jul 122017
 

Tenho lido muitos artigos na mídia americana afirmando que a economia dos EUA vai bem, está aquecida e muito próxima do pleno emprego. Ora, isso contraria tudo o que eu disse, após acurada análise, na minha série de mesmo nome publicada em 2016.

Se é verdade o que diz o governo, as consequências serão inevitáveis: pleno emprego conduz a aumento de salários, que produz aumento da inflação, que exige medidas monetárias como o aumento da taxa de juros que, por sua vez, faz declinar o preço das ações e títulos e o declínio do valor da própria moeda.

Isso por certo não vai acontecer, porque não é o que os dados dizem, como mostrarei em seguida.

O custo total da produção tem a participação de dois terços dos custos trabalhistas e é claro que, se há mesmo pleno emprego, o inevitável aumento de salários acelerará a inflação de preços, em geral. Porém isso está longe de acontecer porque os cálculos estatísticos, que avaliam a ocupação da mão de obra, é uma ficção, ao desprezar a taxa de participação da população em condições de trabalhar.

Por exemplo, apenas 55% dos americanos adultos, entre 18 e 64 anos, possuem um emprego em tempo integral. Esse dado nos leva a outro: cerca de 95 milhões de adultos, em condições de trabalho, estão fora do mercado. Como é isso possível? Eles não necessitam comer?

O demógrafo Nicholas Eberstadt observou, em estudo recente, que a taxa de participação na força de trabalho de adultos entre 25 e 54 anos é atualmente menor que a apresentada no fim da Grande Depressão.

Como fatos tão díspares podem ser usados ou desprezados para ajudar a compreender os fenômenos mercadológicos atuais?

Na minha série de mesmo nome deste artigo mostrei várias estatísticas e gráficos produzidos pelo próprio governo e órgãos privados, que mostram como no governo Obama os programas de pobreza foram inflados além da conta. De acordo com o Census Bureau, quase três quintos dos funcionários federais recebem benefícios por incapacidade. Os gastos com alimentação, o Food Card, uma espécie mais moderna de nossa bolsa-família, acrescida de outras benesses, como seguro-desemprego e moradia, apesar de elevadíssimos, ainda não superam o que o Estado paga aos trabalhadores incapacitados.

Não me interpretem mal. Não vejo com maus olhos qualquer homem ou mulher com real deficiência e incapacidade para o trabalho que receba auxilio federal. Eles são merecedores de nosso respeito e consideração. Porém, milhares de trabalhadores com dores nas costas, depressão, com a falta de um dedo mínimo por acidente, males comuns entre trabalhadores produtivos a tempo integral, passam a ser usufrutuários do auxílio federal, como incapacitados, à custa dos contribuintes pagantes.

Alguns arranjos no atual governo Trump poderão atrair muitos desses indivíduos de volta ao mercado de trabalho.

O primeiro é o programa de infraestrutura federal de um trilhão de dólares, talvez a única política do atual governo com amplo apoio dos democratas e republicanos.

Tal programa não seria possível numa situação de pleno emprego, a menos que os EUA atraís

sem a maioria dos imigrantes, atualmente em busca de uma oportunidade na Europa. Contudo, como sabem, a política de Trump é fechar as fronteiras para a imigração, pois ele sabe que de desempregados o país está farto e, por isso, ele foi eleito, como aliás previ contra todas as previsões.

 

O segundo é a nova legislação que exige a vinculação ao trabalho para os programas sociais federais. A exigência de trabalho foi eliminada por Obama, mas os republicanos querem reverter isso e o Pres. Trump certamente promulgará em forma de lei.

Isso poderá reduzir o déficit orçamentário e aumentar a taxa de participação da população ativa no trabalho.

O país não tem escassez de trabalhadores; tem um excesso de Estado-Previdência.

Concluindo, ao contrário do que a mídia afirma insistentemente, os EUA não estão em pleno emprego, continuam em depressão, o Federal Reserve que prometeu mais elevações nas taxas de juros ao longo deste ano, muito provavelmente não fará nenhuma, os salários não irão subir, nem a inflação, o comércio continuará fraco e, se alguma perturbação ocorrer nos mercados financeiros, não será devido aos fatores aqui comentados, mas possivelmente a um provável conflito com a Coreia do Norte.

Obs. Aos leitores interessados em informações mais completas sobre este assunto, para auxiliá-los na interpretação dos acontecimentos mundiais em grande aceleração, os convido a ler os quatro relatórios de “A Economia Americana”, uma leitura agradável, isenta de economês para ser compreendida mesmo por não economistas.

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