nov 272015
 

DOMÍNIO DO MAR

AS RAÍZES DA W.W. III ESTÃO SE APROFUNDANDO

SAIBA AQUI O QUE A MÍDIA E OS GOVERNOS NÃO QUEREM DIVULGAR


A marinha americana fez há alguns dias uma operação de patrulha no mar meridional da China e foi energicamente repelida por este pais asiático, sob o argumento que suas águas territoriais estavam sendo invadidas. As águas territoriais ficam a 12 milhas marítimas do continente. Acontece que a China vem construindo várias ilhas artificiais no arquipélago de Spratly que fazem parte do seu megaprojeto— ‘Silk Road, Economic Belt’ – o qual o descrevi com mapas e texto no meu relatório EURASIA & TPP.

Para que tenha consciência da importância estratégica dessa região, saiba que 90% do comércio internacional, tanto em peso como em volume, é transportado pelo mar. A liberdade de trânsito pelo mar e a correspondente conectividade dos mares é dependente de um sistema de normas internacionais respeitadas pelos países de todo o mundo, quase sempre em seu próprio benefício. Nas últimas décadas, só os EUA, em colaboração com seus aliados, estão fortemente equipados para policiar os mares e fazer respeitar as normas internacionais que regulam o tráfego marítimo.

A China vem trabalhando na construção de uma respeitável força naval – a MELP – Marinha do Exército de Libertação Popular.  A China vem fazendo exercícios navais cada vez mais sofisticados e exigentes, não só no Oceano Índico, onde mantém uma flotilha permanente, mas em pontos afastados do Pacífico Ocidental.

Seu propósito oculto é desenvolver os meios de recuperar sua renegada província Taiwan, pelo uso da força, se preciso for, mas antes necessita criar meios eficazes para evitar ou ao menos retardar, que seu maior protetor, os EUA, venha em seu socorro.

O que reforça esta tese é constatar que a China tem investido pesadamente em mísseis terra-mar, em submarinos, inclusive do tipo drone, sem tripulação, cujo objetivo é a espionagem do tráfego marítimo e aéreo. Também quer patrulhar, ela própria, os pontos de estrangulamento que dão acesso ao Oceano Índico, por onde passa a maior parte de suas importações de petróleo.   40% dos petroleiros que têm a China por destino, atravessam, em primeiro lugar o estreito de Ormuz e 80% chegam ao país pelo estreito de Malaca.  Documento do Pentágono constata que a MELP é atualmente a maior marinha da Ásia, com mais de 300 navios de guerra, submarinos, embarcações anfíbias e barcos de patrulha.

Em 2012, os EUA anunciaram uma nova Estratégia de Segurança Marítima para o Pacífico Asiático e que prevê o deslocamento de pelo menos 50% das forças navais e aéreas do país para aquela região, até 2020.  O Congresso americano está para aumentar 8% no orçamento da Marinha, elevando-o para US$ 161 bilhões no próximo ano fiscal. Com isso, a frota terá um incremento de 27 navios alcançando o total de 300.

1Por outro lado, o presidente Xi Jinping quer realizar o ‘sonho chinês’ de transformar-se na maior economia do mundo e também numa grande potência militar, de forma a coibir a influência de seu principal oponente —os EUA—de operar impunemente nas proximidades de sua costa.

Rotas marítimas vitais para a economia mundial passam pelo Oceano Índico, pelos mares do Sul e do Leste da China. Dos dez portos comerciais mais importantes do planeta, oito ficam na região.  75% dos carregamentos de petróleo cruzam o Oceano Índico com 15 milhões de barris, navegando diariamente pelo estreito de Malaca. O Mar Meridional da China é o meio de transporte de quase 30% do comercio marítimo mundial e dele se extrai 10% de toda a pesca.   Pesquisas recentes revelaram que em seu subsolo existem enormes quantidades de petróleo e gás natural.

Não é à toa que grande parte dessa região está em litigio e o maior litigante é a China. Logo mais, quando a mídia começar a se ocupar deste assunto, o Oceano Pacífico talvez tenha alterado seu nome para Oceano Guerreiro.

As disputas territoriais nas quais a China está envolvida incluem Filipinas, Malásia, Brunei, Vietnã e, naturalmente, Taiwan. Na área que foi demarcada—a chamada linha de nove traços—os chineses reivindicam soberania sobre 90% do Mar Meridional da China.

Os EUA estão sendo pressionados por seus aliados do Pacífico na defesa de seus direitos, mas adotaram a posição de não envolvimento, deixando que as diferenças se resolvam pela arbitragem internacional. Quando os EUA foram repelidos pela marinha Chinesa, sob a alegação de terem avançado em suas águas territoriais, na verdade, foi a China que avançou com as ilhas artificiais sobre as águas internacionais, numa região cheia de ilhas naturais e estreitos. Essa é a intenção da China, fechar o Mar Meridional que reivindica como sua soberana propriedade. No calor da discussão de ‘quem atira primeiro’, a União Europeia se alinhou com Washington, informando à China que o patrulhamento feito pelos EUA eram legítimos e não beligerantes e visavam nada mais que proteger direitos de livre navegação em áreas protegidas por leis internacionais que garantem o uso do mar e do espaço aéreo a todas as nações.

g7A China não quer conversa, quer ação. Por um lado, os EUA não querem entrar em conflito, pois como expliquei no meu relatório “G7 ou G2? ”, estão muito dependentes dos financiamentos da China ao seu monstruoso débito. De outra parte, a União Europeia, cuja economia anda capengando, aceitou de bom grado a oferta da China e aderiu ao AIIB, o banco de investimento asiático, para obter financiamento barato para seus projetos de infraestrutura e, simultaneamente, ao projeto Eurásia para incrementar suas operações comerciais.

Enquanto as discussões vão e vêm, a China continua avançando em ritmo feroz, construindo ilhas artificiais sobre formações rochosas submersas e distribuindo dinheiro. Essas ilhas são enormes e equipadas com postos avançados de escuta, hangares e pistas de pouso, uma das quais, que está para ser inaugurada, possui 3 Km de extensão. Será para fins militares?

Para que faça uma ideia de proporção, em menos de 2 anos a China fez surgir das águas uma extensão artificial de terra 20 vezes maior do que fizeram, em 40 anos, todos os outros países em conjunto que possuem ambições na área.

Vinte séculos de cultura fazem diferença!


 

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  One Response to “AS RAÍZES DA W.W. III ESTÃO SE APROFUNDANDO”

  1. […] 5-Essa questão está fora de negociação e se forçada poderá desencadear a Terceira Guerra Mundial, tal como previ em meu relatório “Domínio do Mar”. […]

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