Agências de Rating

O RISCO SOBERANO DO BRASIL

O que são essas agências.

Quando trabalhava em banco de investimento, chefiava um grupo de analistas os quais faziam a avaliação das condições da empresa que pleiteava financiamento para seus projetos de expansão ou implantação. Isso incluía o estudo de viabilidade técnico e econômico do projeto e, se este fosse pré-aprovado como viável, eu visitava pessoalmente a empresa, almoçava com os diretores e fazia uma avaliação pessoal da formação técnica dos Clipboard01empresários à frente da empresa, qual a cultura dominante, como eram tratados seus clientes e acionistas, que conhecimentos tinham de seus principais concorrentes e que providências estavam desenvolvendo para garantir que a empresa continuasse crescendo e ganhando mercado.

De certa forma é o que faz uma agência de rating, só que avaliam um país. A agência mantém analistas que acompanham as receitas e despesas, os projetos sociais, as fontes adequadas de receita para custeá-los e percebem quando há desvios de conduta, projetos errados, mal feitos e depois abandonados e quando os dados estatísticos do país estão sendo manipulados, mascarados e ocultados da população.

Um governo inteligente, preparado e com visão de estadista, aceita de bom grado o papel desempenhado por essas agências, porque elas espelham a realidade e a utiliza adequadamente seguindo suas orientações e sugestões para alcançar um equilíbrio fiscal adequado que não apresente surpresas como as que estamos enfrentando no presente momento com o rebaixamento do risco Brasil para grau especulativo, com a consequente perda do grau de investimento, avaliação dada pela agência Standard&Poor.

Causas:

  • Situação econômica do país nada favorável, com recessão se aprofundando, crescimento do PIB quase nulo e com a previsão de se tornar bastante negativo no ano corrente, com menos de 2,5% do PIB.
  • Baderna fiscal com gastos enormes do governo, sem planejamento e grandes desperdícios.

3 – Ao invés de apresentar uma correção de rota o então ministro Mântega, da economia, apresentava um país róseo no qual eu queria viver, mas não passava de enganação, com contabilidade criativa, pedaladas fiscais, utilização dos dividendos da Petrobras para cobrir rombos e por aí vai. Como nada disso passava desapercebido pelas agências de risco, houve pressão pela troca do ministro e foi nomeado o Joaquim Levy para substituí-lo.

4 – Como não foi uma escolha do PT, ele foi imposto e engolido pelo governo que, entretanto, não lhe oferece nenhum apoio para instrumentar as reformas necessárias.

5 – A declaração recente do ministro Levy pela televisão, propondo aumento de impostos em lugar da redução do tamanho do estado, demonstra essa falta de apoio. Ademais, sua mais recente declaração de que a sociedade deveria aceitar um aumento de impostos, porque imposto é investimento, foi a gota d’água e a certeza de que o ministro está viajando na maionese.

6 – O orçamento enviado para aprovação do Congresso com déficit de R$ 30,3 bilhões escancara de forma dramática a falta de compromisso do governo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

7 – A crise política se agravando, o comportamento errático e arrogante da presidente são indicadores de que não há esperanças de correção de rumo.

Consequências:

1 – A alta do dólar que já vem de alguns meses representa a precificação do mercado para o desenlace previsível.

2 – A queda acentuada da Bolsa ainda não ocorreu porque os preços das ações expressos em dólares estão uma verdadeira barganha. O capital estrangeiro ainda não tomou posição de sair porque não está obrigado a isso. Somente quando uma segunda agência confirmar o status de lixo de nosso crédito (junk bonds), aí sim, os Fundos de Previdência e outros Fundos de Investimento serão obrigados a venderem suas posições e saírem do mercado brasileiro.

3 – Se não o fizeram ainda é porque acreditam que o governo brasileiro, diante de uma situação de extremo perigo, vai tomar providências efetivas e resguardar os investimentos estrangeiros dos quais necessitam. Nós sabemos que isso não ocorrerá, pois, o nosso presidente que governa das sombras declarou em Buenos Aires que o rating das agências não significa nada. Se eu compreendi corretamente o que ele declarou, o governo baterá os ombros e nada fará.

4 – A agência Fitch, até o final deste mês baterá o martelo e rebaixará o Brasil para o nível especulativo.

5 – Com a consequente revoada de dólares para o exterior, o dólar subirá bastante, a bolsa despencará lá para o nível 40.000, a taxa de juros subirá para controlar a disparada da inflação, um cenário nada alentador.

6 – Várias empresas estatais, especialmente a Petrobrás terão seus riscos igualmente rebaixados, mas isso é bem compreensível. Contudo, bancos bem estruturados e administrados como Itaú, Bradesco e alguns outros privados terão seus créditos igualmente afetados, mas talvez não compreendidos pela população. Ocorre que os bancos são comerciantes de uma mercadoria ‘dinheiro’ e essa mercadoria está aplicada em títulos do governo, ou seja, em algo que virou lixo. Portanto, se os ativos do banco não merecem crédito o banco vai no embalo. Ademais, o banco depende da situação do cambio, das taxas de juros e da regulamentação do governo. Mesmo um banco bem administrado e com boa estrutura de capital poderá deixar de honrar seus saques, se o governo assim determinar ou o resgate de suas poupanças se o governo deixar de recomprar os títulos correspondentes. E o governo, sem poder se financiar no exterior, vai precisar de sua poupança para pagar os funcionários de um estado tão gigantesco quanto ineficiente e certamente vai chamar a isso de necessidade social.

Isso aconteceu na Argentina, na Grécia e em vários outros países e vai acontecer no Brasil.  Acorda Brasil!

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