jan 082016
 

O que os americanos deveriam saber, mas não são informados.

No relatório de mesmo nome da semana passada, lancei ao final uma inquietante pergunta:

“O QUE ESTÁ PRODUZINDO O CRESCIMENTO DO PIB? ”

A resposta simples, direta e precisa é: o débito.

Muita gente se impressiona desnecessariamente com o débito. Ele é um instrumento eficaz de progresso e, se bem utilizado e com critério, pode aumentar a eficiência e riqueza de uma empresa ou de um país.

Para efeito didático, imaginemos que os EUA sejam uma grande empresa—América Ventures Corp.— onde seus empregados sejam o povo e os acionistas, os políticos. Os escolhi para essa função porque os políticos, não todos, mas quase todos, se julgam donos do país e que os recursos produzidos pelos empregados, o povo, pertencem integralmente a eles. O povo trabalha duro, produz alimentos, máquinas, produtos variados, constrói pontes, estradas, faz a limpeza, cuida da saúde dos empregados doentes, exporta os produtos excedentes e tudo isso reunido produz o PIB, o Produto Interno Bruto que é um referencial da riqueza produzida por essa grande empresa.

Se tudo está correndo bem, os empregados satisfeitos com a direção da empresa e sua política de desenvolvimento, todos trabalham com entusiasmo, a direção premia os empregados que desenvolvem inovações e novos produtos e produzem mais e com melhor qualidade.

A diretoria da empresa pode tomar a decisão de efetuar empréstimos, emitindo debêntures, para aumentar mais a produção e aproveitar melhor os equipamentos disponíveis que estão carecendo de matérias primas para produção. O Conselho se reúne, aprecia com critério os prós e contras e decide aprovar um débito de USD $1 trilhão.

Com esse recurso adicional a empresa produz mais ainda, aproveita melhor as instalações já disponíveis com a matéria prima importada e o PIB passa de 8 para 10. Como sei que o débito foi positivo e produziu uma alavancagem favorável?

Simples, com uma conta que qualquer criança sabe fazer:

Dados: aumento do débito: 1 trilhão; aumento do PIB: 2 trilhões.

Então: 2 / 1 = 2, ou seja: dois dólares de riqueza adicional foram produzidos por cada dólar de aumento de débito. Lógico que a alavancagem foi favorável, pois fez a empresa crescer mais que a dívida assumida. Neste caso, não haverá problema da América Ventures Corp. resgatar essa dívida contraída.

Entendido como o endividamento age, vamos analisar a situação da empresa América com os dados atuais:

Nos últimos 7 anos do governo Obama o PIB cresceu $ 1,76 trilhões! Lembra-se de que o New York Times escreveu que não havia porque se preocupar?

O aumento do débito, nos mesmos 7 anos, cresceu a espantosa cifra de $ 7,9 trilhões.

Vou chamar minha neta para fazer este cálculo complexo:

1,76 / 7,9 = $ 0,22

Ou seja, 22 centavos de dólar de riqueza adicional foram produzidos por cada dólar de aumento de débito.

E agora, lhe parece bom, ainda? Nada a se preocupar?

Conclusão: o que está aniquilando a América é o débito impagável e descontrolado.

Agora nos resta analisar as consequências futuras que podemos esperar desta preocupante conclusão.

O débito total do governo mais a do setor privado alcança o valor de USD $ 65,7 trilhões.

Muita gente ao ver esses números de apenas dois dígitos passa direto sem refletir, pois não faz a mínima ideia do que seja. Eu peguei um papel, levantei alguns dados, fiz alguns cálculos e cheguei a um resultado espantoso que quero compartilhar com você.

Se fizermos um monte de pilhas de notas de cem dólares, na altura de 120 metros, cada uma, bem embaladas para não desmoronar nem as notas serem levadas pelo vento, teremos em cada pilha um montante que você gostaria de ter, mas na proporção que utilizamos aqui, é uma titica. Não dá para pagar os juros de um dia. Agora, vamos encostando uma pilha à outra e sucessivamente até preenchermos totalmente a área de um campo de futebol oficial, com 6.400 m².  Esse mar de papel empilhado da altura de uma torre de 40 andares, composto exclusivamente de notas de US$ 100.00 (R$ 400,00), cobrindo toda a extensão de um campo de futebol é o que, exatamente, significa US$ 65,7 trilhões. Nem o tio Patinhas jamais concebeu jogar uma partida em cima de tanta grana.

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A população dos EUA é de 324 milhões.

—Minha neta, me ajude aqui: quanto cada cidadão deve?

Diz ela que 65.700.000/324 = $202,831 dólares por cidadão, seja velho, jovem ou recém-nascido, já nasce devendo!

Bem, dirão os otimistas, as pessoas têm suas poupanças, então a situação não é tão dramática.

A poupança média por família americana, segundo dados oficiais é de $ 7,818(sete mil e oitocentos e poucos dólares).  Se considerarmos o número médio de integrantes de uma família americana de 5, 4, ou 3 pessoas, a poupança média por pessoa será: $1,563; $1,954; $2,606. É impossível, em qualquer caso, rigorosamente impossível que toda a massa de cidadãos consiga pagar essa dívida, que ademais não para de crescer.

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Só o débito do Banco Central Americano consome pouco mais da totalidade do PIB!

É assombroso e extremamente perigoso, para não se preocupar.

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Que consequências se pode esperar dessa alarmante situação?

Não há suficientes trabalhadores para pagar com suas contribuições sociais essa montanha de débitos criada pelos benefícios sociais. E ainda há outros benefícios milionários como o Obama Care que não tem outra maneira de serem financiados senão pela máquina reproduzida a seguir:

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Um estudo do Bureau of Labor Statistics conclui o seguinte:

“Indivíduos desempregados na América são mais prováveis visitantes de Shoppings e cinemas, ou entretidos em ver televisão ou praticando esportes durante o dia de trabalho, do que procurando por um novo emprego”. 

ATENÇÃO: estou me referindo aos EUA. Qualquer semelhança com outro país está por sua conta.

Agora que você está vendo na prática o que é uma análise inteligente, na qual coletamos dados esparsos em relatórios, notícias de jornais, revistas especializadas, bancos de dados e as vamos reunindo e dando a eles um sentido racional, de tal forma a nos permitir inferir sobre os prováveis acontecimentos futuros, decorrentes das más ou boas escolhas, o que nos resta fazer, agora, é mostrar quais os prognósticos para a moeda desse país.

Será esse o objeto da minha próxima analise.

Estarei de volta na próxima 6º feira. Até lá!

  2 Responses to “A ECONOMIA AMERICANA II”

  1. […] US$ 7,8 trilhões em novos débitos para produzir um crescimento econômico de apenas US$ 1,7 tri, como demonstrei com números oficiais no relatório II desta série, esta situação é insustentável e o povo pagará por isso. É sim, caso para se […]

  2. Fantástico, Dagoberto! Não tenho encontrado análises tão acuradas e de impressionante clareza como as que tenho visto aqui.
    Parabéns, Alex

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