dez 132015
 

Eu desejava estar errado em minhas previsões, mas os resultados mostram que estava certo, outra vez.

No relatório “A Nova Guerra do Petróleo” expliquei as causas da enorme queda de preços desta commodity no mercado internacional, prevendo que pelas suas causas essa situação não será passageira, mas poderá se agravar e durar muitos anos, derrotando completamente o programa do ‘pré-sal’ que tanto custou e custará aos donos dessa riqueza, o povo brasileiro.

1As causas são simples: por um lado os EUA que foram, durante décadas, grandes importadores de óleo proveniente do Oriente Médio, especialmente da Arábia Saudita, desenvolveram a tecnologia do ‘fracking’ que permitiu a exploração do petróleo em poços horizontais nas rochas de xisto. Mais recentemente, essa técnica foi aprimorada com a introdução da técnica do ‘propant’ que permitiu um aproveitamento superior do mesmo poço promovendo, em consequência, um aumento extraordinário da produção a custos mais baixos e superando a produção total da Arábia Saudita.

Resultado, de importadores os EUA passaram a ser autossuficientes e exportadores do óleo, concorrendo com seu principal fornecedor.

Arábia Saudita e demais integrantes da OPEC decidiram manter e até aumentar a produção, uma decisão que me pareceu equivocada num momento em que um novo e poderoso produtor entrou em cena. A intenção não declarada da OPEC era não ceder seus mercados ao novo produtor e deixar cair os preços do óleo para desestimular e quiçá destruir a nascente indústria americana.

Dito e feito, com o excesso de produção num mundo em recessão, começou a sobrar petróleo e um novo negócio floresceu: o da fabricação de grandes reservatórios para estocar o produto e o aluguel de navios petroleiros para ficarem estocados e ancorados nos portos, prontos para atender ao primeiro pedido.

Como é sabido, o preço do petróleo despencou de $120 dólares para a faixa de $40 -$50 o barril.

No meu relatório “A Nova Guerra do Petróleo”, tive a ocasião de antecipar que essa guerra estava perdida para os árabes e detalhei os argumentos com fatos e números.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

A situação da Arábia Saudita está se tornando cada vez pior. A receita oriunda da exportação do petróleo foi reduzida com a queda dos preços a menos da metade fazendo despencar a paridade de sua moeda. Como ela precisa importar quase tudo em bens de consumo e alimentos, num cenário de moeda local fraca e dólar elevado, os gastos crescentes com a importação produziram déficits crescentes, atualmente estimados em mais de 30% do PIB. O mesmo está ocorrendo com os demais países da OPEC, mas a situação não é revelada em nenhuma mídia. Venezuela e Equador, também integrantes da OPEC, necessitam para sobreviver que o preço do óleo esteja acima de US$ 80.00 e já se nota a situação aflitiva desses países latinos. Também a Rússia que não faz parte da OPEC está passando pelas mesmas dificuldades que fez seu rublo desabar.2

No início deste mês, a OPEC reuniu seus membros, todos aflitos com a situação e sob a liderança da Arábia Saudita, para produzir um acordo para reduzir a produção e aliviar a pressão sobre os preços. Na realidade não se trata só de preços, mas de onde guardar o petróleo que não está sendo consumido. Não chegaram a nenhum acordo e o pomo da discórdia foi o Irã que se recusou a seguir a orientação da Organização porque, após prolongados embargos dos EUA e seus aliados, necessita produzir e exportar para colocar suas finanças em ordem e declarou que vai aumentar sua produção em 1 milhão de barris diários. Em suma, após muitas discussões o grupo cedeu e manteve o nível de produção o que fez os contratos futuros para janeiro fecharem em N.Y a US$ 37.65 por barril, queda de 5,8%.

Para cobrir seus déficits crescentes, países da OPEC estão retirando fundos das reservas e de fundos de investimento no exterior produzindo um refluxo de dinheiro para o Oriente Médio. Suas exportações para a China estão sendo processadas em Yuans os quais necessitam de serem trocadas por dólares da reserva soberana para o pagamento das importações. Essa situação irá, a qualquer momento, causar um colapso no dólar. (Espero estar firmemente errado, pelo menos desta vez).

A Agência Standard & Poor’s cortou o crédito da Arábia Saudita de ‘AA-“ para ‘A+”, no início de novembro com tendência negativa.

Nos EUA, a situação é bem diferente. O mercado americano é povoado por produtores privados e não por companhias controladas pelo estado. Lá é o mercado que se desenvolve e se auto regula com base na competição, nas pesquisas e desenvolvimento e no estímulo ao sucesso.

Agora, imagine o seguinte: o setor privado produz riquezas, gera empregos e movimenta a economia. Em contrapartida, o setor público só gasta e cobra, as receitas que não produz, do setor privado, por meio dos impostos. Há pois uma transferência de recursos do setor privado, o mais eficiente, para o setor público, o menos eficiente na criação de riquezas. Essa situação produz uma redução da eficiência global do capital empregado na economia. Contudo, isso é um custo necessário porque há tarefas não lucrativas que o setor privado não pode fazer, como cuidar da segurança, da educação, da saúde pública, da infraestrutura, das leis e da justiça. Se os gastos do governo são equilibrados e aplicados em projetos necessários e bem planejados, o setor privado ficaria feliz de contribuir porque a ordem instituída é absolutamente necessária para a prosperidade dos negócios.

O setor público não funciona assim, gasta em demasia e gasta mal. Vejam que nos EUA a nação levou 216 anos para produzir um déficit de $8.5 trilhões de dólares e apenas dois mandatos do atual governo para dobrar esse valor.

O PIB americano é de US$ 17.0 trilhões e o déficit das contas do governo alcançou esse valor. Portanto, toda a riqueza do país está sendo consumida para cobrir os déficits do governo e não sobra riqueza nenhuma.

Então estou apostando minha reputação, conquistada em 20 anos de mercado financeiro nacional e internacional, de que não estarei errado desta vez.

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Este é meu último relatório do ano. Desejo a todos que me acompanharam até aqui um Feliz Natal e um Ano Novo com novas aspirações.

Voltarei em janeiro/2016 com novas revelações que irão acontecer no decorrer do ano e serão tão boas que nos farão lembrar com saudade de 2015.

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