7% e as ações de bancos caíram 10%. Se os britânicos saírem, a Europa perderá uma importante fonte de renda e terá reduzida sua capacidade para socorrer países como a Grécia, a Itália, de errática política fiscal, e outros países membros em dificuldades. Também abrirá um precedente para que outros países sigam o mesmo caminho.

3 – CHINA

Apesar de os bancos centrais dos países denominados ricos (?) estarem adotando políticas monetárias para relançar a economia global, em franca recessão, nada tem dado certo. A pobre Yellen do FED já não sabe mais o que fazer. A China, como tem sido noticiado pela mídia, estaria queimando suas reservas nos EUA, ao ritmo de 900 bilhões por ano, para (é o que dizem) salvar o Yuan de uma maxidesvalorização. Já mostrei, em vários artigos sobre a China, disponíveis eaqui no meu site, que a China vem fazendo pesados investimentos no exterior, comprando terras, empresas, bancos e minas de ouro. Também comprovei que vem produzindo e importando ouro em grandes quantidades sem exportar absolutamente nada. E mais, mostrei quais os acordos que a China tem feito com países da América Latina, África, Oriente Médio e países da Eurásia para implantar um sistema financeiro internacional independente dos EUA, ameaçando a hegemonia do King Dollar nas transações comerciais e financeira mundiais. Todas essas informações que trouxe gratuitamente para meus leitores, estão sendo ocultadas dos americanos e do mundo em geral, pois não é conveniente, como devem perceber. Essa é a única razão pela qual o FED necessita urgentemente de aumentar a taxa de juros para continuar atraindo capital estrangeiro.

De qualquer modo, em outubro próximo, a verdade cairá como um fruto podre e explodirá nos mercados.

Se quiser se salvar, procure ler esses relatórios aqui no meu site e concluir por si mesmo.

Fique esperto.

set 242015
 

Eu aprendi táticas e estratégias com os chineses. Eles são especialistas nesse campo, embora nunca dizem que o são. Essa é a tática que usam. Táticas e estratégias foram muito úteis em minha carreira profissional. Talvez por isso, sou um pouco fascinado pela China e seu povo. Contudo, não tenho escrito sobre a China por razões de deleite, pelo contrário, estou preocupado e muito com meu próprio patrimônio e a segurança de minha família. Estou tornando pública minhas pesquisas para que você, meu fiel leitor, faça o mesmo, enquanto houver tempo. E o tempo está se estreitando.

Clipboard01Quero apresentar-lhe alguns indicadores para que tome ciência que os chineses não estão brincando e o que está prestes a acontecer terá o efeito de um verdadeiro tsunami no mundo das finanças e na organização financeira mundial. Ninguém fala do que aqui vou revelar em primeira mão. Tenho visto notícias esparsas pelos jornais falado e escrito, mas são notícias de 20 segundos que não permitem nenhuma reflexão e não tem relação entre elas.  Por isso, não são notícias, são manchetes sem sentido para a maioria e só os iniciados conseguem compreender o que está ou vai ocorrer. Este é o trabalho que me propus a fazer, juntar as peças do quebra-cabeças, um trabalho de inteligência.  Vamos aos indicadores:

  1. A China tem contribuído com mais de um terço do crescimento econômico global desde 2008, então, mesmo uma moderada escorregadela em seu crescimento tem o potencial de espalhar ondas de choque ao redor do mundo.
  2. A China detém o segundo lugar de pobreza no mundo, atrás da Índia que detém a liderança. O Banco Mundial afirmou que a redução da pobreza continua sendo um desafio fundamental para a China.
  3. A acelerada industrialização deu à China uma enorme e crescente influência no mercado de commodities. Ela contabiliza a metade da demanda global por minério de ferro, níquel, alumínio, cobre e, preste atenção, por ouro, prata e platina. Então, se o crescimento da China escorrega, os preços das commodities refletem isso e despencam, as ações das empresas de mineração caem expressivamente e grandes países exportadores como o Brasil e Austrália, a qual vende um terço de suas exportações para a China, sofrem as consequências e assim também seus habitantes. É uma situação peculiar em que a China importa riquezas e exporta pobreza.
  4. Com uma população ao redor de 1,3 bilhões de pessoas, China é o maior consumidor mundial de energia e, recentemente, superou os EE.UU como o maior importador de petróleo. A maioria de sua geração elétrica provém do carvão, daí a altíssima poluição nas grandes cidades, mas já se tornou a maior produtora de energia eólica e está crescendo enormemente na energia solar. Sua energia hidroelétrica provém da maior hidrelétrica do planeta a Three Gorges Dam, com capacidade de geração em Megawatts superior em 1,6 vezes a binacional Itaipu.
  5. De acordo com dados divulgados pela World Steel Association, China é o maior produtor de aço do mundo. Em 2014, sua produção superou a metade da produção mundial e metade dessa produção é destinada a consumo próprio, o que a torna a maior consumidora do mundo.

Algo estranho está ocorrendo com as reservas Chinesas nos EUA. Elas estão diminuindo na média de uns trinta bilhões, por mês. Já mencionei em artigos anteriores que a China possui reservas avaliadas em US$ 3,7 trilhões e títulos da dívida americana de US$ 1,3 trilhões. Assim, quando se ouve o povo dizer que a China quer prejudicar o dólar, na realidade não faz nenhum sentido. A China quer um dólar forte porque grande parte de suas riquezas são expressas nessa moeda.

Como você relaciona esse fato com o ponto de vista da Janet Hellen, a presidente do FED, que vem há um ano anunciando que vai aumentar a taxa de juros e em seguida adiando.  Na realidade ela quer inflação e nos EUA a inflação está abaixo do centro da meta que é de 2%.  Isso não é segredo, ela falou claramente para quem quisesse ouvir. Ela não explicou porque quer subir a taxa de juros. Ouvi de alguns jornalistas apressados dizer que o aumento da taxa de juros provocará inflação, mas tenha em conta que o nosso Banco Central está subindo os juros a taxas altíssimas para conter a inflação. Quem está errado? Não a Hellen, naturalmente. Essa é uma questão que explicarei após esclarecer alguns pontos importantes que você necessita saber para compreender o que há por trás dessa confusão de ideias. A China, entretanto, deve estar com receio de que a inflação nos EUA prejudique o seu patrimônio e está tomando providências para defende-lo.

Qual é a do dólar? Observe os gráficos de todas as outras moedas: dólar canadense, dólar australiano, yen do Japão, euro da Europa, real do Brasil, todas em queda e o dólar americano, subindo. Se todas as moedas estão referidas ao dólar, quando este sobe, as outras necessariamente caem. Como vivemos num mundo reinado pelo King Dollar, se este se torna mais forte a cada dia, todos os produtos e bens que compramos em dólares estão mais baratos. Isso é o que significa deflação. Preços de mercadorias em queda, preços de combustíveis em queda e a deflação é um mau sinal, porque as pessoas deixam de consumir, adiam compras mais valiosas, como uma geladeira, ar condicionado ou adiam a troca do carro, na suposição de que os preços baixarão ainda mais. Nesse ambiente, a recessão vai se aprofundando. Então Hellen está certa ao querer provocar inflação, porque os preços em alta fazem as pessoas apressarem as compras para não pagarem mais e a economia se ativa.

E a taxa de juros?  Eu já havia previsto que o FED não aumentaria as taxas de juros neste ano, porque isso provocaria ainda maior recessão. Não é exatamente o que está ocorrendo no Brasil?

Essa política do dólar forte está muito prestes a acabar, porque o dólar forte está matando a economia do país e não é sustentável.

Somente após o dólar despencar, o que ocorrerá muito brevemente, as taxas de juros poderão ser aumentadas e ambos eventos suponho que ocorrerão em 2016.

Aí entra o protagonismo da China com um segredo guardado a sete chaves, mas que poderei adiantar para vocês os seus contornos e possibilidades, na próxima semana.

O FMI, em conjunto com outras instituições, vem trabalhando num plano para evitar o pior e já escrevendo as novas regras de uma nova ordem financeira internacional, nos moldes da Bretton Woods.  E o projeto inclui o lançamento de uma nova moeda internacional que vai desbancar o King Dollar de seu trono onde reina desde 1970. As consequências para quem não estiver preparado poderão ser devastadoras.

Você se lembra de quando a Inglaterra perdeu para os EUA a posição de moeda dominante de reserva, em Bretton Woods? Eu descrevi como a inflação se acelerou nos anos seguintes. É exatamente o que está para acontecer, novamente, mas nos EUA.

Me aguardem.

set 142015
 

O RISCO SOBERANO DO BRASIL

O que são essas agências.

Quando trabalhava em banco de investimento, chefiava um grupo de analistas os quais faziam a avaliação das condições da empresa que pleiteava financiamento para seus projetos de expansão ou implantação. Isso incluía o estudo de viabilidade técnico e econômico do projeto e, se este fosse pré-aprovado como viável, eu visitava pessoalmente a empresa, almoçava com os diretores e fazia uma avaliação pessoal da formação técnica dos Clipboard01empresários à frente da empresa, qual a cultura dominante, como eram tratados seus clientes e acionistas, que conhecimentos tinham de seus principais concorrentes e que providências estavam desenvolvendo para garantir que a empresa continuasse crescendo e ganhando mercado.

De certa forma é o que faz uma agência de rating, só que avaliam um país. A agência mantém analistas que acompanham as receitas e despesas, os projetos sociais, as fontes adequadas de receita para custeá-los e percebem quando há desvios de conduta, projetos errados, mal feitos e depois abandonados e quando os dados estatísticos do país estão sendo manipulados, mascarados e ocultados da população.

Um governo inteligente, preparado e com visão de estadista, aceita de bom grado o papel desempenhado por essas agências, porque elas espelham a realidade e a utiliza adequadamente seguindo suas orientações e sugestões para alcançar um equilíbrio fiscal adequado que não apresente surpresas como as que estamos enfrentando no presente momento com o rebaixamento do risco Brasil para grau especulativo, com a consequente perda do grau de investimento, avaliação dada pela agência Standard&Poor.

Causas:

  • Situação econômica do país nada favorável, com recessão se aprofundando, crescimento do PIB quase nulo e com a previsão de se tornar bastante negativo no ano corrente, com menos de 2,5% do PIB.
  • Baderna fiscal com gastos enormes do governo, sem planejamento e grandes desperdícios.

3 – Ao invés de apresentar uma correção de rota o então ministro Mântega, da economia, apresentava um país róseo no qual eu queria viver, mas não passava de enganação, com contabilidade criativa, pedaladas fiscais, utilização dos dividendos da Petrobras para cobrir rombos e por aí vai. Como nada disso passava desapercebido pelas agências de risco, houve pressão pela troca do ministro e foi nomeado o Joaquim Levy para substituí-lo.

4 – Como não foi uma escolha do PT, ele foi imposto e engolido pelo governo que, entretanto, não lhe oferece nenhum apoio para instrumentar as reformas necessárias.

5 – A declaração recente do ministro Levy pela televisão, propondo aumento de impostos em lugar da redução do tamanho do estado, demonstra essa falta de apoio. Ademais, sua mais recente declaração de que a sociedade deveria aceitar um aumento de impostos, porque imposto é investimento, foi a gota d’água e a certeza de que o ministro está viajando na maionese.

6 – O orçamento enviado para aprovação do Congresso com déficit de R$ 30,3 bilhões escancara de forma dramática a falta de compromisso do governo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

7 – A crise política se agravando, o comportamento errático e arrogante da presidente são indicadores de que não há esperanças de correção de rumo.

Consequências:

1 – A alta do dólar que já vem de alguns meses representa a precificação do mercado para o desenlace previsível.

2 – A queda acentuada da Bolsa ainda não ocorreu porque os preços das ações expressos em dólares estão uma verdadeira barganha. O capital estrangeiro ainda não tomou posição de sair porque não está obrigado a isso. Somente quando uma segunda agência confirmar o status de lixo de nosso crédito (junk bonds), aí sim, os Fundos de Previdência e outros Fundos de Investimento serão obrigados a venderem suas posições e saírem do mercado brasileiro.

3 – Se não o fizeram ainda é porque acreditam que o governo brasileiro, diante de uma situação de extremo perigo, vai tomar providências efetivas e resguardar os investimentos estrangeiros dos quais necessitam. Nós sabemos que isso não ocorrerá, pois, o nosso presidente que governa das sombras declarou em Buenos Aires que o rating das agências não significa nada. Se eu compreendi corretamente o que ele declarou, o governo baterá os ombros e nada fará.

4 – A agência Fitch, até o final deste mês baterá o martelo e rebaixará o Brasil para o nível especulativo.

5 – Com a consequente revoada de dólares para o exterior, o dólar subirá bastante, a bolsa despencará lá para o nível 40.000, a taxa de juros subirá para controlar a disparada da inflação, um cenário nada alentador.

6 – Várias empresas estatais, especialmente a Petrobrás terão seus riscos igualmente rebaixados, mas isso é bem compreensível. Contudo, bancos bem estruturados e administrados como Itaú, Bradesco e alguns outros privados terão seus créditos igualmente afetados, mas talvez não compreendidos pela população. Ocorre que os bancos são comerciantes de uma mercadoria ‘dinheiro’ e essa mercadoria está aplicada em títulos do governo, ou seja, em algo que virou lixo. Portanto, se os ativos do banco não merecem crédito o banco vai no embalo. Ademais, o banco depende da situação do cambio, das taxas de juros e da regulamentação do governo. Mesmo um banco bem administrado e com boa estrutura de capital poderá deixar de honrar seus saques, se o governo assim determinar ou o resgate de suas poupanças se o governo deixar de recomprar os títulos correspondentes. E o governo, sem poder se financiar no exterior, vai precisar de sua poupança para pagar os funcionários de um estado tão gigantesco quanto ineficiente e certamente vai chamar a isso de necessidade social.

Isso aconteceu na Argentina, na Grécia e em vários outros países e vai acontecer no Brasil.  Acorda Brasil!

set 052015
 

Muitos têm me perguntado se é hora de comprar Petrobrás. Respondo que não.  Outros têm a curiosidade de saber porque o petróleo ficou tão barato? Respondo que é uma longa história. Hoje resolvi conta-la.

Guerra do PetróleoJá mencionei sobre o perigo de default de trilhões de dólares no mercado de bonds, emitidos para financiar a exploração e desenvolvimento da energia extraída das rochas de xisto com a chamada tecnologia fracking.  Esses bonds foram emitidos na suposição de que o preço do petróleo permaneceria na faixa de $ 80 – $120, por barril. Com o óleo negociando atualmente na faixa de $40 – $60, 50% abaixo do preço estimado no projeto de exploração, é fácil de se prever que ao longo de 2016 muitos desses bonds deixarão de ser honrados.  A maioria das empresas de petróleo envolvidas nessa exploração nas rochas de xisto são muito endividadas e alavancadas. Como a produção foi mais exitosa do que se esperava, a extração de petróleo nos EUA aumentou de maneira extraordinária. Esse país passou de importador a exportador importante, afetando diretamente o Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita. Esta reuniu-se com os integrantes da OPEC que resolveram aumentar a produção, apesar da queda de preços ocasionada pelo excesso mundial de oferta do produto num mundo em recessão e com menor demanda. Por que tomaram essa decisão aparentemente irracional? Por duas razões: a primeira para não ceder mercados aos americanos e a segunda para aniquilar com a emergente indústria do petróleo de xisto. Estava declarada A Nova Guerra do Petróleo.

Em meados de 2014 haviam 1.600 plataformas de petróleo operadas por muitas empresas, a maioria se financiando através de dívida. Com a queda abrupta dos preços, muitas delas não tiveram condições de prosseguir e tiveram de vender seus equipamentos e instalações com grandes descontos, chegando estes a 90% do investimento inicial. As empresas bem estruturadas e operando com capital próprio tiveram a oportunidade única de ampliar e crescer com aquisições, aumentando enormemente a produção com reduzido capex, ou seja, com menor gasto de capital.

Enquanto os originais operadores tinham custos de $70 a $80 p.b., baseado em seus custos de capital, os capitalizados operadores puderam reduzir seus custos de exploração a $15 ou $20 p.b., devido à enorme redução de seus capex. Para terem uma ideia do que isso representou, em maio de 2015 haviam apenas 600 plataformas em operação, uma redução de 1.000, em relação a 2014, mas a produção continuou crescendo devido a maior eficiência e a novos métodos do qual me ocuparei em um minuto mais.

Esta situação é má notícia para a Arábia Saudita porque significa que os novos produtores poderão sobreviver lucrativamente no atual cenário de custos e preços.

O Irã, após ter as sanções que vinha sofrendo dos EUA e seus aliados suspensas pelo presidente Obama, entrou firme no mercado de petróleo para reorganizar sua economia, em frangalhos.

Com muita produção num ambiente recessivo, os compradores esperam mais para comprar porque creem que os preços continuarão a cair. Daí se pode esperar que os baixos preços de petróleo e gás continuarão assim por longo tempo podendo se estender por todo o próximo ano e boa parte de 2017.

Os preços baixos da energia se mantendo estáveis por longo período têm suas vantagens, pois tornam o custo do transporte mais barato, as passagens aéreas ficam mais atraentes incentivando o turismo, pois 40% do custo de operação de uma aeronave provém do consumo de combustível, fretes dos navios e caminhões ficam mais acessíveis barateando o produto final que chega ao consumidor. A inflação fica mais controlada, apesar da baderna fiscal e da impressora de papel moeda que opera dia e noite.  Esta é mais uma razão porque acho que o Federal Reserve não aumentará a taxa de juros neste ano de cenário recessivo, como vem anunciando e causando volatilidade nos mercados de títulos e valores.

A tecnologia da exploração de petróleo e gás das rochas de xisto tem avançado enormemente a ponto de os técnicos considerarem os procedimentos de alguns anos atrás como absolutamente arcaicos. Atualmente, o desenvolvimento da técnica recentemente introduzida com o uso do proppant, que são pequenas esferas, como pedregulhos naturais ou feitos de argila, as quais são injetadas com água sob altíssima pressão nas rochas de xisto, nos tais poços horizontais. A água rompe as rochas que são impermeáveis e as esferas penetram nas fendas e não permitem que as rochas se fechem novamente, retendo o gás e o óleo. Como resultado, a produção aumentou extraordinariamente porque as fendas permanecem abertas deixando fluir o óleo e o gás livremente, por muito mais tempo. Por isso, apesar da queda de 60% no número de plataformas em operação, a produção segue crescente e o custo do barril declinando para níveis que tornam economicamente viável a exploração, mesmo aos preços atuais.

Com essa guerra interminável um novo negócio está explodindo, o da fabricação de tanques para reserva e estocagem de petróleo. Alguns supernavios cargueiros já permanecem ancorados no mar, abastecidos de petróleo ou gás liquefeito, o denominado LNG, para entregar o produto onde seja solicitado, com rapidez.

Então, sempre em qualquer crise surgem oportunidades. Se muitos choram, outros lucram vendendo lenços.

ago 302015
 

Na série de artigos da “A GUERRA DAS MOEDAS” tive a oportunidade de mencionar que a China pleiteia o ingresso na cesta de moedas do FMI, denominada SDR, e atualmente está preparada para atender a todas as exigências daquela instituição. Tal iniciativa não convém aos EUA que têm o voto de minerva e já o utilizaram há cinco anos atrás obstaculizando as pretensões da China. Em outubro próximo o FMI se reunirá em Lima, no Peru, para tomar

Dollar vs. Yuan - Torn hundred dollar bill with Mao from yuan

essa decisão, mas os EUA já informaram que o seu voto será negativo.  O FMI, que não tem como negar objetivamente essa justa pretensão da China, optou por prorrogar a data da decisão para setembro de 2016. A notícia caiu como uma bomba na China e o Ministro das Finanças minimizou a questão afirmando que o país não precisa se preocupar com o não ingresso do Yuan na cesta de moedas. A seguir explicarei o que há por trás disso.

A China está trabalhando para ser a maior economia do mundo, o que conseguirá em mais cinco anos, até 2020. Já é o país que detém o maior comercio internacional. Consciente de que iria enfrentar a férrea oposição dos EUA as suas justas pretensões, criou o Asian Infrastructure Investiment Bank – AIIB, o New Development Bank com a participação dos países integrantes do BRICS e o megaprojeto ONE BELT, ONE ROAD, iniciativa da construção da Silk Road Economic Belt que se estenderá através da Ásia Central e a marítima Silk Road ligando a China com o sudeste da Ásia, o Oceano Índico, o Oriente Médio e finalmente a Europa, lançando as fundações para incrementar o comércio entre a China, sul da Ásia e a emergente Ásia Central, além dos países acima citados.

Mais de 50 países, incluindo economias avançadas e com valores democráticos já aderiram ao AIIB, cujo propósito é emprestar Yuans para financiar projetos de infraestruturas, como pontes, silos, portos, aeroportos e estradas e cujos pagamentos também sejam feitos na mesma moeda. China promete que o novo banco será aberto e transparente. De fato, China tem designado bancos para clearing (compensação de transações financeiras) e negociado linhas de swap com vários países, não só da Ásia como na Europa e no hemisfério ocidental, totalizando já 30 swaps no total. (Swap é um contrato entre dois países que permite a troca de moedas em transações comerciais, como, p.ex., trocar dólar por Yuan).

Dessa forma, a China está dando passos independentes para dar ao Yuan o status de verdadeira moeda global o que poderá num futuro próximo rivalizar com o King Dólar.

A China, como já tive ocasião de mencionar em outros artigos correlatos, fechou contratos com os países da OPEP, Irã, Rússia, Brasil e outros da América Latina para negociarem com a China exclusivamente em Yuans e, em contrapartida, podem recorrer ao AIIB para se financiar em Yuans para suas obras de infraestruturas. Assim, a Arábia Saudita venderá seu petróleo à China não mais em dólares, mas em Yuans e, por outro lado, importará produtos chineses pagando nessa moeda. A Vale exportará minérios em Yuans, tomará empréstimos nessa moeda e o Brasil importará quase tudo em Yuans, também.

Nessa brincadeira, o King Dólar irá sendo destronado de sua posição proeminente como moeda dominante no comercio internacional, a liquidez de que hoje desfruta irá aos poucos se evaporando e a inflação começará a corroer a economia, já em depressão, causando a desvalorização do dólar. Será a hora de o FMI intervir e lançar definitivamente a nova moeda mundial, a SDR, e para que isso aconteça, o Yuan necessita estar lá.

ago 232015
 

Consequências da globalização e digitalização

O Grupo dos 7 é formado pelas economias mais avançadas do planeta. São elas: USA, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Itália e Japão. g7Com a incorporação da Rússia virou o G-8 e, recentemente, após a invasão da Ucrânia, a Rússia foi objeto de sanções pelos EUA e aliados e o grupo voltou a ser G-7.

Uma nova ordem mundial está prestes a emergir e será para logo. A forma como ela será percebida estará determinada por dois fenômenos: globalização e digitalização.

A globalização está incorporando economias que não estão inteiramente industrializadas e que vão se integrando ao mercado global, uma tendência que tem redefinido a global divisão do trabalho e a hierarquia de valores, promovendo o deslocamento de industrias, serviços e especialmente de pessoas em busca de menores custos, salários e benefícios fiscais.

A revolução na tecnologia da comunicação digital tem sido as fundações dessas mudanças em crescente desenvolvimento. Ela tem derrubado muitas barreiras culturais, permitindo que cidadãos das mais remotas regiões tenham acesso à informação e a novas ideias em desenvolvimento em todo o mundo.

Está claro que se a globalização torna possível o desenvolvimento econômico e aumento continuo da renda, a integração cultural, fruto da TI – Tecnologia da Informação, contribui para uma mais ampla participação política, especialmente entre a ampla e demandante classe média. Observa-se que essa tendência vem complicando os esforços dos governos em manter o monitoramento e controles internos, o que me parece um aspecto muito positivo, já que não é função do governo determinar o que as pessoas devem fazer.

Como o impacto da globalização e digitalização podem afetar o balanço de poder no mundo globalizado?

Permanece difícil de se prever, mas podemos avaliar alguns fatos.

Antes da Revolução Industrial, China e Índia eram as maiores economias do mundo, o status que ambas querem recuperar neste século. Quando conseguirem, poderão juntar-se aos tradicionais poderes que hoje formam o G-7.

Por ora, a União Europeia enfrenta enormes desafios e repetidas crises que tornam incerto o seu futuro. O futuro da Rússia é ainda mais incerto. Índia tem o potencial de exercer um papel importante internacionalmente, mas tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar suficientemente estável e próspera para lográ-lo.

Então sobram apenas os EUA e China.

Pode-se compreender porque muitos analistas têm previsto o ressurgimento de uma nova ordem bipolar ou mesmo de uma nova Guerra Fria, com China substituindo a Rússia como rival da América. Isso também me parece improvável porque em nosso mundo interconectado, EUA e China não podem se envolver em conflitos e competição para obscurecer seus interesses comuns.

Neste momento, a China está financiando o déficit público dos EUA e sustentando sua autoridade global. Por outro lado, a China não pode sustentar seu rápido crescimento econômico e modernização sem o acesso aos mercados americanos.

Colocado de modo simples, China e USA dependem um do outro.

Isso parece provável que a nova ordem mundial, a qual me referi no princípio deste artigo, será a remontagem da ordem bipolar, mas será caracterizada pelo engajamento, acomodação e colaboração em nome de interesses comuns.

O G-7 está agonizante, a nova ordem será o G-2.

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