A ECONOMIA AMERICANA III

O que os americanos deveriam saber, mas não são informados.

Veja aqui, passo-a-passo, o que falta para o dólar despencar 33%

WALL STREET:

A política financeira do FED, de juros zero e recursos abundantes para o crédito, foi a responsável pela alta continuada da Bolsa dando a impressão de que tudo corria otimamente bem com a economia e que os americanos não precisavam se preocupar.

Observem os dois gráficos abaixo cobrindo o mesmo período, o da esquerda indicando a quantidade de recursos aplicados no mercado acionário e o da direita o desempenho do Índice S&P 500. Há uma correlação perfeita entre ambos.

1

MARGEM

Outro indicador que nos auxilia no diagnóstico da sanidade do mercado é o débito em margens. Margin debit é a quantidade de dinheiro que os investidores tomam emprestado para aplicar em ações. Você pode tomar emprestado, suponhamos 1 milhão de dólares a custo muito baixo e aplicar em ações que estão se valorizando sem interrupção e, ao fim de três ou seis meses, vender as ações e faturar 1,600,000.00.  Daí você paga 1, 080,000,00 do empréstimo e ganha 520,000.00 líquido sem ter aplicado nenhum centavo de capital próprio. Gostou da ideia? Não se meta à besta! Logo verá porquê.

2

As pessoas se entusiasmam quando estão ganhando dinheiro do nada. Acham-se formidáveis, compram carros de luxo e começam a esbanjar com festas e bebidas caras. Na realidade não percebem o que estão fazendo nem que navegam em águas turvas e perigosas, cheias de recifes ocultos.

É o que o gráfico acima mostra com clareza. Entramos profundamente numa zona de extremo perigo e os ‘ban-ban-ban’ continuam na festa. Quando ocorrer o colapso, não dará tempo para fazer nada e a perda pode ser muito maior que o capital empregado. O incauto terá de vender às pressas a Ferrari por qualquer preço e ainda ficará devendo. Este é um negócio para especialistas experientes e dotados de inteligência emocional.  Estamos na iminência de um novo colapso, talvez já em 2016.

DERIVATIVOS

Outra maneira de se avaliar a sanidade do mercado é observar como andam os derivativos, instrumentos complexos e perigosos que permitem alavancar os ganhos e também as perdas em muitas vezes mais que as variações nos preços das ações.

Um caso curioso ocorreu com a SADIA. Essa empresa havia feito uma oferta hostil para comprar a PERDIGÃO, sua concorrente. Os acionistas da Perdigão resolveram resistir e não aceitaram a oferta. A Sadia havia acumulado muito dinheiro especulando com derivativos de câmbio, quando o real subia continuamente contra o dólar, o contrário do que acontece atualmente. De repente, a tendência se inverteu e pegou a Sadia desprevenida com um prejuízo biliardário e, para não quebrar teve que aceitar ser comprada pela Perdigão o que deu origem à atual Brasil Foods.

3

O gráfico acima indica que o mercado está excessivamente alavancado, dirigido para empréstimo e especulação. O índice PL que é o quociente do preço da ação pelo lucro que a ação produz está na média mais alta, como ocorreu em apenas três ocasiões, em um século.

Em resumo, fica claro que a política do FED facilitou a elevação das cotações das ações a níveis irreais, incutindo uma ilusão sobre o estado real da economia, embora o país esteja em depressão técnica.

O QUE OS GRÁFICOS ABAIXO NOS DIZEM:

1—O dólar está muito forte, agora.

2—A recente alta do dólar é cerca de duas vezes a dos dois últimos períodos de tendência altista.

3—Quando o dólar sobe forte e muito, tende a cair rapidamente. A razão é que quando os insiders do mercado, aqueles investidores que estão por dentro das informações relevantes, percebem que há uma inversão de tendência, desmontam rapidamente suas posições em margens e derivativos vendendo os dólares à mercado, o que faz cair a cotação com aumento de volume, o que assusta os incautos que não sabem o que está acontecendo e resolvem vender também, criando o conhecido efeito manada ou estouro da boiada e os preços simplesmente despencam.

Eu calculo que a queda próxima poderá ser de 33% ou mais do que o dólar ganhou desde o último vale.

4

5

A queda do dólar nessa magnitude vai impactar cada setor da economia. Eletricidade, alimentos e combustíveis subirão de preços, assim como as commodities que são cotadas em dólares. Haverá fluxos de recursos do setor exportador para o importador; a inflação que hoje é muito baixa subirá rapidamente pela conjunção de outro fator de profunda importância que é a entrada do Yuan na cesta de moedas, diminuindo a importância do King Dollar como moeda reserva e, consequentemente, reduzindo a liquidez dessa moeda, o que obrigará a impressora a trabalhar em horas extras para fazer frente à dívida crescente. É uma situação muito grave e os EUA estão atualmente sem instrumentos eficazes para fazer frente a essa situação que os políticos e burocratas construíram ao longo dos anos.

Os gráficos abaixo mostram o que aconteceu no passado. Por que não agora?

Basta considerar que a situação atual é insustentável como tive a ocasião de demonstrar em vários de meus artigos.

6

7

8

9

11

12

Você emprestaria dinheiro a um amigo com R$ 56.000,00 na poupança e uma dívida na praça de R$ 3.500.000,00?  Eu não. Se emprestar, perderá o amigo e o dinheiro. Se não emprestar perderá apenas o amigo. É a opção mais barata.

Pois esta é exatamente a situação do FED, um banco tecnicamente quebrado, incapacitado de agir no momento da crise que se aproxima.

13

Débito do FED, o Banco Central, gira atualmente na relação Debt/Capital = 80, COM $4,500 BILLION.

Em novembro último no encontro do G-20 na Austrália, o governo dos EUA mencionou algo que os americanos ficariam chocados de ouvir. No evento, os EUA concordaram que em crises, as contas pessoais bancárias podem ser bloqueadas pelo governo para pagar os débitos e obrigações bancárias. E olha que a presidente Dilma estava presente e ouviu a tradução simultânea. Ainda bem que ela nunca se utilizaria deste expediente, graças a sua sensibilidade social.

Para encerrar este capítulo com chave de ouro, quero mostrar o que aconteceu na Grécia, um pais europeu, berço de nossa civilização ocidental.

Os caixas eletrônicos pararam de operar e as pessoas não podiam ter acesso ao dinheiro que lhes pertenciam. Os caixas do banco só disponibilizavam uma quantia pequena por dia. Dinheiro racionado pelo governo.

Normalmente, as pessoas pensam que o dinheiro que elas têm depositado no banco é delas e está lá disponível para quando desejarem colocar as mãos nele.

O sistema bancário não funciona assim está interligado com as instituições do governo e com o Banco Central que disponibiliza recursos aos bancos pela taxa Selic.

O banco fica com uma reserva, para atender o dia-a-dia, de menos de 2% do total de depósitos. Se ocorrer uma situação de insegurança na qual uma multidão de gente resolva sacar o seu dinheiro (assim como aconteceu com o BTG, neste mês) o banco não terá disponibilidade e terá de recorrer a outros bancos e ao Banco Central. Se o problema for sistêmico, também esses outros bancos estarão na mesma situação de insolvência. O que acontece é o reproduzido nas fotos da Grécia, a seguir.

14

Se o governo necessita de US$ 7,8 trilhões em novos débitos para produzir um crescimento econômico de apenas US$ 1,7 tri, como demonstrei com números oficiais no relatório II desta série, esta situação é insustentável e o povo pagará por isso. É sim, caso para se preocupar!

Voltarei na próxima sexta, até lá!

Deixe você também seu comentário: