A ECONOMIA AMERICANA E OS MERCADOS

O QUE JANET YELLEN SABE, MAS NÃO REVELA

Na semana passada, os mercados reagiram negativamente às revelações do relatório sobre emprego nos EUA. Este indicava que a economia daquele país havia acrescentado 38.000 novos empregos, o pior indicador em seis anos. A Chefe do Federal Reserve fez pouco caso afirmando que, apesar de pouco, o número ainda indica um crescimento da economia e que o fato é positivo. Por via das dúvidas, Janet Yellen achou por bem prorrogar o prometido aumento da taxa de juros, que como eu já havia previsto, não seria aumentada, outra vez.

Minhas razões são racionais e não emocionais. Então vejamos o que a Yellen sabe muito bem para tomar esta decisão acertada.

  1. 1Ela sabe que o importante não é observar o número em si, mas a tendência, a qual se comparada com os trimestres anteriores revelam uma queda continua na oferta de novos empregos.
  1. Outro dado é ter em mente que as informações sobre a evolução do emprego não levam em conta os americanos que desistiram de o procurar, número que se revela cada vez maior pelo aumento da procura por benefícios sociais como o Food Stamp, o cartão de alimentação dos programas sociais que já atinge 47 milhões de trabalhadores.
  1. As empresas não estão investindo em suas fábricas. A falta de interesse em investir em novos equipamentos explica a falta de motivação em contratar pessoal.
  1. Dados do Institute for Suply Management publicados recentemente, mostram que o crescimento no setor de serviços diminuiu em maio e também as contratações de pessoal desse setor.

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Não se iluda, os dados sobre a economia liberados na semana passada estão pintando um quadro mais obscuro do que estive observando no mês passado.

Estou convencido de que os mercados acionários, em qualquer momento, se ajustarão à realidade que observo e os farão de maneira abrupta e inesperada.

COMO AGEM OS ESTRANGEIROS

Eu tenho informado em várias de minhas publicações que a China vem resgatando suas reservas em dólares, em um ritmo ao redor de $900 bilhões/ano. Tive a ocasião de mostrar as razões e onde essa dinheirama está sendo despejada.

Apesar disso, a mídia continua insistindo que todo esse dinheiro é para sustentar o Yuan, porque os capitais estrangeiros estão fugindo da China.

Esse argumento não resiste a uma simples análise. Para onde esse dinheiro em fuga da China está indo? Criando novas reservas de outros países ou dos próprios americanos, nos EUA? Então como explicar a redução do total das reservas dos EUA?

O problema de fundo são as eleições e a verdade não pode transparecer até a decisão entre Clinton e o odiado Trump. Os chineses vêm comprando e estocando ouro em grande quantidade e empresas no exterior, aproveitando os preços baixos das empresas insolventes por alto endividamento nestes tempos de recessão. Isso faz parte do Plano Secreto que revelei em primeira mão em vários artigos sobre a China, ainda disponíveis aqui em meu site.

Agora, descobri que a China vem vendendo suas ações americanas em grande volume, como mostra o gráfico abaixo:

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Em 2015 e metade de 2016 a China reduziu seu portfólio de $350 bilhões para $200 bilhões. Não é pouca coisa!

A venda de ações permitirá ao PBoC (People Bank of China) de reter ativos mais seguros como os Treasuries que podem ser vendidos com maior rapidez e facilidade em tempos tumultuados.

Considere que o S&P 500 Index, um dos índices representativos da bolsa americana, está há 13 meses sem ultrapassar o seu pico mais alto. Entretanto, os bancos, corretoras, fundos de investimento insistem que estamos em um fortalecido Bull Market (significa mercado com tendência prolongada de alta) enquanto meus 40 anos de estudos científicos sobre análise técnica indicam que estamos em Bear Market (o oposto do anterior). Por que será? Quando os Fundos e Bancos querem vender necessitam, antes, de formar mercado comprador. Por isso é mais prudente não seguir as orientações de grandes instituições.

O gráfico abaixo mostra a evolução do S&P 500 Index. Cada barra representa a cotação máxima e mínima de um mês. Como se pode observar, a volatilidade, representada pela ampliação do tamanho de cada barra, aumentou muito e com mais frequência no último ano. Em geral, um grande crash é antecedido por três mini crash.

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Fundos soberanos como Qatar, United Arab Emirates, Saudi Arábia e Rússia, além da já citada China, estão vendendo suas reservas por diferentes motivos, desde que o preço do petróleo começou a cair em 2014.

Os chineses e outros países estão com a visão de que permanecer em ativos americanos é arriscado na atual nebulosa situação e não me surpreenderia que eles estejam gerando caixa mais que qualquer outra coisa.

China continua sendo o maior financiador da dívida do governo americano com $1,244 trilhões em US Treasury securities, cujo volume declinou nos dois últimos meses. Saudi Arábia e os países produtores de petróleo fizeram o mesmo. Somente o Japão aumentou sua participação pelo quarto mês consecutivo.

Se você chegou até aqui e ainda está se perguntando o que tenho a ver com isso ou porque o Brasil seria afetado, vou lhe indicar alguns exemplos:

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Evolução das ações da Randgold Resources (Gold), mineradora de ouro do Canadá

Eu previ, quando o dólar estava subindo sem parar, que ocorreria uma desvalorização de cerca de 30% e, consequentemente, o ouro iria subir de forma rápida. Estamos observando essa queda expressiva, que já alcança 722% em relação ao real, na valorização de outras moedas, na alta das commodities, na elevação expressiva do ouro cujos preços são aferidos em dólares.

Os exportadores brasileiros já estão reduzindo suas metas de exportação pela falta de competitividade de preços, com o real mais elevado. Se você trabalha numa exportadora ou numa empresa que fornece à exportadora, poderá perder seu emprego.

Há também um risco político. Imagine que se em agosto, o mês do desgosto, onde tudo costuma dar errado, ocorra um crash nas bolsas americanas, que não é questão de SE, mas sim de QUANDO; nesse mês, no Brasil, o processo de impeachment estará finalizando e o mágico Lula voltará a encantar suas plateias culpando os capitalistas, imperialistas, as ‘zelites’ e naturalmente os banqueiros como os responsáveis pela situação deplorável do Brasil e da Venezuela, nada tendo a ver com a governança do PT e o ‘compliance’ dos bolivarianos. Com os senadores e deputados que temos, eleitos por um povo absolutamente carente de educação e informação, o ‘Tchau Querida’ poderá ser revertido. Eu diria que hoje essa possibilidade está ao redor de 50%.

Vivemos num mundo globalizado, tudo tem a ver com tudo, quer você acredite ou não. Os noticiários de TV só servem para idiotizar as pessoas, não para verdadeiramente informar.

Então fique atento e continue me seguindo.

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