jan 012016
 

O que os americanos deveriam saber, mas não são informados.

Como os brasileiros serão atingidos, mas preferem não saber.

Um de meus leitores me enviou um e-mail fazendo uma crítica construtiva sobre o que tenho revelado a respeito dos EUA. Disse-me ele que segundo reportagem que leu no New York Times não havia motivo para preocupação. E seguiu arrolando alguns dados publicados no citado artigo: o PIB doméstico dos EUA vem crescendo desde a recuperação iniciada após a crise de 2008. Nestes últimos 7 anos o PIB cresceu US$ 1,76 trilhões, as bolsas americanas subiram sem parar refletindo a saúde da economia, a inflação continua bem abaixo de 2%, a taxa básica de juros entre zero e 0,25% a.a. e a taxa de desemprego está entre as mais baixas das economias avançadas.  Então me pergunta: em que se baseia sua preocupação com a forte e estável economia americana?

Os números citados parecem convincentes, não lhe parece?

Então, vamos juntos observar alguns fatos incontestáveis para uma análise inteligente:

1—BOLSAS: Sobre as bolsas americanas, especialmente a Nasdaq e o Dow Jones, tenho publicado análises técnicas em meu site, cujos gráficos demonstram, sem sombra de dúvidas, que meu caro leitor tem razão. Nos comentários dessas analises afirmei que os EUA vivem uma verdadeira “Gold Age”, pois, as corporações têm apresentado, a cada trimestre, resultados crescentes e pagam dividendos sempre crescentes e regularmente. As pequenas e medias empresas estão se expandindo, especialmente as dos setores de tecnologia da informação (TI), as de biotecnologia têm feito investimentos altos em P&D e as do setor farmacêutico têm apresentado verdadeira revolução no campo da medicina. Outras empresas nos setores de robotização e de armamentos vêm expandindo mercado e ganhando dinheiro com inovação e desenvolvimento. Tudo parece o melhor dos mundos.

2—MIDIA: O fato de um artigo ter sido publicado num veículo de grande prestigio como o New Tork Times não significa, necessariamente, que possa ser considerado como a fiel reprodução da verdade.

Todos devem se lembrar dos dois relatórios sobre o Brasil produzidos pela revista The Economist. O primeiro resultou da eficiente propaganda lulopetista das maravilhas do pré-sal e a segunda dos resultados ‘magníficos’ de que todos temos conhecimento. A figura abaixo fala por si.

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A conclusão que se tira é que a revista, como nunca na história deste país e em tempo algum, “também não sabia de nada”.

3—EMPRESAS FECHANDO: O gráfico abaixo do United States Census Bureau mostra que há mais negócios fechando nos EUA do que novos iniciando. Em recente artigo, o órgão confirma a tendência até o presente.

No passado, a economia americana crescia pela inovação, trabalho duro e empreendedorismo. Agora, essa dinâmica mudou. Muitas empresas migraram ou abriram filiais no exterior as quais são mais operativas que a matriz americana. Para exemplificar, APPLE e MICROSOFT, têm suas principais operações no exterior e criam poucos empregos nos EUA. A razão: mais impostos, mais regulação, mais atuação dos sindicatos.

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Outro aspecto a observar é que as empresas antes investiam em novas unidades, em ampliações de produção e especialmente em Pesquisa & Desenvolvimento. Atualmente, quando têm sobras de caixa, fazem programas de recompra de ações para, reduzindo o número de ações em circulação, produzirem maior lucro por ação e com isso justificam novos aumentos nos preços das ações e melhores bônus para seus executivos. Também o FED, o Banco Central Americano, com a prática da taxa de juros zero vem, desde a crise de 2008, bombeando recursos para Wall Street o que tem impulsionado as bolsas.

4—DESEMPREGO: O governo tem alardeado que o desemprego caiu para 5,1% nos últimos anos. Antes, essa estatística tinha um importante significado, mas foram tantas as alterações na forma de cálculo que se perdeu a visão real da situação.

As pessoas que deixaram o trabalho ou simplesmente desistiram de procurar uma nova colocação desaparecem das estatísticas, simplesmente não existem. Isso faz a economia parecer muito melhor do que realmente é.

The Labor Force Participation é uma forma mais acurada de se avaliar a verdadeira situação dos empregos. Significa o percentual de participação dos trabalhadores na construção do PIB. Claro que está relacionada com o aumento da eficiência no trabalho que exige cada vez menos mão-de-obra, mas é um dado relevante para ser observado em conjunto com outros dados, como veremos a seguir.

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Outra observação que se pode fazer é verificar como está a participação dos trabalhadores na economia em geral.

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E também, como está a renda anual média da família.

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5—INCAPACITAÇÃO E AUXILIO ALIMENTAÇÃO

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De acordo com FORBES, 52% dos cidadãos americanos recebem benefícios do governo.

Isto tem a ver com os programas Disability que considera as pessoas incapacitadas por acidentes no trabalho, moléstias do coração, dores na coluna, etc. e o Food Stamp, uma espécie de cartão de crédito que possibilita ao beneficiado, normalmente desempregado ou pobre, receber alimentação subsidiada pelo governo.

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Então, se menos pessoas estão trabalhando, a renda média das famílias está diminuindo, a participação dos trabalhadores na economia está em colapso, mais empresas estão fechando que abrindo e metade da população está pendurada nos benefícios do governo, a pergunta correta a fazer é:

O QUE ESTÁ PRODUZINDO O CRESCIMENTO DO PIB?

Quem sabe alguns leitores poderiam fazer suas apostas e me ajudar na resposta.

Ficaria muito grato de ouvir a sua opinião.

Envie sua sugestão para: dagopache@terra.com.br com o título: ‘O que faz crescer o PIB’.

Na próxima 6ª feira estarei de volta. Até lá e um Próspero Ano Novo

  One Response to “A ECONOMIA AMERICANA I”

  1. […] Os EUA, Japão e Europa fizeram os programas ‘Quantitative Easing’ que significou a compra de títulos da dívida negociados no mercado para seus respectivos tesouros e, em contrapartida, injetaram uma quantidade absurda de dinheiro vivo nos seus respectivos mercados. O FED, com uma estrutura desequilibrada de endividamento (tem 83 dólares de dívida para cada dólar de patrimônio próprio), necessita iniciar um programa de venda de títulos que estocou, mas se aumentar a oferta os preços dos títulos cairão ainda mais e não haverá compradores, por isso a urgência que têm em elevar a taxa básica de juros para que os títulos possam ser vendidos. Porém, se o fizer, o FED provocará a recessão no pais que já está em depressão econômica há oito anos. É essa armadilha a que aludi em meus ensaios sobre “A Economia Americana” disponível aqui neste site. […]

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