dez 142014
 

oleoOs EUA desenvolveram nos últimos anos uma tecnologia revolucionaria e inovadora para a extração de petróleo das rochas de xisto, chamada de fracking que consiste basicamente na injeção de água com alta pressão nas rochas e recolhimento do petróleo em poços horizontais. Nada comparável ao pré-sal que pretende extrair petróleo nas profundidades de 6 a 7 Kms sob as águas do oceano, com  altíssimos custos e alto risco de produzir desastres ecológicos de proporções mundiais. Para se ter uma ideia mais acurada da questão basta citar que na perfuração de poços convencionais, os verticais, 2/3 dos poços ou mais são secos ou antieconômicos. Nos poços horizontais das rochas de xisto, 95% dos poços são produtivos. Se você fosse agraciado com uma fortuna de herança, onde investiria seu dinheiro no negócio de petróleo?

Apesar das analises e opiniões de analistas desmerecendo a nova tecnologia, como pode ser observado pela internet nos anos de 2010,2011 e 2012, o fato real é que o massivo crescimento de óleo e gás das rochas de xisto somou nada menos que 3 milhões de barris por dia à produção mundial, fazendo dos EUA o maior produtor do mundo.

Se você deduziu que tamanho crescimento da produção petrolífera num mundo meio parado como o atual, que está produzindo a queda na demanda global sobre commodities, iria derrubar os preços do petróleo e gás, parabéns, é sinal de que lê com atenção para aprender e não  apenas para se informar. Até poderá se candidatar a economista macro de nosso governo, pois para os atuais que nele militam parece que a ficha ainda não caiu e decidiram, recentemente, aumentar o preço interno da gasolina, agora que o preço mundial do petróleo despenca de $100 para $60 dólares o barril.

Muitos analistas, exceto eu, apostavam que na Cúpula da OPEC (Organization of the Petroleum Exporting Countries) que se realizou em Viena em novembro passado, seria decidida a redução da produção, como é usual quando há queda da demanda com o propósito de manterem estáveis os preços. Entretanto, isso não aconteceu e por quê?

A resposta é que os EUA estão produzindo muito gás e óleo a preços competitivos; passaram de grandes importadores a autossuficientes o que provocou a queda dos preços num cenário de demanda estagnada e, como a produção não cessa de crescer, passarão já em 2015 a serem grandes exportadores e para isso estão fazendo grandes investimentos em infraestrutura, como portos, ferrovias, dutos, rodovias. (Bom para a Caterpillar – CAT, uma oportunidade de investimento).  Claro está que a OPEC optou por não reduzir a produção para não entregar de bandeja o seu mercado aos americanos. Elementar, meu caro Watson.

Com a queda dos preços do petróleo as usinas térmicas se beneficiam, as indústrias que utilizam gás em seus fornos terão insumos mais baratos, os meios de transporte como ferrovias, caminhões, aviões e navios passam a oferecer frete mais barato, os produtos chegam aos supermercados e nas prateleiras das lojas por preços menores o que significa manter a inflação controlada e mais dinheiro no bolso dos consumidores que, por sua vez, passam a gastar mais e o ciclo se renova, a bolsa continua sua escalada de cinco anos, sem interrupção e a Golden Age se desabrocha. Até a indústria espacial se beneficia porque é grande consumidora de energia fóssil e a autonomia energética dos EUA explica em parte o boom da US Space Industry no século XXI. Grande beneficiaria poderá ser a Vale, pois o custo do frete representa quase 60 % do custo total do minério.

Quanto à Petrobrás não há nada a acrescentar que o próprio leitor atento não seja capaz de deduzir. O pré-sal exige pesados investimentos, a empresa está quase quebrada por tão desastrosa administração, possui a dívida corporativa maior do mundo, está arriscada a perder o grau de investimento e não tendo como se capitalizar vai afundar para as profundezas do pré-sal juntamente com o dinheiro dos acionistas e o do povo que se considera dono da empresa.

 

  3 Responses to “A NOVA GUERRA DO PETRÓLEO”

  1. […] relatório “A Nova Guerra do Petróleo” expliquei as causas da enorme queda de preços desta commodity no mercado internacional, […]

  2. Prezado Dagoberto,

    Eu acho que devemos dar um pouco mais de credibilidade aos engenheiros e técnicos brasileiros, afinal não somos mais país do 5o mundo. Temos que acreditar que somos um povo inteligente e na maioria honestos e muito capacitados tecnicamente. Precisamos acreditar no Brasil e o pré sal era um a solução na época. Não temos tantos recursos naturais como na Arábia Saudita e outros produtores de petróleo mundiais, onde o custo de extração é muitíssimo baixo.
    Ninguém esperava que a Arábia Saudita baixasse os preços mundiais ao nível de US$ 60,00 para quebrar inclusive os Estados Unidos com o petróleo do xisto.
    Eu acho que apesar dos apesares precisamos acreditar no Brasil e não só criticar. Vamos melhorar o bom humor, pois estamos precisando! Não podemos competir com o 1o mundo, mas somos um país forte, competitivo e competente, não temos somente bandidos políticos, desses temos muitos, mas também temos muita gente boa.

    Helgo Ackermann

    • Bem Helgo, não sou nenhum técnico capacitado como esses engenheiros brasileiros que vc cita, apenas um leitor e brasileiro preocupado com a situação a que chegamos. Mas leio, penso e procuro verdades, o que está difícil de achar em nosso querido Brasil. Por exemplo, li, faz muito, mas me lembro bem, de escritos produzidos por um homem capacitado (Roberto Campos) que há muito já chamava a Petrobras de Petrosauro. (sei que, já naquele tempo, ele era chamado de Bob Fields por essa turma que agora governa). Depois disso e parece que inda agora, ela foi abocanhada pela república sindicalista. Não sei quem decide lá dentro. Mas eu tendo a dar razões para o nosso Dagoberto. Assisto com satisfação a essa Nova Guerra do Petróleo. Não gostaria que um dos resultados dela fosse algo como na Venezuela, onde um tanque custa um dólar, mas bem que torço por alguma diminuição no preço da gasolina. Não me pejo de ser ingênuo e crédulo. (aqui parece que sobem os salários dos que conseguem decidir em causa própria enquanto a inflação crescente só faz diminuir o poder aquisitivo do povo), Vou continuar, como você, torcendo pela gente boa. Mas, sinceramente, ando triste e desanimado.

      João Daniel Migliorini

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