A ECONOMIA AMERICANA IV – EPÍLOGO

Minhas previsões não são pessimistas, são realistas. A apregoada crise já começou e terá desdobramentos impressionantes.

Provavelmente você ainda se lembra da ENRON, a gigante americana de energia que já foi a companhia mais admirada do mundo e que, entretanto, faliu da noite para o dia.

Nem o governo, nem a imprensa, nem os brokers de Wall Street fizeram qualquer advertência.

Em 2000, Charles Pearce aposentou-se dessa empresa aos 63 anos. Recebeu, em função de seu alto cargo, um portfólio de ações, bônus e opções dessa companhia no valor de $ 1,3 milhões de dólares. Ele pensava passar os dias restantes de sua vida viajando, jogando golfe com amigos e frequentado os melhores restaurantes.

Quando a ENRON faliu em 2001, o fundo de Charles se reduziu de $ 1,3 milhões para apenas $13 mil.    Ele levou 33 anos para economizar esse dinheiro que desapareceu como por encanto. Mais de 20.000 empregados foram atirados à rua sem nada, milhares de investidores perderam tudo.

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Quando começou a haver rumores sobre a situação financeira da empresa, analistas de Wall Street telefonavam a seus clientes recomendando a compra das ações que estavam muito baratas em relação aos sólidos fundamentos da empresa. Pouco antes do colapso da ENRON, Kenneth Lay, então CEO da companhia, disse numa Assembleia de Acionistas que tudo estava bem, que a companhia estava em sua melhor forma, como nunca havia estado antes.

Conseguiram com mentiras, contadas com convicção e competência, fazer de tolos a mídia, jornalistas, empregados e o público em geral pelo tempo suficiente. Lá, como aqui, isso acontece com frequência.

Tal como aconteceu com a ENRON, o mesmo poderá acontecer com os empregados, acionistas e aposentados da AMERICA VENTURES CORP., designação que dei aos EUA nesta série de artigos.

A ENRON usou contabilidade criativa para ocultar de seus balanços enormes débitos e pesados prejuízos em seus negócios com derivativos, assim como fez o nosso ministro Mantega para ocultar o desastre econômico que já se avizinhava e que já havíamos antecipado, como também fizeram outros destacados analistas, como o Felipe Miranda em seu best-seller ‘O Fim do Brasil’.

Presentemente, a mais poderosa instituição financeira do mundo está fazendo algo similar.  A maioria das pessoas não tem ideia de que o FED é capaz; ele pode alterar a forma como vivemos com uma simples penada.

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Se subir a taxa de juros criará uma onda com consequências em todo o mundo, fechando fábricas, criando desemprego, aumentando a pobreza.

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Por que devo me preocupar, quando o Wall Street Journal afirma que tudo está bem e não há motivo para preocupações?

Veja, se um simples banco, o Lehman Brothers, cuja quebra foi suficiente para desencadear a grave crise de 2008, imagine o que poderá acontecer quando o banco que controla todo o sistema financeiro falir…

O sistema bancário ficará paralisado, os depósitos congelados pelo governo, Caixas Eletrônicos sem dinheiro e você sem acesso as suas economias. Ações cairão ao redor do mundo e aposentados e dependentes da ajuda do governo serão fortemente atingidos.

Quando começou a crise de 2008, a maioria dos bancos estava com grande quantidade de títulos hipotecários relacionados ao mercado de imóveis. Quando ocorreu o colapso, os preços das casas vieram abaixo, os títulos ficaram sem valor e bancos como o Citbank, Bank of America, Chase, Goldman Sachs, JP Morgan… todos os grandes bancos estavam nocauteados.

A única maneira de salvá-los foi utilizada pelo FED que comprou todos os títulos podres em poder dos bancos por um preço inflado e esse processo foi o chamado QE (quantitative easing) que fez crescer a dívida pública a níveis estratosféricos.

O dirigente do FED, nessa ocasião, justificou a impressão de dinheiro novo dizendo: “ Se nós não fizermos isso, não teremos uma economia na 2º feira”.

O secretário do Tesouro, Hank Paulson advertiu que “se eles não tivessem agido, o sistema financeiro sofreria colapso em poucos dias”. Isso dá uma ideia realística de quão instável está o atual sistema financeiro.

Para a maioria das pessoas bem informadas, o FED salvou o inteiro sistema financeiro internacional.  Se você não ficou sabendo nada disso, pode agradecer a desinformação como uma grande benção, porque eu passei várias noites dormindo mal e agitado.

Como o FED atuou dessa maneira ele está com um grande e quiçá insolúvel problema. O FED imprimiu muito dinheiro, comprou com ele muitos títulos sem valor para salvar os bancos e gerou tanta dívida cuja alavancagem (relação Dívida/Patrimônio Líquido) foi para nível estratosférico.

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Atualmente, esta relação já ultrapassou 80:1.

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Atualmente, o débito já cresceu para $4,500 billions e irá mais acima com o recente aumento da taxa de juros em dezembro, último. O gráfico ficará mais dramático, ainda!

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Você pode estar se perguntando, e com justa razão, se a situação do FED é assim tão instável e perigosa, por que ninguém está comentando isso pelos jornais ou TV?

Utilizei o caso ENRON justamente com o propósito de ilustrar que a mídia falada ou escrita não se ocupa das coisas realmente importantes. Tudo que tenho escrito nos meus variados artigos, quase ninguém tomou conhecimento através da imprensa, a menos de algumas pequenas notas esparsas e fora de contexto que nem chegam a chamar a atenção. Quando se trata de assuntos financeiros, poucos jornalistas têm o background para analisa-los em profundidade. Por exemplo, a Bloomberg divulgou um desses relatórios chatos e cheios de números e jargões técnicos que pouquíssima gente se dá ao trabalho de examinar. Nele afirma “que as perdas potenciais não têm precedentes nos 100 anos de história do FED.”

Quando a crise estourar, as contas dos bancos serão congeladas, os caixas eletrônicos ficarão sem dinheiro e você não poderá colocar suas mãos na grana que pensava ter no banco. O valor da moeda despencará perdendo valor de compra, o mercado de ações virá abaixo juntamente com os fundos de investimento, títulos de dívida e fundos previdenciários.

Toda essa perda de valores que descrevo terá um único significado: liquefazer a dívida do governo socializando o prejuízo para toda a população.

Um governo capitalista, como o americano, nessa hora torna-se favorável ao socialismo. Um governo socialista, como o brasileiro, faz o que você já está observando, ou seja, o mesmo. Tive essa experiência na Argentina, quando lá dirigia um banco.

Alguns poucos e competentes analistas têm advertido seus clientes, exatamente como tenho tentado fazer com meus amigos para alertá-los. De muito poucos tenho recebido incentivos e agradecimentos, mas da maioria o descaso e o rótulo de pessimista.

Charles Ortel, um grande administrador financeiro que corretamente previu o colapso da General Electric e da General Motors em 2008, vem se referindo a esta situação como “o maior e insolúvel problema financeiro na América.”

O economista Robert Murphy também advertiu que “este excessivo leverage poderá tornar o FED insolvente e isso poderá causar o crash financeiro em escala mundial”.   Poderá? Acho que o processo já iniciou.

O congressista e candidato à presidência Rand Paul, em recente discurso, advertiu:

“If the Federal Reserve was a real bank, without extraordinary powers, it would be insolvent.  The FED has $4,500 billion in liabilities and only $57 billion in equity. It is leveraged at 80:1, nearly three times greater than Lehman Brothers when it failed”.

Teria ele lido meus artigos vertidos ao inglês?

Alguns governos ao redor do mundo estão se preparando para o iminente colapso do dólar. O próprio FMI vem tomando medidas para um plano estratégico, ainda mantido na surdina, mas eu tive ocasião de revelá-lo nos artigos “China Luta Por Mais Espaço e “Minhas Previsões Estão Se Confirmando aqui no meu site.  De acordo com essas revelações o IMF está preparando os meios para lançar uma nova moeda — a SDR — para desbancar o King Dollar do trono de principal moeda de reserva mundial.

Algumas notícias discretas foram publicadas fora de contexto e não tiveram a menor repercussão. Veja o que o Financial Times publicou:

“In the eyes of the IMF, the best way to ensure the stability of the international monetary system is actually by launching a new global currency”.

Paro por aqui esperando que estas informações, que demandaram intensas pesquisas, possam lhe ser de grande utilidade.

Na próxima sexta voltarei com outro tema, não menos relevante.

Até lá.

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